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terça-feira, 19 de abril de 2016
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Jorge Forbes: O limite entre o Prazer e o Pecado
Conversa a Dois: Jorge Forbes (30/01/15)
O psicanalista Jorge Forbes vêm ao Todo Seu falar sobre o limite entre o Prazer e o Pecado:
(...) mas nós no Brasil não esperamos que tivéssemos esse tipo de violência, que eu chamo de inusitada, como diz a palavra "fora do lugar" que existe nos EUA, de um individuo entrar no cinema e metralhar a plateia, de um aluno entrar no colégio e metralhar os seus colegas de classe. Esta violência não existia aqui (no Brasil). agora existe. Nós temos filhas cursando a universidade e matando pai e mãe e no dia seguinte vão para um churrasco (...) As nossas classificações psiquiátricas anteriores (psicose, neurose, psicopatia...). não dão conta deste (novo) fenónemo (...) como aquela moça que matou pai e mãe, não adianta dizer que é uma histérica, uma perversa, uma psicopata. Nós estamos vivendo um novo fenónemo de uma violência, de uma agressividade fora do lugar, que a meu ver cabe um estudo sobre o desregramento do laço social na pós modernidade. E, é muito curioso que essas pessoas não têm noção do que estão fazendo, elas estão bem, fazem uma atrocidade e depois vão fazer um churrasco.
Outro dia, um casal me procurou, me dizendo: "Nosso filho que era muito bom aluno, pôs fogo no colégio". Eu pensei "pôs fogo na secretaria, no toilete." O casal percebeu o que eu estava pensando, e disse-me: "Não doutor, pôs fogo no colégio todo, O colégio não existe mais, virou cinza".
A explicação, a compreensão, não está nas (velhas) várias categorias psiquiátricas, mas numa nova formula que devemos desenvolver, de habitar uma terra que é em tudo semelhante à anterior, mas que é completamente diferente na maneira que estabelecemos o laço social. (...)
(...) mas nós no Brasil não esperamos que tivéssemos esse tipo de violência, que eu chamo de inusitada, como diz a palavra "fora do lugar" que existe nos EUA, de um individuo entrar no cinema e metralhar a plateia, de um aluno entrar no colégio e metralhar os seus colegas de classe. Esta violência não existia aqui (no Brasil). agora existe. Nós temos filhas cursando a universidade e matando pai e mãe e no dia seguinte vão para um churrasco (...) As nossas classificações psiquiátricas anteriores (psicose, neurose, psicopatia...). não dão conta deste (novo) fenónemo (...) como aquela moça que matou pai e mãe, não adianta dizer que é uma histérica, uma perversa, uma psicopata. Nós estamos vivendo um novo fenónemo de uma violência, de uma agressividade fora do lugar, que a meu ver cabe um estudo sobre o desregramento do laço social na pós modernidade. E, é muito curioso que essas pessoas não têm noção do que estão fazendo, elas estão bem, fazem uma atrocidade e depois vão fazer um churrasco.
Outro dia, um casal me procurou, me dizendo: "Nosso filho que era muito bom aluno, pôs fogo no colégio". Eu pensei "pôs fogo na secretaria, no toilete." O casal percebeu o que eu estava pensando, e disse-me: "Não doutor, pôs fogo no colégio todo, O colégio não existe mais, virou cinza".
A explicação, a compreensão, não está nas (velhas) várias categorias psiquiátricas, mas numa nova formula que devemos desenvolver, de habitar uma terra que é em tudo semelhante à anterior, mas que é completamente diferente na maneira que estabelecemos o laço social. (...)
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Tem de ser amigo de si próprio
Jim Dine
“Tem de ser amigo de si próprio em primeiro lugar, porque
isso é uma condição prévia para qualquer teoria materialista e hedonista do
amor: não se zangar consigo próprio, não manter relações mortíferas com a sua
própria intimidade, não deixar que no mais fundo de si próprio se desenvolvam
as pulsões negativas do ódio ou do desprezo contra o próprio corpo, não
permitir que a violência se volte contra si. Não lacerar ou desfigurar a alma,
não ficar vencido pela martirização mórbida e pela aversão pelo seu ser, não
deixar avançar a culpa, essa máquina de guerra judaico-cristã, a sensação de
pecado, a força da culpabilidade, os espinhos da carne. Não há futuro para quem
acredita que tem dentro de si um animal pecaminoso e para quem acalenta esse criminoso
sem remissão, incapaz de estabelecer os contratos hedonistas de que fala
Diógenes de Enande. Porque esse danado deixa sempre atrás de si os traços
viscosos e resistentes da pulsão de morte, com os quais polui os que, por
infelicidade, se aproximam dele.”
