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sábado, 1 de dezembro de 2018


Tim Burton Big Eyes 2014

A violência silênciosa da perversão narcísica

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Aqueles que exigem muito dos outros


“Aqueles que exigem muito dos outros, na realidade, raramente dão muito aos outros.”

 Melanie Klein, Joan Riviere  Amor, Ódio e Reparação

quarta-feira, 24 de maio de 2017

amor tóxico




Linda música na voz de Maria Bethânia. Ele pede por fim, desculpa. São manobras de apaziguamento (identificadas por Godenzi, 1999), que não envolvem qualquer transformação – tudo volta ao mesmo. Pretende -se aprovação, unicamente.
Como falar do mistério insondável do amor? Como reconhecer o que é amor, e o que é dependência…plano poupança reforma (palavras do psicólogo Eduardo Sá)?
O oposto do amor é o amor tóxico, aquele que nos retira a energia vital. Nem se deveria chamar amor, porque não reconhece a existência do outro como um ser diferente, com necessidades, direitos e interesses próprios.
O amor tóxico lança-nos para uma condição que nos oprime, mas que se vai mantendo num turbilhão de emoções que não reconhecemos nome, a não ser o desamparo.
Quem se deixa ficar nesta situação não o faz por ser uma pessoa doente. Perde-se aos poucos a auto-estima, a lucidez. Para quem se deixa anular, a relação é também alimentada por traços de personalidade, crenças irrealistas, estilos de vinculação de infância.
Aqui fica uma lista (com uma tradução muito livre), das características do amor vs amor tóxico da autoria de Sandra Brown, que detém um Mestrado em Aconselhamento, e foi fundadora e directora de um centro de saúde mental ligado ao tratamento de distúrbios de vitimização e trauma emocional.

Amor – o desenvolvimento de cada um é a prioridade.
Amor tóxico - obsessão com o relacionamento.

Amor - espaço para crescer, expandir e o desejo que os outros o façam.
Amor tóxico – são os sentimentos de insegurança, medo, solidão, e outros, que estabelecem o vínculo.

Amor - interesses distintos; outros amigos, manter outras relações significativas.
Amor tóxico - envolvimento total; vida social limitada.

Amor - incentivo que cada um se expanda; seguro no próprio valor do amor.
Amor tóxico - preocupação com o comportamento do outro, o medo da mudança no outro.

Amor - confiança (isto é, confia-se que o parceiro se comporte de acordo com a sua natureza fundamental).
Amor tóxico - ciúme; possessividade, medo da concorrência.

Amor - compromisso, negociação ou se revendo na liderança. Resolução de problemas em conjunto.
Amor tóxico - joga-se no controle; na culpa, na manipulação passiva ou agressiva.

Amor - estimula – se a individualidade do outro.
Amor tóxico – tenta-se mudar a imagem de outro, ao próprio.

Amor – lida-se com os vários aspectos (positivos e negativos) da vida.
Amor tóxico - o relacionamento é baseado em delírio e evitar o desagradável.

Amor – o cuidado é mútuo.
Amor tóxico - expectativa de que um parceiro irá corrigir e resgatar o outro.

Amor - saudável preocupação sobre o parceiro, quando este se afasta.
Amor tóxico - fusão (viver obcecado por problemas e sentimentos que envolvem o outro).

Amor - O sexo é de livre escolha crescendo para além do cuidar e da amizade.
Amor tóxico - A pressão em torno do sexo devido à insegurança, medo e necessidade de gratificação imediata.

Amor - capacidade de apreciar estar sozinho.
Amor tóxico - incapaz de suportar a separação.

Amor - ciclo de conforto e satisfação.
Amor tóxico - ciclo de dor e desespero.

