Egon Shiele Double Porttrait of Henriche and Otto Benesh, 1913
Em agosto de 2014, o jornal Publico, no artigo "Jihadistas espalham o terror e fascinam jovens em busca de identidade", citava as declarações de Erin Marie Saltman, especialista em contra-terrorismo no Think tanK Qulliam; "Há pessoas que precisam ser enquadradas, e por isso são presas vulneráveis destes grupos que prometem que poderão morrer como mártires ou tornar.se uma espécie de super-heróis que salvarão o mundo".
As
análises de Erin Marie Saltman, e outras,
expressam interpretações que fazem referência à complexidade dos fatores sociais,
políticos e culturais dos processos de radicalização, mas parece-me interessante
considerar também a ideia de que os jovens radicalizados e alienados poderão estar
com dificuldades em criar um conceito integrado de si próprios.
O pressuposto que está na base é que quando não se tem uma identidade
definida procura-se um lugar (autoridade, seita, grupo político…) para imprimir um
sentido à existência, e não existe melhor modo, que a entrega a
ideologias violentas. E, sem um núcleo de um Eu para voltar, surge à
submissão.
Até à radicalização, julgo que não existe um momento identificável de
reconhecimento desse vazio angustiante, mas ele faz-se revelar gradualmente
sem que possa causar estranheza, sendo tecnicamente invisível.