Michel Onfray* Teoria do corpo amoroso Temas e debates
...e que é bom ter prazer...fazer o que se quer...quando se quer...e praticar o bem
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Estranha forma de vida
Armando Aguiar Cor, tempo, Humor e Movimento 2002
“O homem está confrontado com uma patologia de insuficiência mais do que uma doença do erro.” Alain Ehrenberg, sociólogo
O medo de errar sempre poderia proporcionar uma ansiedade
localizada, mas ter medo de não estar à altura das exigências, de não conseguir
ser (belos, ricos, produtivos....), poderá acionar uma ansiedade flutuante e por isso mais aniquiladora.
A natureza do trabalho, a incompetência dos gestores, os objetivos não partilhados e a desumanização das relações laborais, são fatores que favorecem esta patologia. Mas nem sempre o tirano vem de fora. Vem muitas vezes do nosso interior, dos altos padrões que colocamos a nós próprios ou da nossa dificuldade em pedir ajuda – a super-mulher, super-mãe….é a caricatura.
A natureza do trabalho, a incompetência dos gestores, os objetivos não partilhados e a desumanização das relações laborais, são fatores que favorecem esta patologia. Mas nem sempre o tirano vem de fora. Vem muitas vezes do nosso interior, dos altos padrões que colocamos a nós próprios ou da nossa dificuldade em pedir ajuda – a super-mulher, super-mãe….é a caricatura.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Complexos de inferioridade
Diálogo do filme Os Marretas "Talvez não precises que o mundo todo te adore, sabes?"
A necessidade de provas constantes que o outro (mesmo com pouco significado para nós), nos aprove, ou a insatisfação com a pessoa que somos, faz com que a frase de Satre passe a ser “O inferno somos nós”:
"Certas pessoas, por exemplo, sentem-se facilmente desoladas devido à falta de apreço, demonstrada inclusive por indivíduos que pouco significam para elas; o motivo é que, em suas mentes inconscientes, sentem-se indignas de atenção de seus semelhantes, e uma reacção fria confirma sua suspeita a respeito dessa indignidade. Outras acham-se pouco satisfeitas consigo mesmas (não em termos objectivos) das mais variadas maneiras, por exemplo, no que concerne à sua aparência, ao seu trabalho, ou às suas habilidades em geral. Algumas dessas manifestações são bem comumente, reconhecidas e foram popularmente designadas de “complexos de inferioridade”.
As descobertas psicanalíticas revelam que sentimentos dessa natureza acham-se mais profundamente enraizados do que se costuma supor e estão associados a um sentimento inconsciente de culpa. O motivo por que algumas pessoas experimentam necessidade tão intensa de elogio e aprovação públicos, reside na necessidade que sentem de provas de que são amáveis, dignas de amor. Tal sentimento provém do temor inconsciente de serem incapazes de amar outras pessoas de maneira suficiente ou verdadeira, e particularmente de não serem capazes de dominar impulsos agressivos para com outros: temem constituir um perigo para o ser amado. " Melaine Klein
Melaine Klein e Joan Riviere Amor, Ódio e Reparação Imago editora
O artigo de Amanda L. Chan “We feel hurt even when strangers ignore us”, refere estudo, aqui.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
As atitudes ficam com quem as pratica
Oratório Paula Rego
“Lá no fundo, a vontade de destruir, direcionada para os outros, não é mais que a vontade de nos destruirmos a nós mesmos.”
