René Margritte A Arte da Conversação, 1950
Muito
se fala e muito se escreve acerca da empatia, e eu própria me questiono porque
também o faço, aqui e agora.
Talvez
o faça porque a empatia esteja na base do laço social, da compreensão e compaixão pelo semelhante,
que a cultivar, nos enche de esperança de um futuro melhor. Mas talvez o faça,
também, por razões egoístas, para evitar cair no erro de julgar que se a
minha emoção faz impressão no outro, e se gera a partir daí um contágio emocional,
a denominada simpatia, eu fui compreendia, e ele sente o mesmo que eu sinto, como
se tivesse vivido ou estivesse a viver a minha situação. Sente empatia por mim. Puro engano.
Em
suma, posso iludir-me se julgar que emocionar-se com o meu relato, coloca-o a
habitar o meu mundo emocional, ou seja, “É como eu”.
A
empatia de acordo com Boris Cyrulnik em, ”Do sexto sentido”, é então uma
construção em duas etapas “compreendo o que você sente”, mas que ainda pode dar azo a não tomar o meu lugar, serve de
base para uma emoção profunda, a um sentimento “compreendo o que você compreende”, que permite ver o mundo com os meus olhos, o que implica ter sentido essas experiências emocionais no passado, e ficar comigo, por que a empatia também
se faz se se ousar deixar correr a alegria da comunhão.
Podemos
então admitir que, é a linha da empatia na qual todos nós nos situamos, compreender
o outro, que não é uma tarefa fácil, mas possível para os psicopatas, até à
emoção profunda, o sentimento, que não está ao alcance destes, porque não tiveram a vivência emocional.





