sexta-feira, 30 de novembro de 2018
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
O MENTAL – Festival da Saúde Mental
Tem como propósito combater o tabu e o estigma que envolve a saúde mental, trazendo-a à discussão popular através do cinema, das artes e da informação.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Aqueles que exigem muito dos outros
“Aqueles que exigem muito dos outros, na realidade,
raramente dão muito aos outros.”
Melanie Klein, Joan Riviere
Amor, Ódio e Reparação
domingo, 2 de setembro de 2018
A encenação
Jack Vettriano
"(…) Dir-se-ia que a praia
estava deserta. Quando por acaso aparecia uma bola lançada na sua direção, ele
parecia surpreendido; deixaria depois um sorriso divertido iluminar-lhe o rosto
(Preedy Simpático), olharia à volta,
espantado por haver pessoas na praia,
devolveria a bola com um sorriso para si próprio para ninguém, e depois retomaria a sua inspeção despreocupada e
tranquila do espaço em redor.
Mas eram horas de proceder a
uma pequena exibição, a exibição de Preedy
Ideal. Com gestos subtis deixou à vista de quem quisesse olhar o título do
livro que trazia – uma tradução espanhola de Homero, um clássico portanto, mas
nada de audacioso nem cosmopolita – e a seguir fez cuidadosamente com o seu
roupão de praia e com o seu saco, um único volume, protegendo-se da areia (Preedy Organizado e Atilado), ergueu-se
lentamente para distender à vontade o corpo enorme (Preedy Grande Felino), e deixou cair para o lado as sandálias (Preedy Afinal- Despreocupado).
(…)
William Sansom, A Contesto of
Ladies
Uma pequena parte, deliciosa,
de um episódio romanesco da obra de William Sansom, utilizado por Erving Gofffman*
para ilustrar a comunicação.
Na situação, as intenções (inconscientes ou não), de impressionar as outras pessoas que se encontram na praia, podem ser correta ou incorretamente compreendidas, resultado que escapa ao controle de Preedy, podendo ficar a um passo de tornar-se ridículo.
Na situação, as intenções (inconscientes ou não), de impressionar as outras pessoas que se encontram na praia, podem ser correta ou incorretamente compreendidas, resultado que escapa ao controle de Preedy, podendo ficar a um passo de tornar-se ridículo.
*Erving Goffman "A
representação do eu na vida de todos os dias” – uma obra essencial que eu
conservo religiosamente e recorro sempre que necessito compreender melhor o comportamento
humano em sociedade.
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
O novo paradigma do sofrimento mental
Michelangelo Merisi da Caravaggio Penitent Magdalene
"Com essa falta de tempo (da falta de tempo na
modernidade), você não tem uma construção complexa do espírito. Freud
falava muito dos sintomas, das construções patológicas. Hoje as patologias
ficaram simplórias e pobres de representação. O pânico, por exemplo. A pessoa
acha que está morrendo e não sabe falar disso, não tem discurso. As depressões
melancólicas são grandes vazios. A pessoa precisa ter repertório de sofrimento,
senão ela fica muda diante dos fatos, paralisada, dá branco. Um analista era
visto, no senso comum, como um interpretador. Agora tem de ser um construtor.
Somos construtores de sonhos. Com seu paciente, o analista passa a ser um
construtor de acervo onírico, construindo uma cultura pessoal. Essa é uma
mudança radical de paradigma de sofrimento mental."
Leopold Nosek, psicanalista,
um dos maiores especialistas em Freud
Esta é a resposta de Leopold
Nosek a Alice Granato, face à pergunta “ Que tipos de problema isso (a falta de
tempo na modernidade) pode gerar?”, em entrevista publicada recentemente na Revista Época.
Dou-lhe especial relevância,
porque refere-se no meu entender, a um novo fenómeno que se observa, com
frequência, no apoio psicológico: as narrativas pessoais dos sujeitos são
desprovidas de profundidade emocional. Pouco ou nada é problematizado, sentido.
É como se coisa nenhuma se passasse dentro do individuo, que tivesse significado para ele, nem parece padecer de um vazio que, mesmo angustiante, se declare comovente para quem ouve. Falta-lhe consciência do sentido de existência.
É como se coisa nenhuma se passasse dentro do individuo, que tivesse significado para ele, nem parece padecer de um vazio que, mesmo angustiante, se declare comovente para quem ouve. Falta-lhe consciência do sentido de existência.
A entrevista na íntegra com o título "As grandes infelicidades não aparecem nas redes sociais e as grandes felicidades também não.":
domingo, 29 de julho de 2018
Os firmemente ancoradas na realidade
William McGregor Paxton, 1909
“… pode-se afirmar que existem pessoas tão firmemente ancoradas na realidade objetivamente percebida que estão doentes no sentido oposto dada a sua perda de contato com o mundo subjetivo e a abordagem criativa dos fatos.”
Winnicott O brincar e a realidade
Estou a pensar naquelas
pessoas que embora pareçam saudáveis, estão doentes. Conhecemo-las. Traçam um
percurso de vida com base em pensamentos pouco profundos de que não se deve perder
tempo com pobres, fracos, gente que não tem nada para dar, e em torno do qual
organizam um mundo pequeno, preconceituoso e racista. O que lhes
permite viver a vida, julgam, sem serem invadidos pela dor e pela
perda, porque não suportam estar a sós com as suas angústias (Amaral
Dias).
São híper adaptados a um real que não transformam pela emoção.
E, educam os filhos nessa
disciplina mental, de saber escolher quem interessa e quem não interessa, de modo a serem e estarem entre os melhores.
segunda-feira, 16 de julho de 2018
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