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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Falsos Deuses - cuidado com a nossa bondade


Peter Blake, from Illustrations to Through the Looking-Glass
and to show you I'm not proud, you may shake hands with me 1970

Não precisamos de falsas autoridades, pessoas ou ideologias que possam confirmar o nosso valor e que reduzam a nossa dignidade, sob uma imagem de respeito ou preocupação, mas que escondem a sua negatividade ou o seu ódio. O que não faz de nós poderosos. Faz de nós responsáveis pela nossa própria vida. Só precisamos do amor nas suas variadas formas. 

De um autor preferido, para reflectirmos que sentido faz atribuirmos poder a certas pessoas ou entidades:

“Nós que ainda estamos ancorados na compaixão temos de aprender a ser consequentes. Não no sentido de poderosos, mas no sentido de deixarmos de querer seja o que for daqueles que nada têm para dar. É a calamidade interior, a necessidade inadmitida de nos fazermos amar pelo inimigo, que impossibilita lidarmos de forma consequente com o Mal. Quando os adeptos deste reclamam a nossa comiseração, não temos de mostrar-lhes que os amamos. O que está por detrás de tal altitude é o desejo deles nos amarem, e esse torna-se a nossa desgraça por queremos algo deles. É este o ensinamento mais duro, porque sempre estamos dispostos a acreditar que toda a gente é capaz de sentir o amor.
Mas na realidade há gente que está separada de si a tal ponto que o nosso desejo de grandeza se nos torna fatal. Não lhes entregarmos o poder, privamo-los do amor por não o esperarmos deles, é o antídoto com que podemos vencê-los. Quando eles deixarem de poder jogar com as nossas expectativas, terão perdido o seu poder sobre nós e nós podemos dedicar-nos à construção do mundo, em vez de passarmos o tempo a consertar o rasto de destruição que eles vão deixando atrás de si.”
Arno Gruen Falsos Deuses Editora Paz

O psicanalista Arno Gruen nasceu em Berlin em 1923. Faleceu em Outubro de 2015. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A Falha


Café Filosófico: Aposta Na Coragem O filósofo  Oswaldo Giacóia Jr


Algumas das suas palavras, ao minuto 25 e 32 segundos, acerca do que eu chamo A FALHA (fraqueza estrutural)  nas palavras do filósofo: 


“…Quanto mais forte você é, mais corajoso e generoso você pode ser. A marca registada da fraqueza é justamente a impossibilidade de se doar.
Toda a avidez compulsiva e auto concentrada é sintoma de uma fraqueza estrutural. Ou seja, você em última instância deseja obsessivamente tudo para si, porque você é muito fraco. Quem é forte, quem tem uma riqueza de sentimentos de poder, pode doar-se. Quem é fraco, não. Justamente por isso, é desse sentimento de poder que nasce uma atitude de despreendimento e não uma atitude de cristalização, condensação, fechamento na perspetiva do próprio umbigo. Portanto, nos seus pequenos medos.”Oswaldo Giacóia Jr

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Desinibição tóxica e desinibição benigna online


Michael Sowa

Parte inicial do artigo de João Pedro Pereira, com o título Na Internet, a conversa é outra, que saiu no Publico de 25.8.13:
"De ameaças de morte feitas por anónimos a deslizes de políticos habituados a comunicar em público: online, somos mais desinibidos e rudes.
Este mês, uma rapariga britânica de 15 anos suicidou-se, na sequência, segundo o pai, de mensagens publicadas na sua conta do site Ask.fm. A plataforma é usada sobretudo por adolescentes e permite fazer perguntas e deixar respostas anonimamente. Uma das mensagens dizia: "Morre, toda a gente ficará feliz."
No mês passado, uma feminista britânica foi alvo de repetidas ameaças de violação no Twitter, por vários utilizadores, muitos identificados com fotografias e nomes verosímeis. Numa mensagem particularmente brutal, um deles escreveu: "Se as tuas amigas sobreviveram a uma violação, é porque não foram bem violadas." As ameaças levaram à detenção, pelo menos, de um jovem de 21 anos.
Há muito que a gíria da Internet tem um termo para este tipo de insultos: trolling. Na mitologia escandinava, os trolls são seres sobrenaturais que vivem longe dos humanos. São anti-sociais e agressivos. Alguns têm uma aparência de monstros. Na linguagem moderna da Internet, os trolls são pessoas que, em fóruns, redes sociais e caixas de comentários, discutem sem argumentos racionais ou simplesmente insultam e ofendem os outros, embora não necessariamente com a violência dos exemplos acima. Os académicos têm outro nome para o fenómeno: desinibição tóxica.

"O efeito da desinibição online é uma força poderosa, mesmo quando estamos cientes do efeito que tem em nós. Muitas vezes, opera a um nível inconsciente", explica ao PÚBLICO o investigador americano John Suler, da Universidade de Rider, que em 2004 cunhou o conceito de "desinibição tóxica".

O fenómeno não diz respeito apenas a mensagens ofensivas: "Soltam-se a linguagem rude, as críticas duras, raiva, ódio, até ameaças. As pessoas exploram o submundo negro da Internet, os lugares de pornografia e violência, lugares que nunca visitariam no mundo real", escreveu no livro The Psychology of Cyberspace ("A Psicologia do Ciberespaço"), que está disponível online (do outro lado da desinibição tóxica, Suler coloca a desinibição benigna, que faz com que sejamos mais propensos a revelar emoções e desejos, ou a dar conselhos e ajudar os outros).

