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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Marguerite Duras sobre Lacan

A escritora Marguerite Duras sobre o psicanalista Lacan:

“Eu estava deslumbrada por ele. E aquela frase dele: Ela não deve saber que escreve porque escreve. Porque se perderia. E seria uma catástrofe. Essa frase tornou-se para mim, como uma espécie de identidade de princípio, de direito a dizer totalmente ignorado pelas mulheres."

In Escrever Editora Difel

sábado, 11 de janeiro de 2014

Provérbios populares tal como os sonhos




Pode-se comparar a estrutura dos provérbios populares à estrutura dos sonhos. Ambos têm um conteúdo manifesto e outro latente. Esta é o tema do artigo de Emílio Guerra Salgueiro publicado na Revista Portuguesa de Psicanalise, nº 3 *.
Nesta linha de pensamento, o autor defende que tanto os sonhos como os provérbios, contêm os processos de “condensação (cada palavra ou imagem expande-se numa série de outras); do deslocamento (as características de uma situação ou figura essencial, são passadas para outras, como uma finalidade de ocultação); da simbolização e da ausência de estruturação em termos claros de espaço e de tempo, isto é, que são verdades para qualquer tempo e qualquer espaço."
Há outra ligação que faz, que é a semelhança encontrada entre “o efeito produzido pelos bons provérbios e o produzido pelas boas interpretações no decurso de uma psicanálise.” E acrescenta: “penso que a boa interpretação não é explicativa, metonímica, mas sim siderativa metafórica”, que remata as associações do analisando e cria novas cadeias idealmente infindáveis.

Algumas das categorias apresentadas por Emílio Guerra Salgueiro: 

AMOR ADULTERO
  • Quem ama mulher casada a vida traz emprestada.
  • Mulher de cego, para quem se enfeita?
  • Quem em tudo sua mulher contenta, cornudo depressa se apresenta.

AMOR NARCÍSICO
  • Quem bem se não quer, a ninguém quer bem.

CASTRAÇÃO
  • Ainda que estejas de mal com a mulher, não é de bom conselho cortar o aparelho.
  • Aquilo que sabe bem, ou é pecado ou faz mal.
  • Tantas vezes vai o cão ao moinho, que alguma lá lhe fica o focinho.

CIÚME
  • O ciúme sentido, acorda o cão dormido.
  • Ciúmes mal fundados e mal pedidos, mais parecem buscados que temidos.

ÉDIPO/RIVALIDADE
  • Quem tem mulher formosa, castelo na fronteira e vinha no carreiro, nunca lhe falta canseira.
  • Bela mãe e bela filha, disputas na família.
  • Companhia de três é má rez.

 ÉDIPO VINGANÇA
  • A quem matares o pai não lhe cries o filho.
  • A quem mordeu a cobra guarde-se dela.

HOSTILIDADE
  • A quem vos fala por trás, o cú que lhe responda.
  • Quem tem cú tem medo. 
  • Mulher que sempre ri, homem que sempre chora e mancebo sempre cortez,, merda para os três.

MASCULINIDADE/FEMINILIDADE
  • Entre dez homens, nove são mulheres.
  • Homem com fala de mulher, nem o diabo o quer.
  • Quem não nasceu para galo, é capá-lo.
  • Ruim é o cavalo que quando passa por égua não relincha…

MULHER FONTE DE PERIGO/RAIZ DO PECADO
  • De burra que faz – im – e de mulher que sabe latim, livra-te tu e a mim.
  • Guarda-te do boi pela frente, do burro por detrás e da mulher por todos os lados.
  • A mulher e a loba no escolher.
  • A mula e a mulher com pau se quer.
  • Um homem de palha vale uma mulher de ouro.

PAIXÃO/ PERIGO
  • Perde-se o velho por não poder, e o novo por não saber.
  • Por fugir da sertã, caiu nas brasas.
  • Quem anda no mar, não faz do vento o que quer. 

  
*A relação amorosa vista através dos ditados populares. Estudo psicanalítico



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Miguel Nicolelis - A tênue linha da individualidade




Para ler as legendas em inglês, é necessário, após o inicio do vídeo, ativá-las do lado direito.

Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro, explica a maleabilidade do self com base em experiências europeias. Em poucos minutos, trocando os sentidos e vendo o mundo por meio dos olhos de outra pessoa (câmera), o cérebro humano é capaz de reconhecer outro corpo como sendo "eu". Com isso, conclui: até nossa possessão mais íntima, nossa individualidade corporal, o sentido de existir, é dinâmico. 
Conferencista do Fronteiras do Pensamento 2010 e 2011.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O que é próprio da feminilidade


 
“Mas, em primeiro lugar, notemos que o que é próprio da feminilidade é não poder ser reconhecida senão por um outro. Diante do espelho, uma mulher pode achar-se bela ou feia, jovem ou velha, mas nenhum cânon estético, nenhuma referência visível poderá garanti-la acerca do que é todavia o ponto focal da questão. A feminilidade é o que é atribuído pela confissão do homem, e é importante dizer-se que a investidura do seu estatuto de desejada não repousa para ela em qualquer referência de realidade objectiva. O que o homem deseja nela só ele pode dizer se ela o possui ou não.”
Pierra Aulagnier-Spairani* Observações sobre a feminilidade e os seus avatares
In Desejo e Perversão Moraes Editores
Uma prova  de que certos psicanalistas acompanharam a mentalidade da época, em que se acreditava que o homem tinha de certificar o valor da mulher. 
Mas as mulheres de todas as épocas no que diz respeito à imagem, embelezaram-se também para as outras. Nos tempos modernos, muito para si próprias e não dependentes da apreciação dos homens.
Como falar do olhar dos homens….Como falar do seu inigualável efeito?…

*     Psicanalista e Psiquiatra. Nasceu em 1923 – Faleceu 1990

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Autoanálise de Fernando Pessoa



Carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, datada Lisboa 13 Janeiro de 1935
Meu prezado camarada:
(…)
Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.
Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou mais propriamente, um histérico-neurasténico. Tendo para  esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de bulia, que a histeria propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos -  felizmente para mim e para os outros – mentalizaram-se em mim,; quer dizer, não se manifestaram na minha vida prática, exterior e de contato com os outros; fazem explosão para dentro e vivo-os a sós comigo. Se eu fosse mulher – na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas, cada poema de Álvaro de Campos (o mais histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem – e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia.
Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo.  Vou agora fazer-lhe a história directa dos meus heterónimos. Começo por aqueles que morreram, e de alguns dos quais já me não lembro – os que jazem perdidos no passado remoto da minha infância quase esquecida.
Desde criança que tive tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas cousas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço, como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.
(…)
Fernando Pessoa, Correspondência 1923 – 35
Ed Manuela P. da Silva, Lisboa Assírio e& Alvim 1999

sexta-feira, 3 de maio de 2013

“Filhos da mamã”

 
“Um problema é que tal chantagem materna dá importância ao pequeno, mas sem fundamento de uma força própria e autêntica. É isto mesmo que se transforma no fundamento do seu desprezo. Desprezará em segredo a mãe – e mais tarde qualquer mulher ou homem, ou seja, toda a humanidade – pela sobrevalorização, já que só sente vazio em si próprio. Para se salvar de tal vazio, terá, portanto de se refugiar na grandiosidade e de tomar seu o papel que a mãe lhe impôs. Mas neste papel do salvador vingar-se-á, em seguida, na vida em geral.
Volker Elis Pilgrim chama a estes homens “filhos da mamã”. Filhos como Hitler, Estaline e Napoleão tiveram um relacionamento especial com suas mães. Pilgrim pensa que este fato indica um profundo amor por essas mães. Quanto a mim, parto do princípio que esse amor aparente foi uma reação de negação a um ódio fundamental que eles sentiram perante as mães exploradoras.”
Arno Gruen Falsos Deuses Paz Editora