Sinais de aviso e bandeiras vermelhas de abuso narcisista:






sábado, 11 de fevereiro de 2017

O narcisista e seus parceiros #3

René Magritte Os amantes

Alguém num comentário neste blogue, no post “O narcisista e seus parceiros#1” escreveu que considerava que no casal em que um dos parceiros é narcisista (autoconcentrado, com mania das grandezas e de ser admirado), e o outro sofre de transtorno de personalidade dependente (ou adicto no amor), podem ser felizes juntos.
Na minha opinião, dificilmente o serão. 
Posso imaginar onde reside a confusão. Pelo facto do individuo narcísico ter  necessidade constante de admiração e aprovação e a pessoa que sofre de transtorno de personalidade dependente, abdicar da sua identidade e submeter-se, vivendo para satisfazer o amante, podemos pensar que este arranjo cria equilíbrio e felicidade no casal.
Porém, a pessoa que sofre de transtorno de personalidade dependente, depende do amante, tem necessidades que são tão insaciáveis - narcísica como ela também é - que se tornam opressivas, não restando disposição para se concentrar no outro.   
Vivem então, o clássico laço duplo do narcisista, cada um precisa do outro, mas não tem nada para lhe dar.


sábado, 24 de setembro de 2016

O eu grandioso


Dancing Dwatf, Plolemaic Period

Um jornalista português referiu-se aos Jogos Paralímpicos como um espetáculo “grotesco” e “um número de circo”.
Sem pretender fazer pseudoanálises do autor de comentários tão infelizes e exibicionistas, supondo que a intenção é a desvalorização dos atletas paralímpicos como seres imperfeitos ou incompletos, aquelas afirmações podem ser contudo uteis, para ilustrar uma característica da organização narcisista omnipotente que “é contra a perceção da necessidade ou do sofrimento e reclama a eliminação dos fracos” a começar pelo próprio. (DeMasi citado por Cristina Fabião*)
A começar pelo próprio” significa que o eu grandioso é sobretudo intolerante às suas próprias emoções e fragilidades, considerando-as uma fraqueza, como se estas fossem por em causa a sua tentativa desesperada de ser perfeito. O que explica a incapacidade de compreender o valor e o sentido benéfico da pessoa  se superar e de alargar deste modo, o espaço das suas limitações.
É como se rejeitasse através do outro, a sua natural imperfeição humana e com ela a autoaceitação e o crescimento interior.

*Narciismo, defesas primitivas e separação


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Paradoxo “ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”


René Magritte The Human condition

“ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”
Cristina Fabião  Narcisismo, defesas primitivas e separação Climepsi



Exibicionistas com manias de grandezas ou tímidos e inibidos, mas igualmente insatisfeitos, que sempre querem o melhor e dificilmente se contentam, intransigentes e reivindicativos acerca do comportamento dos outros, irónica e paradoxalmente, não sabem quem são.
Para o narcisista alcançar a autoconsciência teria de admitir que, por exemplo, o outro pode ser mais amado e admirado do que ele, ou que, a inocência da infância terminou.

Uma lição de vida para as suas vítimas que tentam desesperadamente lhes agradar.
A perspectiva deve ser então, a inversa. Não são os outros que não são suficientemente capazes e bons, as personalidades narcísicas por não terem consciência de si, não possuírem um conceito integrado do eu (confusão entre pensamentos e sentimentos, entre outras alterações), nem dos mecanismos que utilizam para proteger o seu narcisismo, não reconhecem adequadamente as emoções e sentimentos dos outros, pelo que, não lhes dão o devido valor. 
Assim sendo, os narcísicos não podem ter capacidades adequadas de empatia pelas pessoas (no mínimo, imaginar o seu mundo), fazer delas uma avaliação apropriada e investir emocionalmente nas relações - o Outro é sempre o objecto redescoberto. 
A fonte do (algum) conhecimento que têm de si próprio, faz-se através do efeito que causam (ou julgam causar) nos outros. Essas impressões, tanto servem para alimentar o ego grandioso como, ao não lhes parecerem favoráveis, podem contribuir para a baixa auto-estima e para o desânimo. Por isto, o narcísico está dependente deste jogo de espelhos, e sem ele, sente-se vazio e nada.

