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terça-feira, 12 de março de 2019

Drauzio Varella: "O único lugar onde as mulheres têm liberdade sexual é na cadeia”




Artigo de Margarida David Cardoso que saíu no Jornal Público a 11 de março de 2019 com o título Drauzio Varella: "O único lugar onde as mulheres têm liberdade sexual é na cadeia”

“O oncologista brasileiro veio a Lisboa falar da sua experiência de voluntariado em duas penitenciárias do estado de São Paulo. Na feminina, vê os instintos de sobrevivência de mulheres subverterem as hierarquias, o abandono por parte das famílias e uma clara desatenção com a saúde mental.
Quando Drauzio Varella entrou na Penitenciária Feminina da Capital, no estado brasileiro de São Paulo, há 13 anos, teve que esquecer quase tudo o que aprendera em 17 numa prisão masculina. Viu, em profundo contraste com o que se passa com os homens que conheceu em reclusão, o abandono das mulheres por parte das suas famílias, a violência do afastamento dos filhos, a subversão das hierarquias. E uma liberdade sexual que para o médico era completamente nova. “Estou absolutamente convencido de que o único lugar onde as mulheres têm liberdade sexual é na cadeia. Não tem outro lugar assim.”

O oncologista e imunologista, escritor e comunicador de ciência, “talvez o médico mais conhecido da América Latina”, como o apresentou o neuropediatra Nuno Lobo Antunes, esteve na sexta-feira no Seminário de Perturbações do Desenvolvimento no Feminino, em Lisboa, organizado pelo PIN – Progresso Infantil.

Falou das experiências na prisão feminina onde dá consultas, voluntárias, uma vez por semana, desde 2006, e sobre as quais escreveu o livro Prisioneiras (2017, Companhia das Letras), que encerra a sua trilogia sobre prisões, depois de Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2012).
Ao todo, a Penitenciária Feminina da Capital tem 2200 reclusas. “Não tendo o homem que toda a vida a oprimiu e lhe impôs regras, na cadeia a mulher pode ter um comportamento sexual completamente livre. Pode ter relação com homem, com mulher, cortar o cabelo, fazer o que ela bem entender. Ninguém critica”, afirma, em conversa com o PÚBLICO.

A porta para a discriminação e violência de género está fechada, acredita, uma vez que a maioria tem comportamentos homossexuais. São independentes da orientação sexual que algumas mulheres assumiam antes do cárcere. “A homossexualidade é muito mais abrangente, também mais subtil do que nas prisões masculinas.” E o que é para si “mais interessante é que as relações são consensuais”. Não há relação violenta, nem abuso, nem crítica


“Sem amarras machistas, vê-se a mais profunda e complexa expressão da sexualidade feminina.” Diferentes identidades e expressões de género encontram um espaço de respeito. Dinâmicas que Varella demorou a compreender. E, embora desconhecendo a origem, percebeu que a população prisional sentira necessidade de lhes dar nome: “sapatão”, apesar depreciativo em contexto de rua, é “usado com o maior respeito” na prisão, para quem assume uma expressão de género masculina, conta. A maioria identifica-se como homens trans. “São cerca de 10 a 15% da população presa. Têm o cabelo bem curtinho, com as riscas que jogador de futebol brasileiro faz, com um jeito de andar tipicamente masculino, usam um top bem apertado para esconder os seios e não se depilam.” Depois há as entendidas, as mulheres homossexuais de expressão de género feminina. As “'activas’ estabelecem as regras na relação de poder, as ‘passivas’ têm o papel complementar e as ‘relativas’ têm namorada na cadeia e recebem visitas íntimas de um companheiro homem”.
Não é a prisão que cria estas dinâmicas. “A cadeia mobiliza o repertório pessoal. Essas coisas fazem parte da sexualidade feminina”, observa. “Sou formado há cinquenta anos. Vivi rodeado de mulheres. A irmã mais velha foi uma espécie de mãe, tenho duas filhas, uma enteada, quatro netas, e toda a vida acompanhei mulheres com cancro de mama. Na cadeia entendi que eu conhecia nem 10% da variabilidade que a sexualidade feminina pode ter.”“O amor do homem acaba na porta da cadeia”
  
No primeiro dia, deu com uma diferença clara entre a cadeia masculina e a feminina. Conheceu a reclusa que liderava o pavilhão e lhe falou da exaustão que sentia por não conseguir apartar tantos desentendimentos. “Numa cadeia de homens jamais aconteceria. 

