sábado, 1 de abril de 2017

Entrevista a Erin Marie Saltman

Egon Shiele Double Porttrait of Henriche and Otto Benesh, 1913

Em agosto de 2014, o jornal Publico, no artigo "Jihadistas espalham o terror e fascinam jovens em busca de identidade", citava as declarações de Erin Marie Saltman, especialista em contra-terrorismo no Think tanK Qulliam;  "Há pessoas que precisam ser enquadradas, e por isso são presas vulneráveis destes grupos que prometem que poderão morrer como mártires ou tornar.se uma espécie de super-heróis que salvarão o mundo".
As análises de Erin Marie Saltman, e outras, expressam interpretações que fazem referência à complexidade dos fatores sociais, políticos e culturais dos processos de radicalização, mas parece-me interessante considerar também a ideia de que os jovens radicalizados e alienados poderão estar com dificuldades em criar um conceito integrado de si próprios.
O pressuposto que está na base é que quando não se tem uma identidade definida procura-se um lugar (autoridade, seita, grupo político…) para imprimir um sentido à existência, e não existe melhor modo,  que a entrega a ideologias violentas. E, sem um núcleo de um Eu para voltar, surge à submissão. 
Até à radicalização, julgo que não existe um momento identificável de reconhecimento desse vazio angustiante, mas ele faz-se revelar gradualmente sem que possa causar estranheza, sendo tecnicamente invisível.






quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Entrevista do Expresso a Coimbra de Matos

Expresso – Revista E (18-02-2017)
Texto: Carolina Reis; Fotografia Marcos Borga
Ler na íntegra, AQUI
António Coimbra de Matos, 87 anos, médico psiquiatra e psicanalista português.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O narcisista e seus parceiros #3

René Magritte Os amantes

Alguém num comentário neste blogue, no post “O narcisista e seus parceiros#1” escreveu que considerava que no casal em que um dos parceiros é narcisista (autoconcentrado, com mania das grandezas e de ser admirado), e o outro sofre de transtorno de personalidade dependente (ou adicto no amor), podem ser felizes juntos.
Na minha opinião, dificilmente o serão. 
Posso imaginar onde reside a confusão. Pelo facto do individuo narcísico ter  necessidade constante de admiração e aprovação e a pessoa que sofre de transtorno de personalidade dependente, abdicar da sua identidade e submeter-se, vivendo para satisfazer o amante, podemos pensar que este arranjo cria equilíbrio e felicidade no casal.
Porém, a pessoa que sofre de transtorno de personalidade dependente, depende do amante, tem necessidades que são tão insaciáveis - narcísica como ela também é - que se tornam opressivas, não restando disposição para se concentrar no outro.   
Vivem então, o clássico laço duplo do narcisista, cada um precisa do outro, mas não tem nada para lhe dar.


domingo, 5 de fevereiro de 2017

O desprezo

Onda de debmphotos

“O desprezo sensação de autodefesa dos afortunados, é um afeto que não avaliamos, sem dúvida suficientemente, todas as consequências (Honneth, 2000). Ele desencadeia, em reação, novas vagas de emoções intensas. Para o melhor: uma imensa exigência de respeito. E para o pior: a raiva e o ódio, as explosões de violência súbita que o individuo desprezado já não pode conter”.
Jean – Claude Kaufmann A Invenção de si -uma teoria da identidade
A diferença entre os dois estados pode estar na presença ou na ausência do ódio.
Mas no geral, o desprezo é injustamente associado a um sentimento vil, resultado de uma falha na capacidade de resolução íntima das emoções, que nos deveria humilhar e culpabilizar, e que convém que seja superado por fragilizar o desejável vínculo social.
Raramente o consideramos uma qualidade dos afortunados que, sem ódio, ou com ele, lutam pelo reconhecimento e autodeterminação, de si próprios ou de um povo. Lutam por uma existência com sentido e identidade. 
Podemos não nos sentirmos confortáveis com a atribuição do conceito de desprezo nestas circunstâncias, e optemos por o substituir por outras forças de caráter, tal como a coragem, mas requer, sobretudo, outras qualidades como a disciplina mental, para continuar a desprezar o outro e manter-se civilizado.
A natureza do "desprezo" permanece imutável: a defesa em ser tratado como uma pessoa perante um outro que lhe nega o lugar e os direitos, reais ou imaginários.
Uma entrevista com o sociólogo Jean – Claude Kaufmann, no passado dia 15 de outubro:

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016