Só se reconhece e se dá valor, ao que a estrutura de personalidade permite, ou seja, só se dá  o que se tem, como dizia Oscar Wilde "Cada um dá o que tem no coração, e cada um recebe com o coração que tem."


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O narcisista e os seus parceiros #1

Pretendo deixar-vos algumas considerações sobre as relações íntimas, em que um elemento do casal ou os dois, apresentam um Transtorno Narcisista de Personalidade (TNP).
Outra ideia a salientar é que a dinâmica da relação irá depender da gravidade da perturbação.

Na fase de enamoramento ou da paixão, os indivíduos com esta perturbação não costumam demonstrar as características narcísicas. Pelo contrário, manifestam atitudes que fazem o outro acreditar que é interessante e mais do que isso, especial. Os sinais de alarme podem ser inexistentes. Muito mais tarde, após muitos meses, um ano ou dois, começam a surgir as dificuldades na relação. Pode-se ser até surpreendido com o primeiro ataque de fúria, exagerada, face ao que a despoletou.
A falta de empatia para com as necessidades e interesses do outro, e sobretudo, a necessidade de salvar a face (o seu narcisismo) em detrimento de um encontro amoroso e protector, evidenciam-se.

Mas estas dinâmicas não são fáceis de interpretar, porque o indivíduo com este transtorno, pode alternar comportamentos de prepotência e arrogância com desprezo pelos sentimentos do outro, até ao absoluto sentimento de dependência e necessidade de amparo. Esta necessidade, que não é assumida, pode manifestar-se de modo pouco evidente, misturada com agressividade, sem que se perceba qual a queixa.
Porém, o que parece ser a vontade de ser apoiado ou ter companhia, não invalida que o outro não seja maltratado, por vezes, com prazer. Maltratado de diversos modos, por não ser levado em conta, por não ser valorizado pela pessoa que é... A inveja, outra das características da perturbação narcísica desempenha também um papel na dinâmica da relação. O controle e o domínio, também.

Muitos casamentos terminam no inicio das dificuldades. Nos que se mantêm, qual o perfil da mulher ou do marido que suporta este tipo de relação?
Concordo em absoluto com o psicanalista Mário Quilici, num texto que deu o título a este post, que considera que quando o marido sofre de TNP (Transtorno Narcisista de Personalidade), é frequente o caso da mulher sofrer de Transtorno de Personalidade Dependente (TPD), e vice versa. Estas personalidades são descritas por este autor nos seguintes termos: “Elas (TPD) são carentes, precisam de muita ajuda e são submissas. Elas têm muito medo do abandono e, assim, agarram-se ao parceiro tenazmente. Seu comportamento geralmente é imaturo mas isso as ajuda a manter o relacionamento com os seus parceiros ou esposos de quem dependem. Não importa qual o tipo de abuso que os seus parceiros possam infringir, ainda assim, elas permanecem no relacionamento.” Retiram, naturalmente, gratificações pessoais desta condição.
Atrevo-me a dizer: os dois vivem um "delírio" -  a negação da  necessidade de amar e ser amado.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Alexandre Simões: O que é o Narcisismo?


O psicanalista Alexandre Simões contextualiza o que vem a ser o narcisismo, sob a perspectiva da Psicanálise. No que tange ao narcisismo, aborda as relações do sujeito com a imagem, a identificação e o investimento. Enfatiza, ainda, a interação entre fascínio e servidão para, daí, indicar que o processo analítico caminha na contramão dos excessos do narcisismo.

Aceder ao canal de Alexandre Simões psicanalista no youtube.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os transtornos de personalidade - Flávio Gikovate


O que antes se chamava de personalidade psicopática, agora é chamado de distúrbio de personalidade do tipo antissocial - o "cluster B" de cor azul, na imagem abaixo colocada.