Os homens são muito ciosos da hierarquia. As mulheres, por uma necessidade de sobrevivência que vem da infância, estão acostumadas a subvertê-la.”

É a sua experiência anterior no Carandiru que lhe permite ter termo de comparação. Entrou em 1989 para estudar a prevalência e os primeiros casos de VIH na população reclusa e só saiu com o encerramento do presídio em 2002. A oficialmente designada Casa de Detenção de São Paulo, chegou a ser a maior penitenciária da América Latina, cicatrizada pelo massacre de 111 reclusos em 1992 após intervenção da Polícia Militar, na sequência de um motim. Em reacção, nasceu a rede de crime organizado do PCC - Primeiro Comando da Capital, que controla os presídios de São Paulo. O médico habituara-se a uma obediência cega ao seu sistema de leis paralelo ao direito civil, que ninguém escreveu mas todos respeitam. O líder aparece na galeria e a briga termina. Não há zonas cinzentas entre o certo e o errado. Os crimes são julgados, os mais graves punidos com a pena de morte. Só punição severa, argumenta Varella, frena instintos violentos, contém a barbárie no país que tem a terceira maior população encarcerada do mundo e um problema de sobrelotação crónico. Não há argumento para desafiar a ordem interna.
Entre as mulheres, instintos de aversão à submissão dão às relações hierárquicas uma complexidade incomparável. A emoção vale tanto como a razão.

Abandono e transtornos psiquiátricos
O contacto com reclusos, ao longo de 30 anos, colocou Drauzio Varella a olhar para a inevitabilidade de alguns percursos de vida. Especialmente entre as mulheres negras, da periferia, presas por tráfico de droga. “São as mulheres que sofrem a maior violência da sociedade. Ainda meninas têm que se virar sozinhas do jeito que der. Têm o primeiro filho aos 14 anos, deixam de estudar, aos 19 já vem o terceiro. Como as tias, as mães, vão criar os filhos sozinhas. Na periferia não há homem nas casas. O que faz uma mulher destas? Como sustenta os filhos? É lógico que vendendo droga. É o mais fácil, está ali perto de casa. Claro que depois há um dinheiro e quer comprar um sapato melhor, umas calças de marca, como todos nós.”
Esse papel nuclear na família desfaz-se quando a mulher é presa. As diferenças nas relações familiares em comparação com os homens foram as mais traumáticas que o médico encontrou. Viu mulheres formarem impressionantes filas à porta da prisão masculina nos domingos de visita. Algumas a armar pequenas barradas e chegar de véspera para passarem mais tempo com filhos, netos, namorados, maridos. “Conheci homens que estiveram uma vida presos - 30 anos é a pena máxima - e todos os domingos receberam visitas. Já a mulher que cumpre pena, é abandonada. Ninguém vai ver. O amor do homem acaba na porta da cadeia.” Das 2200 mulheres da Penitenciária Feminina da Capital, menos de 800 são visitadas. Cerca de 80 recebem visitas íntimas.
Varella conta no livro a história de uma mãe que viajava várias horas para ver o filho numa cadeia no interior do Estado e não apanhava o metro para visitar filha encarcerada na prisão central de São Paulo. “A sociedade é capaz de encarar com alguma complacência a prisão de um parente homem, mas a da mulher envergonha a família inteira”, escreveu.
Deixar os filhos é, também por isso, um martírio para muitas mães. Temem que as crianças sofram às mãos de familiares, que encarreirem o mesmo caminho do crime. “O homem quando está preso sabe que tem uma mulher cuidando dos filhos. A mulher acha que ninguém vai cuidar dos filhos como ela seria capaz.” Quando nascem na prisão ou antes da condenação, os bebés ficam com elas até por volta dos seis meses - tempo mínimo por lei, que tem sido aplicado como máximo. “Muitas mães chegam à consulta e pedem hormona para parar de lactar, porque é um sofrimento muito violento.”