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Freud e os regionalismos

“…sempre se poderá ligar amorosamente entre si o maior número de homens, com a condição de que sobrem outros nos quais descarregar as pancadas. Em determinada ocasião ocupei-me do fenómeno de que as comunidades vizinhas, e ainda aparentadas são precisamente as que mais lutam e desdenham entre si, como por exemplo, os espanhóis e os portugueses, os alemães do Norte e do Sul, os ingleses e os escoceses, etc. Denominei este fenómeno narcisismo das pequenas diferenças…”

 
Sigmund Freud Psicologia de las massas y analisis del you Obras complexas Bueno Aires: Rued 1953

O modo como o homem lida com as suas tendências agressivas, naturais, que podem ser bem geridas, ou seja, sublimadas em comportamentos de competição e outros, saudáveis, ou então com o recurso a manifestações de violência, manifesta ou oculta.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Freud e os escritores

“…os escritores criativos são aliados valiosos, e o que eles nos trazem deve ser altamente valorizado,  pois eles são capazes de conhecer uma imensidão de coisas entre o céu e a terra, sobre as quais a nossa filosofia ainda não nos deixou sonhar. No seu conhecimento de espirito estão bem à nossa frente, homens vulgares que somos, pois vão beber a fontes que ainda não abrimos para a ciência.”
 
Freud Delírios e Sonhos (1907)
 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Pais ideais

“Pais ideais – novamente eu diria de preferência: pais que falharam de um modo ideal – são pessoas que, apesar da sua estimulação pela geração nascente e da competição com esta, também estão em contato suficiente com o pulsar da vida, aceitam-se o suficiente como participantes transitórios no fluxo contínuo da vida, para serem capazes de experimentar o crescimento da geração seguinte com uma alegria não defensiva não forçada". Heinz Kohut A estruturação do self  

Heinz Kohut (3 de maio 1913 - 8 outubro 1981)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O desamor de Albert Einstein



Abuso de poder ou perversão?

“Um exemplo de abuso de poder direto é-nos dado por Einstein* que, fatigado pela presença da sua primeira mulher Milena Maric, mãe dos seus dois filhos, e não desejando tomar a iniciativa de uma rutura, estabelece por escrito condições draconianas e humilhantes para o prosseguimento de uma vida em comum (Le Monde, 18 de Novembro de 1996):

A. Você velará por que:
  1. A minha roupa de uso e os meus lenções sejam mantidos em ordem;
  2. Me sejam servidas três refeições diárias no meu escritório;
  3. O meu quarto e no meu escritório estejam sempre bem mantidos e que na minha mesa de trabalho mais ninguém mexa além de mim;
B. Você renunciará a toda a relação pessoal comigo, exceto no que for necessário para manter a aparência social.  Em particular você não reclamará:
  1. Que eu me sente consigo em casa;
  2. Que eu saia em viajem em sua companhia;
C. Você prometerá explicitamente observar os pontos seguintes:
  1. Não esperará de mim qualquer afeição; e não me censurará por isso;
  2. Responder-me-á imediatamente sempre que eu lhe dirija a palavra;
  3. Saíra do meu quarto ou do meu escritório imediatamente sem protestar sempre que eu lhe peça;
  4. Prometerá que não me denegrirá aos olhos dos meus filhos, nem por palavras, nem por atos.
Aqui, o abuso de poder é claro, ele é mesmo escrito. Num perverso, a denominação é dissimulada e até negada. A submissão do outro não basta, há que apropriar-se da sua substancia."

Marie-France Hirigoyen Assédio, Coação e Violência no Quotidiano Pergaminho

 * Físico, o autor da Teoria da relatividade

 