O caso da jovem que se suicidou pôs o Reino Unido a discutir o cyberbullying. Mas a desinibição não parece ser uma característica apenas dos mais novos. O psicólogo Américo Baptista, professor na Universidade Lusófona, afirma que "não são só os jovens" que têm este tipo de comportamento, embora seja de esperar que tenham "maior espontaneidade e menos filtro do que os adultos". No mundo offline, observa, "as interacções do nosso dia-a-dia caracterizam-se por termos um feed-back imediato. Na Internet, não há esse feedback, há uma maior sensação de liberdade". Mas ressalva que, apesar de um "maior descuido" no mundo online, "o que acontece na Internet é o que acaba por acontecer na vida real".
A mesma opinião tem o especialista em segurança onlineTito de Morais: "A intermediação da tecnologia muitas vezes leva as pessoas a dizer e a fazer aquilo que presencialmente não fariam. Não vemos as consequências dos actos em quem está do lado de lá. No caso particular dos jovens, se pegarmos na definição de desinibição - o desrespeito por convenções sociais, a impulsividade, a fraca avaliação do risco -, vemos que são características típicas da adolescência."

Internet menos anónima
John Suler aponta várias causas para a desinibição tóxica. Entre elas estão o anonimato, o facto de a comunicação ser assíncrona (alguém deixa um comentário que pode ser visto minutos, horas ou até dias depois), a concepção do mundo online como um mundo de fantasia, "separado das exigências e responsabilidades do mundo real", e ainda a ausência física do interlocutor.
(...).

Acrescento uma resposta que o Dr. Suler deu numa entrevista:” O ciberespaço é um espelho da sociedade. Embora existam algumas características únicas na vida on-line, a verdade é que o que está certo e errado na Internet é um reflexo das mesmas coisas que estão bem ou mal no mundo "real".


Aceder ao artigo "Trolls just want to have fun” (algo como “Os ‘trolls’ só se querem divertir”) é o título de um estudo — publicado em Fevereiro de 2014 por um grupo de investigadores canadianos da Universidade de Manitoba liderado por Erin Buc que se debruça sobre este tipo de comportamento.

Mais acertado o artigo Internet Trolls Are Narcissists, Psychopaths, and Sadists de by Jennifer Golbeck, Ph.D.em.
 http://www.psychologytoday.com/blog/your-online-secrets/201409/internet-trolls-are-narcissists-psychopaths-and-sadists

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Brené Brown – O poder da vulnerabilidade




Brené Brown estuda as relações humanas - a nossa capacidade de criar empatia, de pertencer, de amar. Numa comovente e divertida palestra no TEDxHouston, Brene Brown partilha uma visão profunda da sua investigação, que a fez mergulhar numa busca interior para se conhecer totalmente e também para compreender a Humanidade. Uma palestra para partilhar.
Conferência traduzida em 40 línguas, retirada de:http://www.ted.com/talks/brene_brown_on_vulnerability.html

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Invejar a bondade

Parks Ingrid Bergman at Stromboli

“Talvez sejamos incapazes de tolerar o fato de não sermos os melhores. Por isso, embora a bondade seja alvo de um ataque, talvez este não decorra apenas de um brutal desejo de ferir, mas também de um outro motivo: destruir alguma coisa ou alguém cuja bondade experimentamos em termos que nos fazem sentir maus. A inveja comporta sempre uma comparação – invejamos aquilo que nos faz falta.”
Kate Barrows Inveja Almedina
A pessoa bondosa é um exemplo que é possível superar, com coragem, o combate diário que todos nós travamos contra o nosso lado mau, mas que nem sempre, ou nem todos nós, conseguimos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Da transcendência

Joanathan Mak

“…a moral endógena e autónoma decorrente da empatia e compaixão, é válida e nobre. É com ela que nos transcendemos, vamos para além de nós próprios, cumprimos a missão de mudar o mundo para melhor – e com isso ultrapassamos, em parte, a humana angústia existencial (perante a consciência da finitude da vida) e alcançamos alguma imortalidade simbólica …”.
António Coimbra de Matos Relação de Qualidade, Penso em Ti Climepsi
A bondade é um estado de espírito que requer capacidade de relacionamento com pessoas reais e com as suas necessidades. Com as suas atitudes naturais,quem assim procede ajuda a que as coisas se encaminhem para melhor. Ao dar, confiam que recebem refletido na marca que deixaram no outro e no mundo, como que pedacinhos de si que passarão a existir para além da sua habitual sobrevivência. Pelo que, não compreendem quem possa viver a pensar apenas em si próprio, sobretudo se este resiste a não deixar que o outro se encaixe na sua vida. Este vazio deixa-os profundamente tristes, porque de alguma forma se deveria estar para os outros. Mas são salvos pelo seu pragmatismo.

domingo, 20 de maio de 2012

Altruísmo


Caravaggio The Seven Acts of Mercy (detalhe)1607

“…é que toda a ação com os outros supõe primeiro uma ação desejada somente para si.”
“…aquele que ama, não começa por amar ocupando-se dos outros, mas sim ao realizar ele próprio a obra para a que se descobriu destinado, numa aparente indiferença  para com aqueles que o rodeiam. Ocupar-se dos outros serve demasiadas vezes para escondermos a nós mesmos que não nos amamos, e que nos recusamos a ocupar o lugar que é nosso; é precisamente nisto que consiste o princípio de todas as manipulações.”

Nicole Jeammet O Ódio Necessário Editorial Estampa