Canal de Flávio Gikovate no Youtube: https://www.youtube.com/


Em texto:

"Hoje vou falar sobre um tema um pouco mais complexo que são os distúrbios de personalidade. Estes distúrbios, segundo as classificações internacionais de doença – a nova tabela americana que se chama DSM5 que é a ultima classificação de diagnóstico de doenças dos Estados Unidos da América - , manteve o mesmo padrão: existem 3 grupos de grandes distúrbios de personalidade. 
Um grupo, que é basicamente o 1º,  são os distúrbios na linhagem paranoide, que são pessoas  com ideias de perseguição que sempre estão tendo ideias persecutórias em tudo, e são pessoas que não têm nenhuma outra falha a não ser essa, que é de codificar o mundo sempre de um jeito ameaçador, persecutório. São distúrbios que não vamos falar hoje. 
O 2º grupo, termina com anti-social - os psicopatas de antigamente. Este é que nós vamos tratar na nossa conversa de hoje. 
O 3º grupo envolve aqueles de ansiedade muito forte que têm condutas de evitação - evitar situações. O mais caraterístico deste (3º grupo) grupo, são os transtornos obsessivo-compulsivo, assunto também muito interessante e complexo mas que fica para uma outra vez, para falarmos sobre isso.  
Hoje eu queria era, então, tratar deste 2º grupo que são os antigos psicopatas. Este grupo corresponde a um conjunto de patologias,  não é uma só e não sei se a palavra certa é patologia, algum distúrbio de personalidade,  são na verdade alterações de personalidade e todas elas têm como característica principal (deste 2º grupo): alguma falha na reflexão moral, alguma falha na capacidade de se colocar no lugar das outras pessoas. Eles são uma sequencia gradual,  que vai desde o egoísmo que as pessoas socialmente consideram aceitável, a pessoas que se preocupam mais consigo, pouco empáticas em relação ao sofrimento dos outros, até ao mais grave modelo que seria o anti-social. 

Isto é um degradé (graduação) que vai tendo todos os matizes de agravamento. O "egoísta" pode ser "egoistinha"(egoísta pequeno), pode ser "egoísta médio", pode ser um "egoístão" (egoísta grande) que só cuida de si mesmo, não liga a mínima para ninguém e para nada. Não tem sentimento de culpa. Este grupo todo, não tem sentimento de culpa, mas às vezes reage dentro de certos limites, por medo, por medo de castigo e punições. São pouco empáticos. Não têm muita capacidade de  sentir compaixão, mas neste grupo inicial têm alguma empatia, mas isto vai tornando-se mais severo na distância deste ponto de equilíbrio, intermediário, quando se distanciam os personagens. Estes grupos (de pessoas) têm outras caraterísticas. Alguns têm de facto uma capacidade de falar bem de si mesmo, muito sociáveis, muito extrovertidos, bons no marketing pessoal. Têm uma fala e uma visão muito positiva de si mesmos, são os chamados histriónicos. Outro grupo (de pessoas) acha que são melhores do que os outros. Têm uma visão de si achando que são “bacana mesmo” (fantásticos). E, naturalmente, todos