Valerio Albisetti Ser amigo ou ter amigo? E. Paulinas
Quem me ofereceu este livro
surpreendeu-se que eu reconheça todo o sentido na frase “As atitudes
ficam com quem as pratica”. Com base neste pressuposto, está a ideia de que somos os
únicos responsáveis pelas nossas ações, e consequentemente, estamos
dispostos a suportar as consequências, se as houver, apesar de não termos
nenhum controle sobre elas. Se não houver consequências, ficamos bem. Não
ficamos.
Este estado prende-se com a
existência em nós, da imagem que cada um tem de si e da imagem que
tem do outro, o outro presente em nós, do que ele representa. É
o nosso património, causar-lhe dano, passa a ser a partir de agora, a
vontade de nos destruirmos a nós mesmos.
A inexistência desta continuidade
– o eu, o outro em mim - é o vazio, fonte de todas as violências. É a
ausência da ideia da própria bondade, e precisamos de nos considerarmos bons
para viver - todas as pessoas que têm saúde mental se consideram decentes.
Deveríamos ter medo de
quem não tem nada a perder. Ou de quem não quer saber de si.
sábado, 30 de abril de 2011
Não é só o Dexter que pode ter um código!
“Assim, por exemplo, um pai que na chegada do filho do colégio e ao ver as qualificações do filho repara e põe ênfase nas poucas matérias em que aquele não alcançou o grau máximo, está transmitindo ao filho uma regra segundo a qual a observação concentra-se no que falta para alcançar a perfeição. Mais ainda, se sua atitude é a frustração aberta ou encoberta, com rejeição do filho, brinda-o como código para uma futura identificação que, se não é o máximo, então não vale nada.”
Hugo Bleichemar O Narcisismo Artes Médicas
É por demais conhecido, através das terapias cognitivas, que os nossos pensamentos determinam a relação que temos connosco e com a realidade. Mas nunca é demais estarmos alerta para esses esquemas mentais que nos podem criar infelicidade.
Como no exemplo acima, o modo como o pai aborda as qualificações escolares, pode ser interiorizado pela criança como uma regra para a vida: não valer nada se não for o máximo, caso contrário, arrisca-se a perder o amor do outro, ou perder algo essencial. O que começou por um comentário do pai, pode-se converter numa característica de identidade: "eu tenho de ser o máximo, senão não valo nada".
Como no exemplo acima, o modo como o pai aborda as qualificações escolares, pode ser interiorizado pela criança como uma regra para a vida: não valer nada se não for o máximo, caso contrário, arrisca-se a perder o amor do outro, ou perder algo essencial. O que começou por um comentário do pai, pode-se converter numa característica de identidade: "eu tenho de ser o máximo, senão não valo nada".
Cada um de nós, vai assim adquirindo, através das nossas experiencias pessoais, um número finito (não infinito) de regras. Por exemplo, há famílias em que se toma por referencia o mérito ou os defeitos dos outros, e os comentários que se fazem encaixam nestes códigos. Mas não são só pensamentos ou frases. E, é esta a verdadeira questão, regem a nossa identidade - enunciação identificatória - que está presente na relação do indivíduo consigo próprio e com os outros.
O exemplo seguinte, pode ser ilustrativo. Uma pessoa diz para outra: “Por que não me compras-te o livro que te pedi”. Esta pergunta, encaixa numa regra que o individuo possui: “ Tu és mau, ou irresponsável, ou injusto”, que é uma característica de personalidade que interiorizou.
A pergunta poderá assim, ser sentida como um ataque pessoal e suscitar uma reacção desproporcionada. Para quem usa este código, o diálogo que começou com um livro, termina num discurso sobre se sentir incapaz como pessoa. Para chegar aqui, este indivíduo ao ouvir a pergunta, situa a mensagem no campo do amor-próprio, desqualifica-se, e a partir de um dado (esqueceu a compra do livro), atribui uma identidade: sou mau, irresponsável ou injusto. Ou quem sabe, poderá até pensar: qualquer coisa que faço mostra a minha incapacidade.
Não é só o Dexter que pode ter um código (fatal)!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Comunicar
“Temos de fazer as pazes com o facto dessa diferença consistir sobretudo nas mulheres em geral, serem mais realistas, mais abertas à verdade e aos factos. São mais humanas no sentido de estarem menos afastadas dos seus sentimentos, menos inclinadas a lhes escaparem com recurso a abstracções”.