domingo, 11 de novembro de 2012

Eva

Rosário Andrade Adão e Eva

"Ora, os filósofos dignos desse nome, os que querem saber, conhecer e que sabem que obedecer e anuir são impulsos discutíveis, têm de homenagear Eva pela sua decisão: apesar da interdição, ela decide utilizar a liberdade para que a submissão recue e a inteligência avance. O texto do Génesis deixa de fato bem claras as acusações dirigidas à primeira mulher: ela prova o fruto da árvore do conhecimento – apetecíveis para obter a inteligência, dizem os versos – que permitem distinguir o Bem do Mal. De certa maneira, Eva desafia Deus, luta contra ele, quer rivalizar com ele no que diz respeito ao conhecimento. Ela desobedece a quem dá ordens, a quem manda, proíbe e confina os homens à submissão intelectual e à fé. Optando pelo conhecimento, apesar do preço e das consequências, Eva inventa a filosofia. Um pecado mortal para os vendedores da obediência.
O seguimento, todos o sabemos desde a infância: fim das maravilhas paradisíacas, condenação eterna, aparecimento de todo o que é  negativo, pudor da nudez, sofrimento no trabalho, parto com dor e inevitabilidade da  morte para o corpo. Fim do primeiro ato que se anuncia excelente para o homem e para a mulher, desde que renunciem à inteligência, à cultura e à sabedoria e se contentassem em obedecer à Lei."
Michel Onfray* Teoria do corpo amoroso Temas e debates
* Filósofo

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Freud e a criança mimada


 
"O excesso de afeto dos pais é prejudicial por trazer maturidade sexual precoce e porque mimar a criança torna-a, posteriormente, incapaz de ficar sem amor, ou de se contentar com uma quantidade menor de amor. “ Sigmund Freud
in  John Bowlby Apego e Perda Vol 2 Martins Fontes
Puro engano! O contrário é que é verdadeiro, mas a afirmação justifica-se pelos primórdios da investigação e pela cultura da época.
Duvido que seja possível existir excesso de afeto. Mimos nunca são demais a não ser que sejam inconvenientes, e deixam por isso de ser mimos. Neste caso, passam a ser a necessidade e o desejo de quem os dá, que não leva em conta quem recebe e as suas necessidades.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Freud sobre os remédios sedativos

Tão atual que nos questionamos sobre se de fato evoluímos. Mas a verdade é que sim, em particular aqueles que conservam a sua sensibilidade e independência:

“A vida tal como ela nos é imposta é demasiado dura para nós; traz-nos demasiados sofrimentos, deceções, tarefas irresolúveis. Para aguentar, não podemos prescindir de remédios sedativos. Existem três destes remédios: potentes diversões que nos permitem não valorizar a nossa miséria, satisfações substitutivas que a diminuem e estupefacientes que nos tornam insensíveis a ela”
Sigmund Freud O Mal-estar na Civilizaçãoaqui )

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A última palavra dos Lusíadas

Dsconhecia até há bem pouco tempo que a última palavra dos Lusíadas é inveja.
Confesso que lembrei-me hoje, a propósito das críticas injustas e inoportunas, à nossa seleção de futebol:

“...
Da sorte que Alexandro em vós se veja
Sem à dita de Aquiles ter enveja.” (Canto X )
Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Freud e as mulheres



“Nesta descrição da vida amorosa todo o parti pris de rebaixar a mulher me é estranho....Mais, estou a ponto de admitir que existe uma quantidade de mulheres que amam segundo o tipo masculino e desenvolvem igualmente uma sobrevalorização sexual própria deste tipo.” (Freud, 1914)
"Freud assume uma atitude de fascínio pela mulher, atribuindo-lhe um estatuto de grande desproteção e fragilidade, em que ele responsabiliza a sociedade da época, considerando que o tipo de relação de objeto, narcísico, pelo qual a mulher opta corresponde a uma compensação dessa falta. Considera no entanto que algumas podem optar pela escolha de objeto masculina. Nestas posições, Freud não considera a mulher na sua originalidade e diferença, sendo definida sempre em comparação com o masculino."
Teresa Flores Narcisismo e Feminilidade Climepsi.

sábado, 17 de março de 2012

Crianças difíceis


de Jonathan Mak (aqui)

“…se a criança não experimenta dose suficiente de felicidade nos seus primeiros anos, sua capacidade de desenvolver uma atitude de esperança, bem como de amor e confiança nas demais pessoas, há- de ver-se perturbada. Não se infere daí, contudo, que a capacidade de amor e felicidade que se desenvolve na criança, esteja em proporção direta com a quantidade de amor que lhe é concedida. Existem realmente crianças que em suas mentes inconscientes criam figuras parentais excessivamente rígidas e intolerantes – as quais perturbam o relacionamento com os verdadeiros pais e com as pessoas em geral – muito embora os pais se tenham mostrado bondosos e amorosos para com elas.” Melanie Klein (1937)
Melanie Klein e Joan Riviere Amor, Ódio e Reparação Imago Editora