eles têm egoísmo,  são pouco empáticos e acreditam que são melhores que os outros, é o chamado de narcisismo patológico. É patológico porque na realidade quase todo o mundo, pode até falar bem de si etc, mas no fundo sabe que tem lá os seus complexos de inferioridade. Essas pessoas parecem que não têm complexos de inferioridade, o que é muito grave porque um pequeno complexo de inferioridade leva a gente  a ter um pouco de humildade, e a achar que a gente precisa progredir. E essas pessoas que se acham o máximo, não têm porque evoluir. Então, são pessoas muito mais difíceis de conviver, de mudar de opinião, de se preocupar com o direito dos outros e de se tratarem. A empatia vai sempre diminuindo, com cada vez menos capacidade de ser interessar pelos outros. 
Depois, existe um outro grupo (de pessoas, dentro deste 2º grupo), que se chama de borderline. É um grupo peculiar, em que algumas caraterísticas estão presentes. Uma delas é idealizar demais certas pessoas que se transformam em ídolos, para depois arranjar um jeito de desqualificar esses ídolos e derrubar eles, e achar que são horríveis, lamentáveis. Primeiro idealiza, depois derruba completamente essa pessoa. Primeiro "enche a bola" do interlocutor, que pode ser namorada, um patrão, um subalterno, “avacalha”(abusa, escarnece) com ele, derruba a auto-estima dele. São pessoas que têm oscilações do humor, não raramente são meio depressivas, têm tendência ao suicídio, tentativas de suicídio, mais do que efetivos suicídios, às vezes acabam morrendo, mas por engano, de chamar a atenção através do suicídio. São pessoas que têm uma agressividade, uma impulsividade muito grande. Parecem incapazes de serem contrariadas, aliás como toda a sequência dos egoístas, lidam mal  com o processo de contrariedade. Todos são meio estouvados (pensam pouco nas consequências e nas obrigações), mas estes aqui podem ser mais estouvados e têm essa caraterística  de "encher a bola dos outros" e depois derrubar a auto-estima deles. São pessoas que são...nesses momentos, bastante cruéis. Às vezes aparecem traços persecutórios ou de conspiração, achando que um grupo de gente está falando mal contra eles. Borderline é uma fronteira entre a neurose - um grupo de distúrbios em que o individuo está consciente da situação e um quadro psicótico em que o individuo não tem mais a noção exata do  que ele mesmo está fazendo. Esta confusão às vezes aparece neste grupo. A empatia por vezes é razoável, outras horas o individuo tem muito pouca capacidade  de sentir,  de se preocupar  com as outras pessoas, podendo ser muito cruel, especialmente quando acaba a idealização do outro. Finalmente, o mais radical deste grupo, em que a empatia vai decrescendo, é aquele grupo com empatia zero, que é aquele grupo dos anti-sociais. Pessoas que não têm nenhuma sensibilidade para com o outro, nenhuma culpa, e além de não terem nenhuma culpa com a dor do outro ou compaixão, também não têm medo.(...)