Arno Gruen, A Traição do Eu, Assírio e Alvin
Na comunicação entre as pessoas, o refúgio em ideias abstractas serve de facto para aqueles momentos em que não nos queremos comprometer com uma atitude, falta-nos coragem ou, pretendemos filtrar sentimentos, isto é, escondê-los.
Mas acho que as nossas energias e o nosso tempo, deveriam ser gastos em tentarmos dizer o que realmente pretendemos. E exigirmos o mesmo do outro. Irá contribuir para o nosso bem-estar.
O pior é se, de tanto usarmos as abstracções, já não sabemos ao certo quais são as nossas necessidades. Assim, de tanto nos protegermos, a vida escapa-nos.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Inveja
Paula Rego, Branca de Neve e a sua Madrasta
Talvez as pessoas não saibam, eu não sabia até há pouco tempo, mas a literatura psicanalítica fala na possibilidade de se invejar a bondade, a capacidade de amar e ser amado, por serem qualidades positivas e admiradas pelo invejoso. Esta inveja (há outras), está muito próxima do ciúme e da dificuldade de aceitar as diferenças.
Penso, por exemplo, que muitos já sentiram na pele, os efeitos da inveja porque são pessoas acarinhadas pelos outros, bem-dispostas e com força de viver.
As relações minadas pela inveja, são tóxicas. Para a vitima, que é objecto de um ódio por vezes camuflado, e por isso tem maior poder destruidor, e para o invejoso, que se torna consciente do quanto é limitado, para além de deixar-se afectar pela culpa e pela baixa auto-estima pelo facto de invejar.
É de Melanie Klein o mais interessante estudo sobre a inveja. Klein escreveu, citada por Kate Barrows em, A Inveja, Editora Almedina: “A capacidade de dar e de preservar a vida é sentida como o maior dos dons e por isso a criatividade torna-se a principal causa da inveja”. Para além da criatividade, que pode ser invejada, “Klein sugeriu que a paz de espírito de uma outra pessoa pode suscitar inveja”.
A cura para o invejoso está na gratidão – preocupar-se com o outro, e ser capaz de aceitar o que este tem para dar.
domingo, 11 de julho de 2010
Tem de gostar
O Pecado: Necessidade desgovernada de aprovação.
Não é só atenção que
queremos. Queremos que através dessa atenção, o outro confirme o quanto
valemos.
Pomos essa
indispensabilidade no trono dos nossos desejos, como se disso dependesse a
nossa sobrevivência. E nessa ânsia, ultrapassamos a fronteira, porque devíamos
tentar agradar ao outro, só até certo ponto.
O ponto que ultrapassamos,
deu-se no momento em que julgamos que o outro não nos quer pelo que somos.
Perdemos a confiança nas nossas próprias capacidades e escondemos de nós
próprios e do outro, as nossas necessidades e os nossos interesses.
Por isso, a necessidade
desgovernada de aprovação, revela uma excessiva carência de auto-estima. Mas
isso não deveria fazer de nós vítimas, porque nessa busca desenfreada em
agradar, estão mil e um gestos com a intenção de controlar o outro, ou seja,
controlar o efeito que lhe causamos.
Tal como D. Quixote contra
moinhos de vento, sem darmos conta, temos a fantasia de uma auto - imagem
grandiosa, porque pouco corresponde à realidade. Da nossa realidade e da
realidade do outro, pouco queremos saber, ou não estamos preparados para
enfrentarmos o risco de nos pormos à mercê de sermos ou não sermos,
compreendidos e aceites pelo que somos. E se assim continuar, qualquer dia, nem
sabemos o que isso é.
domingo, 13 de junho de 2010
Dia de Santo António
É PROIBIDO
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor.
Pablo Neruda
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor.
Pablo Neruda
Aguarela, Alfama, Cristina Simões
Homenagem a Lisboa
Era o nosso lema de vida, quando tínhamos 18 anos (ainda é!). E nos Santos Populares, terminávamos a noite num banco de jardim e no cacau da Ribeira.
sábado, 12 de junho de 2010
O muro
“O essencial era um tipo manter-se impenetrável, era erguer um muro à sua volta e não deixar entrar ninguém. “
A Música do Acaso, Paul Auster Edições Asa
Ao convivermos com alguém que construiu um muro à sua volta – pior será se sente prazer no efeito que causa no outro - a nossa primeira protecção é de origem psíquica.
