Mostrar mensagens com a etiqueta Paixão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paixão. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de abril de 2017

O habitante secreto

Dora Maar , 1930

“Então compreendi de súbito que uma pessoa se apaixona pelo habitante secreto da pessoa amada, que a pessoa amada é o veículo de outras presenças de que ela nem sequer tem consciência. Por quem teria de ter estado habitado para despertar o desejo de Maria José."

Juan José Millás, O Mundo

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O que melhor nos engana revela aquilo que mais se deseja

Honthorst, Gerrit Von

Não vale a pena nos perguntarmos “onde eu estava antes para me ter deixado cair no logro?”. 
Se nos deixamos iludir, é porque estávamos sedentos do que ele representava.

in Boris Cyrulnik O sexto sentido

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A entrega

Filme: Lost in Translation

O homem que não atravessa o inferno das suas paixões não as supera. Elas se mudam para a casa vizinha e poderão atear o fogo que atingirá sua casa sem que ele perceba. Se abandonarmos, deixarmos de lado, e de algum modo esquecermo-nos excessivamente de algo, corremos o risco de vê-lo reaparecer com uma violência redobrada.
Carl G. Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões

Na rotina de todos os dias nem damos conta que há ideias que vagueiam pela nossa mente, indefinidas, que persistem num vaivém até adquirirem uma forma, um desejo. Podem dizer respeito a uma pessoa ou a uma ocupação. Hesitamos. Antevemos a necessidade de mudança, mas se esta coloca em causa o que julgamos seguro, tememos a queda. Cientes do que sentimos e queremos, e se chegada a esta fronteira, não fizermos o que poderíamos fazer, amputamos uma parte de nós.
A convicção dos que respeitaram a sua vontade interior, dará lugar à serenidade. A dor é superada.
Numa paixão que não conferiu à existência, um amor, nem damos conta que sobrevivemos à travessia, até que surge de imprevisto uma súbita alegria e uma saudade por quem éramos e por quem nos esquecemos.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O amante




Sobre o amor:
"Por que razão durar é melhor que arder?" Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A verdade

O psicanalista Zimerman, escreveu: A verdade sem amor é crueldade e o amor sem verdade é paixão.
Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise

Mas hoje não me apetece pensar na paixão. A primeira afirmação parece-me bem mais interessante. Remete-nos para aquelas situações em que ouvimos uma verdade, mas de mansinho sentimos uma profunda dor, vergonha e raiva contra nós mesmas por não a aceitarmos, com naturalidade. Essa verdade deixa-nos desamparadas e desarmadas. Se desenvolvemos estas emoções, é porque fomos sujeitas à violência oculta. E, a razão porque não a aceitamos, é porque a atitude de quem a proferiu não nos teve em conta. Não nos reconheceu.

A verdade só é verdade, sem crueldade, se a conseguirmos entender e suportar, ao ponto de criarmos novas ideias e comportamentos. Esta sim, é uma verdade que cura e nos dá liberdade para evoluirmos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Paixão

Razão da escolha da foto: tirei esta foto para ilustrar a paixão - pelo sentimento intenso, vivido a despropósito e mantido na linha de água.

“… o que caracteriza as grandes paixões: a intensidade da dificuldade em vencer e a sombria incerteza do acontecimento.”
Stendhall, O vermelho e o Negro, Clássica editora


A investigação da equipa de Helen Fisher, antropóloga, pretendeu saber o que dá origem ao amor romântico.
O amor romântico tem características comportamentais particulares: pensar obsessivamente no amado(a), considera-lo(a) único(a), especial, estar possuído(a) por uma energia intensa …enfim, emoções poderosas.
Nesta pesquisa, os cérebros dos indivíduos apaixonados foram examinados enquanto observavam uma foto da pessoa que amavam. O mesmo procedimento foi aplicado aos indivíduos que haviam sido rejeitados pela pessoa amada.
Os resultados da investigação apontam para a universalidade do amor (todos o podem sentir, independentemente da idade, orientação sexual, cultura, grupo étnico….), e para o facto de este ser produzido por substâncias químicas específicas e estruturas cerebrais. Também concluiram que, a paixão e razão estão intimamente ligadas no cérebro, tal como concluíu o neurocientista António Damásio.

“Cada um de nós tem uma personalidade única, formada pelas nossas experiências de infância e a nossa biologia pessoal. É esta estrutura psíquica, em grande parte inconsciente, faz com que nos apaixonemos por uma pessoa e não por outra” – Helen Fischer. E,  pela natureza do acontecimento, tal como refere Stendhal.

Esta investigação, poderá ser consultada no livro:

Helen Fisher, Porque amamos – A Natureza e a Química do Amor Romântico, Relógio D”Água, 2008

domingo, 24 de janeiro de 2010

A queda

 Manto queimado de uma imagem de Arte Sacra - Foto cristina simões

"Debruçávamo-nos sobre este abismo, essa paixão que nos atraía um para o outro, tínhamos tanto medo, sabíamos tão bem que seria impossível escapar-lhe uma vez iniciada a queda, que, juntos, recuávamos um passo, e continuávamos, no entanto, a caminhar-lhe à beira, com o desejo de depressa nos precipitarmos naquela obscuridade sem limites, para nela nos perdermos, longe de todos e sobretudo de nós mesmos, daquilo que éramos até ao momento que nos fizera nascer diferentes, o do nosso encontro.”Max Gallo, O Olhar das Mulheres, Bertrand Editores.

Lindo. Mas é um engano. Quem já se apaixonou perdidamente, sabe que a queda, com o outro ou sem ele, já se verificou, “desde a origem do amor” - Roland Barthes, em Fragmentos de um Discurso Amoroso