Tratar esta gente toda é muito difícil. Depende de muita sorte do ponto de vista do terapeuta, da empatia. Os anti-sociais são quase impossíveis de tratar. Esses são realmente os delinquentes. Os outros, dependem muito do tipo de empatia que se estabelece entre o paciente e  terapeuta, da paciência, da persistência. Muitas vezes é preciso tomar medicação, ou tranquilizantes, ou anti-psicóticos ou anti depressivos. É um manejo difícil de trabalhar. Demora anos, e existem alguns casos, que sim, há uma evolução favorável, melhoras. Mas são trabalhosos, sempre. Muitas vezes as pessoas perguntam por estes assuntos usando a palavra "psicopata". Psicopata é um termo genérico, que envolve um pouco de tudo isto que eu falei. São pessoas que, às vezes, pelo fato de serem muito simpáticos, são o parceiro sentimental de muita gente. E quando há este tipo de história, realmente não é raro os casamentos acabarem, se dissolverem, porque não é difícil a partir de certo momento, o parceiro perder a paciência e não conseguir mais tolerar certo tipo de arbitrariedades que essas pessoas, por força de uma empatia muito baixa ou mesmo inexistente, conseguem provocar nos seus interlocutores.
 Flávio Gikovate "os transtornos da personalidade."

As perturbações de personalidade no programa da RTP Play "Fora da Caixa", com a psicóloga Isabel Leal e o médico psiquiatra Vitor Amorim Rodrigues:
http://www.rtp.pt/play/p1727/e201315/fora-da-caixa

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A Falha


Café Filosófico: Aposta Na Coragem O filósofo  Oswaldo Giacóia Jr


Algumas das suas palavras, ao minuto 25 e 32 segundos, acerca do que eu chamo A FALHA (fraqueza estrutural)  nas palavras do filósofo: 


“…Quanto mais forte você é, mais corajoso e generoso você pode ser. A marca registada da fraqueza é justamente a impossibilidade de se doar.
Toda a avidez compulsiva e auto concentrada é sintoma de uma fraqueza estrutural. Ou seja, você em última instância deseja obsessivamente tudo para si, porque você é muito fraco. Quem é forte, quem tem uma riqueza de sentimentos de poder, pode doar-se. Quem é fraco, não. Justamente por isso, é desse sentimento de poder que nasce uma atitude de despreendimento e não uma atitude de cristalização, condensação, fechamento na perspetiva do próprio umbigo. Portanto, nos seus pequenos medos.”Oswaldo Giacóia Jr

sábado, 12 de abril de 2014

Paradoxo do interesse

Dali Composição satírica

“É que se torna necessário libertarmo-nos da ideia de que as personalidades narcísicas não se interessam pelos outros; é a inversa que é verdadeira. Para compensarem as deficiências do seu funcionamento, elas têm pelo contrário fome de objeto: este é supletivo a uma lacuna pessoal que não pode ser reconhecido como tal, e que o outro, negado na sua alteridade, é encarregado de cumular.”
 Nicole Jeammet O ódio necessário Editora Estampa
Se esta não fosse uma dos mais importantes ideias sobre as personalidades narcísicas, passaria adiante, saltaria para outro tema, outra vontade em escrever. Mas é a pedra de toque daquelas personalidades: o interesse ávido pela atenção e aprovação da outra pessoa, mais do que ninguém, paradoxalmente sabendo pouco ou mesmo muito pouco, como ir além desse impulso para a unidade, por possuírem essa capacidade de amar travada, centrada em si.
Se é por demais conhecida esta característica, é esse correr atras que pode atingir a obsessão, como uma criança que procura ainda um interlocutor válido, que na relação é interpretado como uma necessidade de união, mas trata-se de fazer do outro uma muleta, pelo domínio, com vista a ser servido - benefício próprio -  e descartado quando não cumpre essa função.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O narcisismo “estúpido”



“Segundo kerneberg, o sujeito narcísico diz: Não preciso de ter medo de ser rejeitado por não encarar o ideal de mim próprio que seria o único a tornar possível que eu fosse amado pela pessoa ideal que imagino capaz de amar-me. Essa pessoa ideal e a minha imagem ideal dessa pessoa e o meu ser real são uma pessoa só e melhor que a pessoa ideal que eu queria que me amasse, por isso já não preciso de mais ninguém. Jeremy Holmes, Narcisismo Almedina

Uma vez na vida (tomara que fosse só uma vez), confrontamo-nos com personagens que se atribuem a si próprio um valor que não têm, julgam-se melhores e mais capazes do que na realidade são. E reiteradamente insistem em exibi-lo. Quem são estas personalidades? Que características possuem?

Trata-se do narcisismo “estúpido” como lhe chama Carlos Amaral Dias*: o individuo acredita (ou quer acreditar), que não há distância, pequena que seja, entre o que é como pessoa e aquilo que gostaria de ser. Julga-se magnifico, para além das suas possibilidades, embora apresente sentimentos dramáticos de nulidade quando o outro ou a realidade não o aprovam.
Esta fusão que resulta na crença de uma autossuficiência idealizada, coloca o sujeito, segundo este autor ,“perante uma impossibilidade e uma confusão entre o eu ideal e o ideal do eu”  e incapacita-o para as relações de intimidade – o outro nunca está à altura de participar no Olimpo onde o sujeito habita. 
Não se precisa de mais ninguém e nem de tratar bem os outros - é sempre um narcisismo destrutivo.

