sábado, 24 de setembro de 2016

O eu grandioso


Dancing Dwatf, Plolemaic Period

Um jornalista português referiu-se aos Jogos Paralímpicos como um espetáculo “grotesco” e “um número de circo”.
Sem pretender fazer pseudoanálises do autor de comentários tão infelizes e exibicionistas, supondo que a intenção é a desvalorização dos atletas paralímpicos como seres imperfeitos ou incompletos, aquelas afirmações podem ser contudo uteis, para ilustrar uma característica da organização narcisista omnipotente que “é contra a perceção da necessidade ou do sofrimento e reclama a eliminação dos fracos” a começar pelo próprio. (DeMasi citado por Cristina Fabião*)
A começar pelo próprio” significa que o eu grandioso é sobretudo intolerante às suas próprias emoções e fragilidades, considerando-as uma fraqueza, como se estas fossem por em causa a sua tentativa desesperada de ser perfeito. O que explica a incapacidade de compreender o valor e o sentido benéfico da pessoa  se superar e de alargar deste modo, o espaço das suas limitações.
É como se rejeitasse através do outro, a sua natural imperfeição humana e com ela a autoaceitação e o crescimento interior.

*Narciismo, defesas primitivas e separação


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Paradoxo “ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”


René Magritte The Human condition

“ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”
Cristina Fabião  Narcisismo, defesas primitivas e separação Climepsi



Exibicionistas com manias de grandezas ou tímidos e inibidos, mas igualmente insatisfeitos, que sempre querem o melhor e dificilmente se contentam, intransigentes e reivindicativos acerca do comportamento dos outros, irónica e paradoxalmente, não sabem quem são.
Para o narcisista alcançar a autoconsciência teria de admitir que, por exemplo, o outro pode ser mais amado e admirado do que ele, ou que, a inocência da infância terminou.

Uma lição de vida para as suas vítimas que tentam desesperadamente lhes agradar.
A perspectiva deve ser então, a inversa. Não são os outros que não são suficientemente capazes e bons, as personalidades narcísicas por não terem consciência de si, não possuírem um conceito integrado do eu (confusão entre pensamentos e sentimentos, entre outras alterações), nem dos mecanismos que utilizam para proteger o seu narcisismo, não reconhecem adequadamente as emoções e sentimentos dos outros, pelo que, não lhes dão o devido valor. 
Assim sendo, os narcísicos não podem ter capacidades adequadas de empatia pelas pessoas (no mínimo, imaginar o seu mundo), fazer delas uma avaliação apropriada e investir emocionalmente nas relações - o Outro é sempre o objecto redescoberto. 
A fonte do (algum) conhecimento que têm de si próprio, faz-se através do efeito que causam (ou julgam causar) nos outros. Essas impressões, tanto servem para alimentar o ego grandioso como, ao não lhes parecerem favoráveis, podem contribuir para a baixa auto-estima e para o desânimo. Por isto, o narcísico está dependente deste jogo de espelhos, e sem ele, sente-se vazio e nada.

Só se reconhece e se dá valor, ao que a estrutura de personalidade permite, ou seja, só se dá  o que se tem, como dizia Oscar Wilde "Cada um dá o que tem no coração, e cada um recebe com o coração que tem."


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

As delícias da imaginação


O mundo virtual das relações amorosas. Uma nova forma de dependência: imaginar.

LISBOA



Embarque nesta aventura sobre a Cidade de Lisboa, a Praça do Comércio, Castelo de São Jorge e sobre o imponente navio de Cruzeiros Sea Viking.
Fotos e vídeos aéreos de Portugal:

sábado, 9 de julho de 2016

Vinculação: um amor tranquilo

Imagem do filme "O belo António"

“Este amor tão verdadeiro, tão profundo pode nada ter de erótico. Acontece ao homem amar profundamente uma mulher que lhe é indispensável, mas pela qual não sente qualquer desejo erótico…é capaz de fazer amor com todas as mulheres do mundo exceto com a sua. “
Francesco Alberoni O Erotismo

Com base nas minhas leituras dos clássicos, este laço afetivo com a mulher com quem não se tem relações sexuais, ou melhor dizendo, por quem não se tem desejo erótico, é a vinculação*, entendida por certos autores psicanalistas, Mary Ainsworth e outros, como sendo uma forma de amor em que os parceiros tendem a manter-se próximos um do outro, não por dependência, mas para satisfação de funções de apego, embora desprovidas das emoções da paixão.

A sua característica essencial, nas palavras de um outro autor, J. Bowlby, refere-se à escolha do parceiro. Na vinculação, a escolha não é feita ao acaso. Se a ligação perdura, e tende para a durabilidade, aquele/a parceiro/a é o preferido para satisfazer certas necessidades.
A minha vontade em escrever, neste momento, acerca deste tema, é naturalmente por considerar profícuo entendermos que o amor pode ser considerado um espetro, como um arco iris, que vai do êxtase amoroso até à vinculação tranquila, o que ajuda, penso eu, a compreendermos que se pode estar muito apaixonado por alguém fora do casal legal, mas permanecer-se ligado, e não dependente, do parceiro legitimo.

* A ideia é defendida por Boris Cyrulnik em Sob o signo do afecto

terça-feira, 21 de junho de 2016

Atlas das Emoções



ABOUT THIS ATLAS

This Atlas was created to increase understanding of how emotions influence our lives, giving us choice, (at least some of the time) about which emotion we are experiencing, and how our emotions influence what we say and do. While emotions are central to our lives – providing the joy, alerting us to threats, a force for change, a warning against what is toxic, and calling to others for help – we don’t choose what to feel or when to feel it. The Atlas of Emotions was created to give us more awareness of our emotions, and sometimes even some choice about what we are feeling, through better understanding of how emotions work.

sábado, 21 de maio de 2016

Pessoas difíceis

Henry Fuseli, O pesadelo

“…nos indivíduos neuróticos, por exemplo, muitas vezes não se sabe se estamos diante de uma atitude consciente ou inconsciente, uma vez que devido à dissociação de personalidade, ora aparece uma metade, ora outra, confundindo o nosso julgamento. Por essa razão é tão difícil conviver com pessoas neuróticas.”
C.G. Jung Estudos sobre a psicologia analítica

Acho muito relevante considerarmos que as pessoas difíceis são aquelas que não se dão conta que os seus pensamentos e sentimentos face a acontecimentos passados, são revividos no presente, de um modo mágico e animista, desenquadrados do contexto “… (estas atitudes inconscientes) são de outro universo e funcionam de acordo com uma outra lógica. É como se existisse dentro de nós um teatro, no qual vai decorrendo uma peça onde entram e saem personagens bizarras, que se relacionam entre si, de uma maneira diferente daquela que estamos habituados ou que conhecemos conscientemente” (Frederico Pereira), que na relação com um interlocutor na vida real, podem, ao ser despertadas, desumanizá-lo e agredi-lo.
Estas personagens coabitam no mesmo individuo, com outras, racionais e lógicas, sem que ele consiga através destas, tomar consciência do seu interior psíquico - dissociação de personalidade - e, dominar os seus "demónios."