Esta fonte de ansiedade e tristeza é muitas vezes o gatilho que dispara um transtorno psiquiátrico, como a depressão, ou os ataques de pânico. Ambos são mais frequentes entre as mulheres presas mas “não lhes é dada atenção nenhuma”, diz Drauzio Varella.“De vez em quando uma menina se suicida na cadeira, a população se mexe mas esquece rapidamente. Provavelmente existem ali pessoas com perturbações do desenvolvimento [como as patologias do espectro do autismo] muito graves que passam despercebidos na massa carcerária, porque o atendimento médico é muito precário.” A prisão da Capital tem um psiquiatra para 2200 mulheres. Os cuidados médicos circunscrevem-se, em geral, aos ferimentos e patologias visíveis, imediatas e essencialmente físicas. “Os médicos não gostam de trabalhar em cadeia. No Carandiru, nos dias em que eu ia, os colegas faltavam.”

Imagem: https://telepadi.folha.uol.com.br


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Entrevista do Expresso a Coimbra de Matos

Expresso – Revista E (18-02-2017)
Texto: Carolina Reis; Fotografia Marcos Borga
Ler na íntegra, AQUI
António Coimbra de Matos, 87 anos, médico psiquiatra e psicanalista português.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A mais eficaz defesa contra a depressão

Leonardo da Vinci Estudos para a cabeça de dois soldados

“A melhor e mais eficaz defesa contra a depressão é a paranoia: a defesa à fase anterior da relação de objeto.”…”(Matos 1981)

Esta agressividade dirigida para fora é a melhor e mais eficaz defesa contra a recusa a entristecer e se colocar em questão, que poderia levar à autodestruição.
Vive-se, como se não se conseguisse identificar o ressentimento e a raiva, insuportáveis, mas que criam um estado de tensão que atravessa tudo, a exigir descarga de emergência, projetada nos outros, como se eles fossem a causa do seu sofrimento.
Não se tenta perceber porquê, podem pensar o que quiserem, os outros são o inimigo, os exploradores, aqueles de quem se deve suspeitar e com quem se tem de reagir, intensa e persistentemente. A angústia acalma assim que é encontrado o outro/objecto que atemoriza.
A maior esperança é que  “…(os outros) se corresponsabilizem pelos seus impulsos e não se limitem a criticá-los por causa deles” (Domingos Neto).
O único conhecimento que se tem de si próprio é o que advém desse controle e sobre o qual se ergue o culto do eu.

sábado, 16 de maio de 2015

Judith Beck fala sobre Terapia Cognitiva



Judith S. Beck é uma psicóloga americana conhecida por seu trabalho em terapia cognitiva. Seu pai é Aaron Beck, o fundador da terapia cognitiva, com quem ela trabalhou em seu desenvolvimento e aplicações clínicas

Um artigo que pode ajudar a compreender a terapia cognitiva "If You Want to Manage Your Pain, Manage Your Thoughts" de Andrea Rici, em: http://www.goodtherapy.org/blog

Módulos de Terapia Cognitiva 
http://comportese.com/2010/11/modulos-de-terapia-cognitiva-para-download/

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Saudade e Nostalgia

“Saudade não é o mesmo que nostalgia. Na nostalgia vivem-se emoções de perda, tristeza, falta de ânimo, depressão. Vive-se no passado ligado ao que “já era” e lamentando o “já foi” e não pode voltar. Mas também temos a saudade, considerada como aquilo que a nossa cultura nos indica e oferece para alquimizar a nostalgia e transformar o passado, e o que já vai em recordações vivas, com um potencial dinamizador e de alegria: a alegria de um passado bem vivido que nos acrescentou riqueza ao património da cultura  das nossas vivências pessoais (“esta já ninguém me tira” diz-se quando se acabou de viver algo bom).”

Isabel Abecassis Empis* Bem-aventurados os que ousam Oficina do livro 
* Psicanalista 