Eu também diria que nas nossas mentes (e práticas diárias), reside como que uma fórmula para a capacidade de amar - só sabe amar quem foi amado. Mas Melanie Klein, pioneira na psicanalise infantil, encontrou esta inesperada exceção. A sabedoria popular sempre falou dela.
Possivelmente a evolução destas crianças (habitualmente identificadas por crianças difíceis), dependerá de um amor longamente expresso e nunca abandonado, a que o povo chama de paciência.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dependentes do amor


Jean Arp Head and Shell

“De todos os tipos o mais importante representam-no os “love addicts”, “adictos do amor” – pessoas para as quais a afeição ou a confirmação que recebem dos objetos externos desempenha o mesmo papel que o alimento no caso dos adictos da comida. Não conseguem retribuir amor, mas têm necessidade absoluta de um objeto pelo qual se sintam amados, apenas, porém como instrumento com que obter gratificação oral condensada. Estes “adictos do amor” constituem percentagem elevada das pessoas “hipersexuais” que já descrevemos, candidatos frequentes a distúrbios maníacos – depressivos posteriores”.
Otto Fenichel Teoria Psicanalítica das Neuroses Ed. Atheneu

Otto Fenichel era psicanalista. Nasceu a 2 dezembro 1897, em Viena, e faleceu em 22 de janeiro de 1946, em Los Angeles

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


Freud, Sigmund 1937; Localização: Áustria, Viena, Grinzing

"Todo o mundo tende a reagir à psicanálise como a uma ferida narcísica porque ele desmente nossa convicção de que temos total controlo sobre nossa mente."
Freud 1917



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Invejas partilhadas

"A inveja do homem pela mulher não é menos comum que a da mulher pelo homem, nem menos profunda. Mas ela é muito menos reconhecida e compreendida; e acredito que isso se deva não simplesmente ao preconceito masculino sobre esse delicado ponto, mas à natureza das coisas. No que concerne à inveja que o meninozinho sente pelos seios e pelo leite da sua mãe, ele mesmo é dotado de um órgão especial para enfrentá-los, o pénis. Ora suas irmãzinhas não possuem pénis ou seios, de forma que a sua satisfação e superioridade em possuir um pénis podem ser utilizadas para esconder e contrabalançar seu desejo de um corpo capaz de gerar e alimentar bebés. Durante toda a sua vida os homens continuam a utilizar-se dessa compensação contra a sua inveja das mulheres, e nessa compensação é encontrado um elemento de enorme significado psicológico do pénis. A principal razão porque a inveja dos homens em relação às mulheres permanece tão oculta é que ela diz respeito precisamente ao interior dos corpos femininos, às misteriosas funções e processos que se desenrolam, por assim dizer, magicamente, dentro das mulheres (suas mães), ao gerar bébés e produzir leite. É patente também que, da mesma forma que as mulheres invejam a iniciativa masculina, em contraposição os homens invejam a capacidade das mulheres em experiencias passivas, particularmente a capacidade de suportar e sofrer. O sofrimento atenua a culpa; em particular, a dor que traz a vida ao mundo é duplamente invejável, de maneira inconsciente, aos olhos dos homens." Joan Riviére

In Melaine Kleine e Joan Riviére Amor, Ódio e Reparação Imago Editora

Em texto foi publicado em 1937.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

o artista tem a habilidade e coragem

“…o artista tem a habilidade e coragem de estar em contacto com os processos primitivos aos quais o neurótico não tolera chegar, e que as pessoas sadias podem deixar passar para seu próprio empobrecimento.”
D. Winnicott (pediatra e psicanalista inglês – Nasceu a 7 de Abril de 1896; Faleceu a 28 de Janeiro de 1971)