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sexta-feira, 21 de julho de 2017

O mestre - escola

Todos nós conhecemos pessoas assim – pessoas que nos atacam com a sua superioridade, as suas proibições ou os seus decretos de mestre – escola. Arranjam maneira de nos fazer sentir pequenos, ou insignificantes ou estúpidos. Quando tropeçamos com um indivíduo assim, pode ser útil termos presente que o mais provável é que ele esteja afinal a tentar desembaraçar-se dos sentimentos que alimenta em relação a si próprio, transferindo-as sobre a nossa pessoa.”
Priscilla Roth Supereu Almedina

Poderá ser útil integrar esta perspectiva sobre os que não se aceitando como são, nem com o modo como lidaram com a vida, podem fazer qualquer coisa que alivie esse sentimento doloroso.
Neste exemplo, o mestre – escola ou aquele que se apresenta “mais papista que o papa” e sabe sempre o que o outro deveria fazer ou como deveria gerir a sua vida, desfazem-se da voz interior que os acusa de não corresponderem ao ideal que gostariam de ter alcançado (um severo sentimento de culpa), e ao fazerem o outro sentir-se pequeno, estúpido ou inferior, põem-se a salvo de críticas.
A vítima, se não estiver desperta para a estratégia, tende a evidenciar o sofrimento que o mestre – escola evita sentir.
É um sofrimento que deveria ser entendido como desnecessário.


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A crítica

Barbara Kuger Untitled (It, s a small world but not if you have to clean it) 1990

“Podemos afirmar que a crítica surge:

1 - Quando algo está abaixo do ideal que constitui a unidade de medida e a partir do qual é observado. Não existe intencionalidade de criticar; simplesmente olha-se o mundo a partir dos padrões de qualidade que se possui. É o caso do gourmet ou de qualquer especialista – arte, ciência, etc. - , quando se encontra com um objeto que pertence a seu campo; este é avaliado a partir de suas normas de qualidade, que são elevadas em relação com o resto das pessoas. Por sua vez, de acordo com as propriedades do mataideal, poder-se-á rejeitar intolerantemente ou não aquele que esteja abaixo do ideal, mas esse é anterior ao encontro com o objeto e independente dele.

2 - Quando se tem uma imagem preconcebida de alguém ou de algo que se considera imperfeito. É o caso do preconceito, crença básica que organiza a aproximação do objeto. Como explicamos em outra parte deste livro, são crenças gerais do tipo fazes mal as coisas, não és inteligente, és mau, etc., crenças a partir das quais termina-se por ver os atributos ou ações particulares do objeto. A crença preexiste ao juízo particular que deriva daquela. Não se trata de que o ideal seja desmesuradamente elevado como no caso acima, mas a representação do sujeito faz com que seja classificado abaixo daquele que se consideraria o padrão médio.

2 - Quando existe intencionalidade de agredir o outro ou a si mesmo. Nesse caso, não existe um ideal prévio elevado ou uma crença geral ligada especificamente ao aspeto que se considerará inadequado. O defeito ao qual a crítica dirigir-se-á será procurado, criado nas áreas mais diversas, contando que se diga algo que ofende. O ódio é o que origina e mantém a brecha entre o ideal e a representação do outro ou do sujeito, seja elevando aquele ou diminuindo os méritos dessas. A fonte mais frequente é a frustração narcisista.”

Hugo Bleichmar O Narcisismo Artes Médicas