quinta-feira, 29 de março de 2012

Somos feitos da matéria dos sonhos


Thomas Hart Benton The Engineers Dream

“Somos feitos da matéria dos sonhos” dizia William Shakespeare.
Parece-me ser uma ideia feita na cabeça de muita gente que os pobres, digamos assim, ou as pessoas que se encontram recentemente em situação económica difícil, só estão preocupadas com as questões ligadas às suas necessidades básicas de sobrevivência, e por tal, não têm aspirações de ordem superior, como seja a busca de um sentido para a sua existência.
É um preconceito de uma certa classe de privilegiados que pretendem com isso justificar a sua supremacia. Ou então, culpabilizam-se por, apesar de possuírem bens, sentirem desalento ou vazio.
A este propósito Martin Seligman, “o pai” da Psicologia Positiva, aquando do seu envolvimento em projetos governamentais em Africa, refere numa entrevista: “Se pensa que os Tutsi Ruandeses, estão só preocupados em cicatrizar as feridas dos massacres, tem uma caricatura da violência étnica. Os Tutsi estavam e estão, enormemente preocupados com a justiça, a igualdade, a dignidade e a coragem.” Pelos longos anos de experiência em saúde mental, acrescenta “Se pensa que as pessoas gravemente deprimidas só se preocupam por aliviar o seu sofrimento, então não conhece a depressão. As pessoas deprimidas preocupam-se muito em não ser um peso para os outros, pela sua integridade pessoal, pela justiça política, e em encontrar um sentido”.
Todos nós somos seres espirituais.






terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A fórmula da felicidade?

A pergunta para 2010 que o site Edge colocou a mais de uma centena de cientistas e outros pensadores foi:
Qual será o conceito científico que, se toda a gente o dominasse, poderia representar um salto imenso na capacidade que as pessoas têm de perceber e participar activamente nos assuntos do mundo?

A resposta que  Martin Seligman, fundador da Psicologia Positiva deu, foi:  PERMA.
Apresenta-se como se fosse “a fórmula” a ser criada, se queremos conquistar bem-estar para as nossas vidas. Assim sendo, PERMA é constituída pelos seguintes elementos:

P Positive Emotion (emoções positivas)
E Engagement (envolvimento)
R Positive Relationships (relações positivas)
M Meaning and Purpose (sentido de vida ou propósito)
A Accomplishment (realização)

Para aceder à resposta de Martin Seligman ao site Edge, clique aqui

Um encontro de mentes - ENCONTRO entre Martin Seligman e Aaron Beck aqui

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Not aggressive enough

Barbara Kruger, Not cruel enough

“…quanto mais agressivo, menos deprimido”.
 
Coimbra de Matos O Desespero Climepsi Editores

Por desconhecimento ou por desatenção, nem sempre damos conta que o nosso comportamento cumpre uma função, resulte ou não de emoções que não controlamos ou de atitudes conscientes.
Isto poderá explicar as dificuldades que temos em mudarmos as atitudes.
Nestes contextos, faz sentido pensarmos na função que pode ter a agressividade.
Sendo o comportamento agressivo a projecção dos conflitos consigo próprio no exterior ou no outro devido às dificuldades em tolerar a frustração, pode ter a função de luta contra a depressão. Neste caso, o agir permite manter o conflito fora da consciência, evitando deste modo que o indíviduo deprima.

sábado, 9 de outubro de 2010

Defesas contra a esperança

Para o Dia Mundial da Saúde Mental (10 de Out), um alerta:

Somos muitas das vezes os inimigos de nós próprios. Somos fruto do amor que os pais nos dedicaram. A não termos uma reserva suficiente desse amor, e ao não conseguirmos adquirir confiança nos outros, montamos defesas contra a capacidade de ter experiências boas ou de esperança.
Essas defesas podem estar, em não conseguirmos ter amor ou amizade, por quem nos decepcionamos, ou no prazer sádico de fazer sofrer.

Deixo-vos um enxerto de Coimbra de Matos em “A Depressão”:
“O trágico é que o indivíduo que não foi amado não aprendeu a amar. E não sabendo amar dificilmente poderá vir a ser amado. A sua sede de amor é muito grande, mas o seu ódio à relação amorosa ou a sua descrença no amor levam-no a estragá-la ou nunca a conquistar – pela relação ambivalente* e depressivante ou pela relação perversa e deteriorante, às quais adere.

O trágico está também no facto deste ódio, que tem as suas origens na infância, não se basear numa avaliação realista dos relacionamentos,  devido por exemplo, às expectativas irrealistas sobre os mesmos, por não se ter consciência da sua origem, ou por dificuldade em reconhecê-lo, tal como em Narciso.
A cura está no sentir-se capaz de merecer e atrair o amor de outrem.” (Coimbra de Matos, A Depressão).