* Costurando as linhas da patologia borderland (os estados-limite) Climepsi

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Jean- Pierre Lebrun - A satisfação impossível


Jean- Pierre Lebrun -  Psiquiatra e Psicanalista

Para ler as legendas (também em Português), é necessário, após o inicio do vídeo, ativá-las do lado direito)

Jean-Pierre Lebrun, diretor da Associação Freudiana da Bélgica, explica que a insatisfação é básica na condição humana. O homem busca prazer no objeto e o objeto jamais oferece plena satisfação. A sociedade contemporânea funciona no mecanismo da promessa do objeto impossível - "siga buscando, pois, um dia, você encontrará o objeto satisfatório".

Lebrun alerta para as patologias aditivas, a dependência dos objetos impossíveis, geradas pelo mesmo mecanismo que motiva a sociedade do consumo.

Mais ainda, Lebrun questiona que liberdade é esta que a sociedade contemporânea tanto prega "ter", sendo uma liberdade que apenas consome ideais. Para Lebrun, nunca fomos tão dependentes, nunca estivemos tão distantes da autonomia - de aceitarmos os limites que o caminho de construção apresenta e que devem ser aprendidos enquanto parte do processo da construção da liberdade. Afinal, de acordo com o psicanalista, a verdadeira liberdade não é a do ser algo, mas a do poder tornar-se.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Orgulho e a Vaidade

Tiziano Vecellio, Portrait of Venitian - nobleman 

O homem é um animal narcísico – que se admira e precisa ser admirado. A sua qualidade é o orgulho; o seu defeito a vaidade. O bom narcisismo assenta num sentimento de dignidade pessoal. A deficiência narcísica, o sentimento de vacuidade, de vazio e miséria interiores, conduz à vaidade. O orgulhoso tem brio, porque assume a plenitude do seu ser, senhor do seu valor próprio e do seu valor social, é. O vaidoso pinta-se com tinta brilhante para esconder as mazelas das suas máculas da autoimagem, como é pouco, assenhora-se de apetrechos que o possam fazer brilhar; a sua problemática é a de o ter – para suprimir aquilo que não é. O orgulhoso seguro de si, deixa-se observar; o vaidoso inseguro de si mas desejoso de mostrar o contrário, exibe-se. O orgulhoso tem brio, o vaidoso procura brilhar”
António Coimbra de Matos A depressão Climepsi
Ainda, segundo o autor, é a diferença entre narcisismo positivo (bom sentimento de si mesmo) e narcisismo negativo (deficiente investimento de si próprio – aversão por si próprio).
O Programa da RTP/Play  - Dias do Avesso – sobre o assunto: Pais vaidosos fazem mal aos filhos, datado de 5 de agosto de 2013, com a jornalista Isabel Stilwell e o psicólogo Eduardo Sá, para ouvir,  aqui.

quarta-feira, 31 de julho de 2013


TV Glogo - Saia Justa - Narcisismo é fruto de uma autoestima baixa?
 
O filósofo Luiz Felipe Pondé, faz uma análise sobre o comportamento de uma pessoa narcisista e cita as diversas dificuldades encontradas ao se relacionar com uma. Também aborda o recurso às redes sociais.
ACEDER em: Luiz Felipe Pondé - Narcisismo

As suas palavras:

