terça-feira, 5 de janeiro de 2010

As escolhas


“ O essencial é invisível para os olhos – disse a raposa” em O Principezinho de Antoine de Saint – Exupéry
O cerne do sentimento humano é invisível para os olhos, e escapa-nos sempre, como escreveu Paulo Auster em “A invenção da solidão”.

O essencial é o nosso comportamento, que resulta da nossa visão do mundo e determina o tipo de escolhas que fazemos.

Água Salgada (Porto Moniz)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os nossos direitos



Frank Sinatra em “My Way”, para ilustrar o tema que escolhi para hoje: os nossos direitos.

O psicólogo Eduardo Sá escreve no seu livro “Chega-te a mim e deixa-te estar”, que crescer é olharmos por nós (a capacidade de defendermos os nossos direitos, julgo eu). Concordo. Mas crescer é também aprender a tolerar o outro. E, não são condições que se excluam mutuamente - podem encerrar o risco de renascermos, aquando de um verdadeiro encontro com o outro.

Talvez seja isso a vida, um contínuo numa linha - às vezes mais longe ou mais próximo do outro, e mais longe ou mais próximo da capacidade de cuidarmos de nós.

No inicio do novo ano, julgo que será uma boa ideia desejarmos para nós próprios, que nos possamos suportar até ao fim da vida, tal como dizia uma personagem do filme “Os piratas das Caraíbas”.


Os direitos humanos:

• Decidir como conduzir a sua vida. Isto inclui perseguir os seus sonhos ou objectivos e estabelecer as suas prioridades.

• Ter os seus próprios valores, opiniões e emoções, e respeitar-se a si próprio por tê-las, independentemente da opinião dos outros.

• Não justificar ou explicar as suas acções ou sentimentos a outras pessoas.

• Dizer aos outros como deverão tratá-lo.

• Se exprimir e dizer “Não”, “Não sei”, “Não compreendo” ou “Não me interessa”. Tem o direito de levar o tempo que necessitar para formular as suas ideias antes de as exprimir.

• Pedir informações ou ajuda, sem sentimentos negativos relativos às suas necessidades.

• Mudar de opinião, de errar e de agir de maneira ilógica, por vezes, com completa aceitação e compreensão das consequências.

• Gostar de si próprio, mesmo que não seja perfeito (a), e que por vezes faça menos, do que aquilo que é capaz de fazer.

• Ter relações positivas e satisfatórias com quem se sente confortável e livre para exprimir-se honestamente, e o direito de mudar e acabar relações se elas não servem as suas necessidades.

• Mudar, aumentar ou desenvolver a sua vida de qualquer maneira à sua escolha.

Direitos foram extraídos do Manual do formando “Ser Teletrabalhador”, Gabriela Paleta, 2004.




quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Viagem

Desejo para 2010: Fazer uma viagem

É na passagem do ano, que nos relembramos da viagem que há muito ficou por fazer.

A tal viagem, ou simplesmente, a viagem, é revivida mesmo antes de se colocar com clareza na nossa mente, sobre qual o seu destino.

O que nos atira para esse propósito?
Fazer uma viagem é contrariar a vida que se leva até então, como se nos entregássemos a um renascimento.



Um livro sobre viagens: Michel Onfray, Teoria da Viagem, Editora Quetzal

Michel Onfray (filósofo) escreve:” Nós próprios eis a questão da viagem. Nós próprios e mais nada. Ou pouco mais. Pretextos, ocasiões, múltiplas justificações, sem dúvida, mas de facto fazemo-nos à estrada movidos unicamente pelo desejo de nos reencontrarmos, ou mesmo de nos encontrarmos. A volta ao mundo nem sempre basta para atingir este frente a frente. Por vezes nem sequer uma vida inteira. Quantos desvios ou quantos lugares, antes de saber que estamos na presença daquilo que levanta levemente o véu do ser? Os trajectos dos viajantes coincidem sempre, secretamente, com as procuras iniciáticas que colocam a identidade em jogo.”

“A viagem pressupõe uma experimentação sobre si próprio que remete para os exercícios habituais dos filósofos antigos: o que posso saber sobre mim? O que posso descobrir acerca de mim se mudar de lugar, de orientação e modificar as minhas referências? O que resta da minha identidade quando me liberto das amarras sociais, comunitárias, tribais, quando fico sozinho, ou quase, num meio ambiente quando não hostil, pelo menos inquietante, perturbador, angustiante?”.

Michel Onfray é um filósofo francês. Nasceu em 1959, em Argentan, no seio de uma família de agricultores normandos. Doutorado em Filosofia, leccionou no ensino secundário durante vinte anos. Em 2002, fundou a Universidade Popular de Caen, uma universidade gratuita, cuja concepção assenta nos princípios do seu manifesto La communauté philosophique. Onfray defende que não há Filosofia sem Psicanálise e os seus escritos celebram o hedonismo, a razão e o ateísmo.

É o autor do blogue: http://michel-onfray.over-blog.com/

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz Ano 2010


Eduardo Nery, Espaço Virtual, 1991
No Museu de Arte Contemporânea do Funchal, até 17 de Janeiro de 2010


O DESEJO


Na passagem de ano

Que o desejo eleve o olhar para o céu e que veja proveitos nas coisas do mundo.

Feliz Ano 2010



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Festas Felizes




NATAL

que insiste em nos relembrar

a vulnerabilidade de que somos feitos

e firmar o essencial.



Um Natal de Paz


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Amor


“Nós, as mulheres, o que nos faz amar um homem é aparentá-lo com tudo o que amamos” Agustina Bessa-Luís, escritora portuguesa (1922-)


Amar um homem, faz unir as partes fragmentadas da vida, e dar-lhes sentido. O único. O que sempre esteve lá, mas não reconhecido, até ao momento do encontro.

   
 

cristina simões rosto

domingo, 13 de dezembro de 2009

Dor psíquica

De inicio, é uma sensação de estranheza.

Como sem darmos por isso, fomos mudados, subitamente. Transportados.

Umas formas difusas, pessoas, coisas, movimentam-se. Não lhes advínhamos intenção. Se nos falam, não sabemos o que lhes dizer. Esquecemos o uso das palavras. Tornaram-se inúteis.

Uma matéria silenciosa, transborda e invade tudo.
É a dor psíquica.

Francis Bacon Head VI, 1949