*Ambivalência significa amar e odiar a mesma pessoa, mas não é amor, porque este deve situar-se para além desta necessidade em conservar e destruir o vínculo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A memória na Depressão

"São pessoas (os deprimidos) que nunca estão total ou verdadeiramente no acontecimento. Aquilo que está acontecendo à sua volta, e mesmo consigo, lembra-lhes constantemente o que perderam, fazendo-os recolher para fantasias nostálgicas e recuar para projectos ultrapassados”.
Coimbra de Matos O Desespero Climpsi Editores

O viver e saborear o momento presente, fica assim comprometido, como se estivessem presas ao passado. 
As mais recentes investigações sobre a memória das pessoas deprimidas são apresentadas por Philippe Fossati, no artigo La dépression nous rend spectateurs de nos souvenirs, na publicação Les Dossiers de La Recherche n°40 - Août 2010, Le cerveau (aqui).

Síntese de Philippe Fossati, sobre a memória na depressão:
- As pessoas deprimidas descartam as memórias dos acontecimentos positivos.
- Ao viver episódios depressivos recorrentes, aumentam os seus problemas de memória.
- As perturbações da memória estão associadas com a alteração do tamanho e actividade de determinadas áreas do cérebro (que estão identificadas).
- As recordações das experiências de vida – memória autobiográfica, que é fundamental para o sentido de identidade pessoal - contêm poucos detalhes específicos.

Sendo a memória tão importante para cada um de nós, as suas perturbações contribuem para o risco de suicídio.Com um tratamento eficaz, as alterações a nível cerebral, desaparecem.

Philippe Fossati é professor na Universidade de Paris VI e realiza prática hospitalar em serviço de psiquiatria de adultos.

Sobre a depressão os sites:
 A depressão dóí

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Provocar a depressão

Na verdade, uma das coisas mais fáceis é provocar a depressão noutra pessoa. Basta dizer ao outro, algo que provoque hostilidade e, depois, impedir qualquer saída para a descarga da agressão dele.”

Jane G. Goldberg O lado escuro do amor Pergaminho

Temos direito a comunicar os sentimentos negativos. Mas, quando o outro não o permite,  através de várias maneiras possíveis, desde o comportamento autoritário, indiferença  ou disfarçada cinicamente, de preocupação, os sentimentos negativos acumulam-se. O indivíduo ( ou a criança) deprime.
Pode acontecer também, que sejamos o nosso próprio inimigo – ao escondermos do outro, as nossas emoções negativas, por medo (de rejeição...) – estas ficam acumuladas, provocando o risco de depressão.

foto: cristina simões

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O luto



A lógica do luto: “A pessoa luta com o caos interior”*

“No luto, o importante é regressar o mais cedo possível, às rotinas habituais “ (dizem alguns)
Não. “O mais importante no luto é tolerar a desorganização e poder levar a cabo a reorganização…”*

O que implica, ouvir com paciência a pessoa que sofre a perda de um ente querido, assim como estar atento ao modo como  está a vivenciar essa perda. Será util  ajudá-la nas pequenas/grandes tarefas diárias, porque às vezes falta energia para as realizar.
Não tentar, também, reprimir a dor do outro, ou desvalorizá-la, com expressões do tipo ” a vida tem de continuar”, porque ele, nesses momentos, não tem nada mais nada para partilhar, já que a dor pode ter sido evasiva e ter tomado conta de tudo. Ao não se sentir compreendido, pode julgar que nada mais resta. Se quem ouve não o consegue suportar, poderá também significar que sofreu perdas passadas (pessoas, sonhos…), que estão mal resolvidas.

*Citações retiradas do livro Culpa e Depressão, León Grinberg, Climepsi editores. um agradecimento a Ana Lopes por disponibilizar a obra.

Foto: cristina simões

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A depressão


Perante o mistério insondável da vida, que consigamos aceitar a diferença entre as nossas capacidades e fraquezas, e o ideal sonhado mas não atingido, sem sentirmos amargura por isso.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sofrimento psicológico


lógica do sofrimento psicológico: a ausência de sentido e a consciência dessa dor.


“Como Nietzsche tão bem compreendeu, nós sofremos mais com a falta de sentido do sofrimento do que com próprio sofrimento
L Défaite de la volonté - Jacques Arénes e Nathalie Sarhou-Lajus

(Rodin - andromeda)