"O narcisista é voltado para si mesmo. Mas não porque ele se acha lindo, justamente porque ele se acha feio, demais. Ele é voltado para si mesmo, justamente porque ele não é minimamente autossuficiente. Ninguém é plenamente autossuficiente. Mas o narcísico não é, de forma nenhuma. Então, por isso ele é voltado para si mesmo no sentido que ele faz o mundo trabalhar para ele. Ele está o tempo inteiro querendo que o mundo o sustente, o ratifique. Diga que ele é o máximo. Diga que o que ele pensa é lindo. Que tudo vai dar certo o tempo todo.
Então, quando eu falo que a gente está vivendo numa época narcisista, é fácil ver, tudo o mundo se ofende se você discorda dele. Por exemplo, eu sou aceite se as pessoas falam coisas boas de mim. Qualquer crítica, qualquer distanciamento do que eu penso, eu considero uma ofensa.
As redes sociais, elas são uma ferramenta grande de narcisismo. A tendência é você ter uma sociedade onde as pessoas querem parecer jovens o tempo inteiro. Querem fingir que são jovens. Querem fingir que estão sempre alegres quando na realidade estão frustradas. Pesquisas sobre o uso de redes sociai, mostram que as pessoas acima de 30 anos, tendem a ter mais vida na rede social do que na vida real. Se você está com mais de 30, você sabe que não é tão bonito, tão inteligente. Já está começando a suspeitar que talvez não ganhe tanto dinheiro. A vida profissional já está mostrando os dentes. Quer dizer que então, as feridas narcísicas aparecem. O resultado é que você vai ficando cada vez mais dependente de uma vida virtual, irreal.
Para você se relacionar com o outro, você precisa ter substancia, precisa ter autoestima. Então, a relação com o outro para o narcísico, é um inferno. Porque o outro trás justamente aquela variável da contingência, que você não controla, e o narcísico se dá mal com a contingência. Pelo contrário, precisa de um mundo muito arrumadinho, pequenininho, contido. E, o narcísico não consegue lidar com os outros. A única forma (que consegue) para lidar com os outros, é uma forma na qual, o outro está aí para te servir."

 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Paradoxo da intolerância

J.W. Watherhouse Study for the head of narcissus

“Mas o sujeito narcisista não só não tolera as diferenças já existentes mas necessita também criá-las.”
Hugo Bleichmar Depressão Artes Médicas

Um rosário de insatisfações com a vida, carregando males e carregando no outro que não sabe ser.
A tática é que ele mude. É normal esperar, desejar. Isso não constitui em si um problema. Se ele não mudar, e continuarmos a insistir, como sempre fazemos, e a esperar, já temos um problema, que é só nosso. 
O sujeito narcísico não termina confuso. Continua encarcerado no paradoxo, não só não tolera as diferenças como cria novas. Dobra-se a separação.
Porque no fundo, no fundo, a verdade que quer ocultar, é de que não está mais insatisfeito com o outro do que  está consigo mesmo. Quem sabe se através do domínio que exerce sobre ele, se alivia dessa deceção.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Freud e os regionalismos

“…sempre se poderá ligar amorosamente entre si o maior número de homens, com a condição de que sobrem outros nos quais descarregar as pancadas. Em determinada ocasião ocupei-me do fenómeno de que as comunidades vizinhas, e ainda aparentadas são precisamente as que mais lutam e desdenham entre si, como por exemplo, os espanhóis e os portugueses, os alemães do Norte e do Sul, os ingleses e os escoceses, etc. Denominei este fenómeno narcisismo das pequenas diferenças…”

 
Sigmund Freud Psicologia de las massas y analisis del you Obras complexas Bueno Aires: Rued 1953

O modo como o homem lida com as suas tendências agressivas, naturais, que podem ser bem geridas, ou seja, sublimadas em comportamentos de competição e outros, saudáveis, ou então com o recurso a manifestações de violência, manifesta ou oculta.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Rejeitar um narcisista

Salvatore Albane The fallen angels

As personalidades narcísicas quando são abandonadas ou dececionadas, elas podem mostrar-se aparentemente deprimidas, “mas num exame atento, trata-se de cólera ou de ressentimento com desejos de desforra, mais do que uma verdadeira tristeza pela perda da pessoa que eles apreciavam.”
Otto Kernberg, A personalidade narcísica.

Como em todos nós, a rejeição ou a deceção chega às personalidades narcísicas como uma ferida no amor-próprio. Porem, nestas personalidades não se vive a saturação indiscritível da tristeza ou da depressão pela perda, porque o outro não chegou a fazer parte do eu.
Não experimentando estas reações e, não percebendo as emoções complexas da outra pessoa, toda a energia daquelas personagens concentra-se, não na tentativa de reparar ou recuperar a relação, mas em fazer-se valer através do ressentimento e da vingança, também movida pela necessidade de domínio e sentimento de posse.
E o amor!? Não é visto nem achado.