domingo, 13 de novembro de 2016

Atração Fatal


René Magritte

Ou "O narcisista e os seus parceiros #2"
Vejo com surpresa o sucesso do post O narcisista e seus parceiros #1, pelo número de visualizações, embora possa admitir que não é por ser lido que é apreciado, adquire significado para quem o leu e ajude a ampliar a consciência.
Com a intenção de clarificar o mesmo tema, e porque hoje faz-me mais sentido considerar que nas relações dos narcísicos com os seus parceiros, as destrutivas, as que se prolongam no tempo “até que a morte nos separe”, a "vítima" idealiza o outro não tendo representação do seu mundo, vivendo sem perceção emocional do que está a acontecer e consequentemente, perdendo o poder de decisão.
Acredito que vários arranjos de ligações são possíveis, mas a fatalidade para os indivíduos que não imaginam o mundo dos outros, será se apaixonarem por um parceiro para quem não existam psicologicamente, que seja um abusador, que lhes provoque alterações importantes na personalidade, invada tudo e arruíne a vida - como aquelas pessoas têm uma frágil estrutura, tendem a se apaixonar por quem tem estruturas psicopáticas. 
Os sobreviventes de tipo de relações conseguiram travar a tempo este processo, e conservarar um abrigo emocional suficientemente saudável para transformar a sua história pessoal numa narrativa significativa. Sentem  que não se definem pela sua adversidade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Ilha da Madeira - O Véu da Noiva


Situated on the old road which connects Seixal to São Vicente, you can see the Véu da Noiva Waterfall, which resembles a bride's veil, due to its height and the torrents of water that gush down the hillside.
From this location there is also a pleasant view of the Atlantic and the slopes of the northern coast of Madeira.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Entrevista a Elisabeth Roudinesco


Durante sua passagem pelo Brasil à convite do Fronteiras do Pensamento, Elisabeth Roudinesco lançou o livro "Sigmund Freud na sua época e em nosso tempo", e concedeu entrevista ao programa Diálogos com Mario Sergio Conti, da Globonews.

sábado, 24 de setembro de 2016

O eu grandioso


Dancing Dwatf, Plolemaic Period

Um jornalista português referiu-se aos Jogos Paralímpicos como um espetáculo “grotesco” e “um número de circo”.
Sem pretender fazer pseudoanálises do autor de comentários tão infelizes e exibicionistas, supondo que a intenção é a desvalorização dos atletas paralímpicos como seres imperfeitos ou incompletos, aquelas afirmações podem ser contudo uteis, para ilustrar uma característica da organização narcisista omnipotente que “é contra a perceção da necessidade ou do sofrimento e reclama a eliminação dos fracos” a começar pelo próprio. (DeMasi citado por Cristina Fabião*)
A começar pelo próprio” significa que o eu grandioso é sobretudo intolerante às suas próprias emoções e fragilidades, considerando-as uma fraqueza, como se estas fossem por em causa a sua tentativa desesperada de ser perfeito. O que explica a incapacidade de compreender o valor e o sentido benéfico da pessoa  se superar e de alargar deste modo, o espaço das suas limitações.
É como se rejeitasse através do outro, a sua natural imperfeição humana e com ela a autoaceitação e o crescimento interior.

*Narciismo, defesas primitivas e separação


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Paradoxo “ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”


René Magritte The Human condition

“ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”
Cristina Fabião  Narcisismo, defesas primitivas e separação Climepsi



Exibicionistas com manias de grandezas ou tímidos e inibidos, mas igualmente insatisfeitos, que sempre querem o melhor e dificilmente se contentam, intransigentes e reivindicativos acerca do comportamento dos outros, irónica e paradoxalmente, não sabem quem são.
Para o narcisista alcançar a autoconsciência teria de admitir que, por exemplo, o outro pode ser mais amado e admirado do que ele, ou que, a inocência da infância terminou.

Uma lição de vida para as suas vítimas que tentam desesperadamente lhes agradar.
A perspectiva deve ser então, a inversa. Não são os outros que não são suficientemente capazes e bons, as personalidades narcísicas por não terem consciência de si, não possuírem um conceito integrado do eu (confusão entre pensamentos e sentimentos, entre outras alterações), nem dos mecanismos que utilizam para proteger o seu narcisismo, não reconhecem adequadamente as emoções e sentimentos dos outros, pelo que, não lhes dão o devido valor. 
Assim sendo, os narcísicos não podem ter capacidades adequadas de empatia pelas pessoas (no mínimo, imaginar o seu mundo), fazer delas uma avaliação apropriada e investir emocionalmente nas relações - o Outro é sempre o objecto redescoberto. 
A fonte do (algum) conhecimento que têm de si próprio, faz-se através do efeito que causam (ou julgam causar) nos outros. Essas impressões, tanto servem para alimentar o ego grandioso como, ao não lhes parecerem favoráveis, podem contribuir para a baixa auto-estima e para o desânimo. Por isto, o narcísico está dependente deste jogo de espelhos, e sem ele, sente-se vazio e nada.

Só se reconhece e se dá valor, ao que a estrutura de personalidade permite, ou seja, só se dá  o que se tem, como dizia Oscar Wilde "Cada um dá o que tem no coração, e cada um recebe com o coração que tem."