Ao reler ”O ódio necessário” de Nicole Jeammet, deparei com um texto sobre, digamos, os cuidados a ter nessa relação. Pela sensatez e beleza da escrita, transcrevo-o:
“No registo narcísico nunca nada é adquirido, e a corrida às honras ou aos diversos deslumbramentos procura acumular um vazio, que nada acumulará, um vazio que era o lugar de um objecto (pessoa), o qual não nos soube amar, um vazio que a partir de então se encontra ligado a qualquer encontro que se verifique.
Tomar consciência disso, permite sem dúvida, deixar de sentir o desprezo e a indiferença como muito dolorosos. Não se trata de nós mesmos – nós não existimos, ou existimos tão pouco! – mas do outro que construiu um muro em volta de si próprio. Estabelecer essa distância permite que nos situemos num lugar mais adequado.
Mas tal só será possível se, para nós a expectativa de um reconhecimento exterior não for demasiado grande. Encontramo-nos mais uma vez, tal como repetidamente tem acontecido, perante a necessidade de termos construído em nós um muro interior, no qual seja possível regular a própria estima, a fim de regular a distância relativamente ao objecto exterior (pessoa).
Esta distância permitirá então, passada a irritação, o exercício do espírito crítico, e por detrás das fachadas, a percepção, através de mil pequenos sinais, das dificuldades pessoais, das feridas em carne viva, dos desesperos secretos, e das vergonhas inconfessáveis…”
Foto: Igreja S. Domingos, Lisboa
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Paradoxo da muralha defensiva
“O essencial era um tipo manter-se impenetrável, era erguer um muro à sua volta e não deixar entrar ninguém. “
Paul Auster A Música do Acaso Edições Asa
Criamos uma fortaleza defensiva, não porque somos fortes, mas sim porque nos sentimos vulneráveis. É essa fragilidade que nos faz evitar as relações com os outros.
Para nos protegermos, tentamos afastar os perigos, mas, essa fortaleza defensiva, se outrora nos protegeu, é ela própria um perigo, porque o que nos obrigou a nos defendermos no passado, já não existe. Está só na nossa mente.
O outro, visto como um perigo, ao não o integrarmos na nossa vida, bloqueamos a possibilidade de chegarmos a conhecer o quanto somos capazes e o quanto somos limitados.
A nossa energia, que podia ser aplicada de um modo criativo nesta descoberta - a maravilhosa descoberta da vida - é investida na autopreservação.
domingo, 23 de maio de 2010
Nunca terei amor
Mathilde:" Amo, amo, está claro! Com a minha idade, onde poderá uma jovem, bonita, espirituosa encontrar sensações senão no amor? Por mais que faça, nunca terei amor a Croisenois, Caylus e Tutti quanti. São perfeitos, demasiado perfeitos, talvez; enfim aborrecem-me.”
Vermelho e o Negro, Stendhall
Croisenois, Caylus e todos os outros, embora perfeitos, não estão ao nível do ideal que Mathilde aspira para si. Na verdade, pensa que não vale a pena amar, nem ter medo de ser rejeitada, porque considera-se até bem melhor do que a imagem ideal do homem que seria capaz de a amar. Mas, estimula os admiradores, que são mantidos pela necessidade de ser aprovada e gratificada, sem estabelecer contudo, relações de intimidade. Sofre de sentimentos de vazio.
Mathilde é a personagem narcísica do romance.
Mathilde é a personagem narcísica do romance.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Por falar em pecados
Que venham mais dias assim, em que basta o sol.
E, para que tenhamos um raiozinho de sol, no coração, vou, a partir de hoje, abrir uma etiqueta Pecados. Não os pecados de que fala Carlos Drummond de Andrade, no poema “Sentimento de Pecado”:
Saio puríssimo para pecar de novo.
Padre Olimpico não se cansa,
Não me canso.
Mas os pecados que cometemos, e deveríamos estar alerta, porque fazem-nos mal à nossa saúde mental.
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