quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O mapa

Vitor Brauner Prelude to a civilization 1954


“Do mesmo modo, pensa-se que um individuo constrói um modelo operacional de si mesmo, em relação a quem os outros responderão de certas formas previsíveis. O conceito de modelo operacional do eu compreende dados que são atualmente concebidos em termos de autoimagem, autoestima, etc. 
Em que medida tais modelos operacionais são produtos válidos da experiência real de uma criança ao longo dos anos, ou são versões distorcidas de tal experiência, é uma questão se suma importância.  Os trabalhos de psiquiatria da família dos últimos 25 anos apresentaram numerosos dados sugerindo que a forma que o modelo adota é, de fato, fortemente determinada pelas experiências reais de uma criança durante a infância, muito mais do que se suponha antes. Este é um campo de interesse vital e requer, urgentemente, uma investigação especializada.  Um problema clínico e de pesquisa consiste em que os indivíduos perturbados frequentemente parecem manter dentro deles mais de um modelo operacional tanto do mundo como do eu-no-mundo. Além disso, tais modelos múltiplos são frequentemente incompatíveis entre si e podem ser mais ou menos inconscientes “.
John Bowlby Formação e rompimento dos laços afetivos Martins Fontes

O mapa (mental) ou o modelo operacional tanto do mundo como do eu-no-mundo: a possibilidade de criar uma percepção emocional clara de si e do seu mundo, em conjunto com um código de acção. 
Nem todos o conseguem. Para estes, os indivíduos perturbados (nas palavras de John Bowlby), os carenciados precoces, dispersos, o mundo apresenta-se incoerente e tudo agride.

domingo, 13 de novembro de 2016

Atração Fatal


René Magritte

Ou "O narcisista e os seus parceiros #2"
Vejo com surpresa o sucesso do post O narcisista e seus parceiros #1, pelo número de visualizações, embora possa admitir que não é por ser lido que é apreciado, adquire significado para quem o leu e ajude a ampliar a consciência.
Com a intenção de clarificar o mesmo tema, e porque hoje faz-me mais sentido considerar que nas relações dos narcísicos com os seus parceiros, as destrutivas, as que se prolongam no tempo “até que a morte nos separe”, a "vítima" idealiza o outro não tendo representação do seu mundo, vivendo sem perceção emocional do que está a acontecer e consequentemente, perdendo o poder de decisão.
Acredito que vários arranjos de ligações são possíveis, mas a fatalidade para os indivíduos que não imaginam o mundo dos outros, será se apaixonarem por um parceiro para quem não existam psicologicamente, que seja um abusador, que lhes provoque alterações importantes na personalidade, invada tudo e arruíne a vida - como aquelas pessoas têm uma frágil estrutura, tendem a se apaixonar por quem tem estruturas psicopáticas. 
Os sobreviventes de tipo de relações conseguiram travar a tempo este processo, e conservarar um abrigo emocional suficientemente saudável para transformar a sua história pessoal numa narrativa significativa. Sentem  que não se definem pela sua adversidade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Ilha da Madeira - O Véu da Noiva


Situated on the old road which connects Seixal to São Vicente, you can see the Véu da Noiva Waterfall, which resembles a bride's veil, due to its height and the torrents of water that gush down the hillside.
From this location there is also a pleasant view of the Atlantic and the slopes of the northern coast of Madeira.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Entrevista a Elisabeth Roudinesco


Durante sua passagem pelo Brasil à convite do Fronteiras do Pensamento, Elisabeth Roudinesco lançou o livro "Sigmund Freud na sua época e em nosso tempo", e concedeu entrevista ao programa Diálogos com Mario Sergio Conti, da Globonews.

sábado, 24 de setembro de 2016

O eu grandioso


Dancing Dwatf, Plolemaic Period

Um jornalista português referiu-se aos Jogos Paralímpicos como um espetáculo “grotesco” e “um número de circo”.
Sem pretender fazer pseudoanálises do autor de comentários tão infelizes e exibicionistas, supondo que a intenção é a desvalorização dos atletas paralímpicos como seres imperfeitos ou incompletos, aquelas afirmações podem ser contudo uteis, para ilustrar uma característica da organização narcisista omnipotente que “é contra a perceção da necessidade ou do sofrimento e reclama a eliminação dos fracos” a começar pelo próprio. (DeMasi citado por Cristina Fabião*)
A começar pelo próprio” significa que o eu grandioso é sobretudo intolerante às suas próprias emoções e fragilidades, considerando-as uma fraqueza, como se estas fossem por em causa a sua tentativa desesperada de ser perfeito. O que explica a incapacidade de compreender o valor e o sentido benéfico da pessoa  se superar e de alargar deste modo, o espaço das suas limitações.
É como se rejeitasse através do outro, a sua natural imperfeição humana e com ela a autoaceitação e o crescimento interior.

*Narciismo, defesas primitivas e separação