O transtorno de personalidade narcisista está em vias de extinção. Não é mais considerado uma perturbação psiquiátrica, porque foi eliminado no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), que será lançado em 2013. Esta nova edição, eliminou cinco dos dez transtornos de personalidade que estavam identificados na edição anterior.
Vários investigadores já se manifestaram contra esta decisão, chamando de ignorantes aos autores do DSM 5.
É o momento de vos deixar a caracterização deste transtorno segundo Otto Kernberg :
O funcionamento dos indivíduos narcísicos depende da gravidade da sua patologia, numa escala que vai desde as personalidades quase “normais” até ao funcionamento quase limite.
Os que funcionam a um nível mais elevado (isto é têm uma patologia menos grave) não têm sintomas neuróticos e parecem adaptados à realidade social; têm pouca consciência da sua doença emocional, excepto uma sensação crónica de vazio ou aborrecimento e uma necessidade desgovernada de aprovação e êxito. Têm também uma notável incapacidade de empatia e de investimento emocional nos outros. Poucos procuram tratamento, mas posteriormente tendem a desenvolver complicações secundárias à sua patologia narcísica.
No nível mais baixo do contínuo (a patologia mais grave) encontram-se os doentes que apresentam funções defensivas desencadeadas por um self grandioso e patológico nas interacções sociais, mostram características borderline evidentes – isto é, falta de controlo dos impulsos, muito pouca tolerância à ansiedade, graves mutilações das capacidades sublimatórias, e uma predisposição para reacções explosivas ou raiva crónica ou para a execução de distorções paranóicos graves.
Otto Kernberg, Agressividade, Narcisismo e Auto-destrutividade na Relação Psicoterapêutica, Climpsi Editores