sábado, 11 de dezembro de 2010

O ingrediente secreto das religiões

Turner, The Angel standing in the Sun, 1846

É comum considerarmos que as pessoas que têm uma fé religiosa, são mais felizes. Os estudos de facto, parecem comprová-lo. Contudo, uma nova investigação de Chaeyoon Lim, sociólogo na Universidade de Wisconsin-Madison, concluiu que são as amizades construídas nas congregações religiosas, em vez da teologia ou espiritualidade, que dão satisfação à  vida.
Para saber mais, aqui

É esta a minha Mensagem de Natal: Que sejam felizes os momentos de convívio.




quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Reserva



Há situações na vida que nos provocam como defesa um certo retraimento. Podem estar relacionadas com atritos nas relações, ou perdas de vária ordem, como sejam os problemas financeiros, de saúde, luto ou divórcio. Resguardamo-nos. Porque quando as coisas são dolorosas vemo-las no campo das emoções e não no campo da consciência. Por isso faltam-nos durante algum tempo, as palavras para traduzir essas emoções, e os gestos dos quais possamos recuperar.
Culpamo-nos pela entrega a um tempo dorido e desajeitado.
Desconhecemos, que é um modo saudável e útil de nos protegermos.

Isabel Botelho no seu interessante texto “Do degelo psicológico como reanimação da paisagem” apresentado no Seminário "Amores em Tempos de Inverno" da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica, refere-se a este processo, como se fosse um congelamento do nosso eu.

Deixo-vos o pensamento do psicólogo Winnicott sobre este assunto:
É necessário incluir-se na teoria que cada um tem do desenvolvimento de um ser humano a ideia de que é normal e saudável para o indivíduo ser capaz de defender o self contra a falha (falência) ambiental específica através de um congelamento da situação de falha (freezing of the failure situation). A par disto, junta-se uma suposição inconsciente (que se pode tornar numa esperança consciente) de que, numa data posterior, ocorrerá a oportunidade de uma renovada experiência na qual a situação de falha se tornará capaz de ser descongelada e reexperimentada, com o indivíduo num estado regredido, num ambiente que faz uma adaptação adequada. A teoria está aqui a apresentar a regressão enquanto parte do processo de cura, um fenómeno normal que, efectivamente, pode ser convenientemente estudado na pessoa saudável”



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Amor em Tempos de Inverno

Este foi o título de um Seminário organizado pela Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica, que decorreu em Outubro passado. Foram oradores Coimbra de Matos e Carlos Amaral Dias, entre outros.

A expressão do amor: “Eu sei que tu percebes o que eu sinto, e que tu sabes que eu percebo o que tu sentes”, na comunicação de Coimbra de Matos














AS COMUNICAÇÕES:

Carlos Amaral Dias

Angela Lacerda Nobre

Avaliação Final

Caderno

Camilo Inacio

Carla Albano

Carlos Campos Morais

Coimbra de Matos

Considerações Finais

Dulce Vasconcelos

Filipa Costa Pereira

Isabel Botelho

João Balroa

João Pedro Dias

Jorge Caiado Gomes

José Manuel Matos Pinto

José Manuel Pinto

Luis Fagundes Duarte

Magda Furtado

Maria João  Saraiva

Miguel Correia



sábado, 4 de dezembro de 2010

O Mapa das Emoções

Emanuel Derman apresenta-nos um Mapa das Emoções a partir das emoções básicas do filósofo Spinoza: Prazer, Dor e Desejo. 
Repare-se que no Mapa,  embora no Amor possa haver prazer em causar dor, afirma-se para além daquele, e está muito longe da Crueldade. O Amor está muito próximo da Gratidão, da Aprovação, da Devoção e do Prazer.
  
Saiba mais aqui .
Leia também as respostas à  Pergunta do mês, da publicação Philosophy NowO que é o amor?


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Narcisismo no DSM – 5

O transtorno de personalidade narcisista está em vias de extinção. Não é mais considerado uma  perturbação  psiquiátrica, porque foi eliminado no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), que será lançado em 2013. Esta nova edição, eliminou cinco dos dez transtornos de personalidade que estavam identificados na edição anterior.
Vários investigadores já se manifestaram contra esta decisão, chamando de ignorantes aos autores do DSM 5.

É o momento de vos deixar a caracterização deste transtorno segundo Otto Kernberg :
O funcionamento dos indivíduos narcísicos depende da gravidade da sua patologia, numa escala que vai desde as personalidades quase “normais” até ao funcionamento quase limite.
Os que funcionam a um nível mais elevado (isto é têm uma patologia menos grave) não têm sintomas neuróticos e parecem adaptados à realidade social; têm pouca consciência da sua doença emocional, excepto uma sensação crónica de vazio ou aborrecimento e uma necessidade desgovernada de aprovação e êxito. Têm também uma notável incapacidade de empatia e de investimento emocional nos outros. Poucos procuram tratamento, mas posteriormente tendem a desenvolver complicações secundárias à sua patologia narcísica.
No nível mais baixo do contínuo (a patologia mais grave) encontram-se os doentes que apresentam funções defensivas desencadeadas por um self grandioso e patológico nas interacções sociais, mostram características borderline evidentes – isto é, falta de controlo dos impulsos, muito pouca tolerância à ansiedade, graves mutilações das capacidades sublimatórias, e uma predisposição para reacções explosivas ou raiva crónica ou para a execução de distorções paranóicos graves.

Otto Kernberg, Agressividade, Narcisismo e Auto-destrutividade na Relação Psicoterapêutica, Climpsi Editores

Para saber mais sobre a eliminação deste transtorno no DSM 5, clique (aqui).
O artigo de Peter Kinderman  no site "The Conversation": 
http://theconversation.com/explainer-what-is-the-dsm-14127

Para saber mais sobre este transtorno,  em que "...os pacientes não sofrem tanto de sintomas fixos e exuberantes na sua forma, mas, sim, de perturbações vagas, sentimentos de vazio e uma queixa frequente que se reflete na incapacidade de sentir as coisas e as pessoas", o artigo Ressonâncias do narcisismo na clínica


DSM -5 :
http://www.psychiatry.org/practice/dsm/dsm5/online-assessment-measures#Early






quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Otto Kernberg - Sobre o amor, o ódio e a inveja


A entrega

Filme: Lost in Translation

O homem que não atravessa o inferno das suas paixões não as supera. Elas se mudam para a casa vizinha e poderão atear o fogo que atingirá sua casa sem que ele perceba. Se abandonarmos, deixarmos de lado, e de algum modo esquecermo-nos excessivamente de algo, corremos o risco de vê-lo reaparecer com uma violência redobrada.
Carl G. Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões

Na rotina de todos os dias nem damos conta que há ideias que vagueiam pela nossa mente, indefinidas, que persistem num vaivém até adquirirem uma forma, um desejo. Podem dizer respeito a uma pessoa ou a uma ocupação. Hesitamos. Antevemos a necessidade de mudança, mas se esta coloca em causa o que julgamos seguro, tememos a queda. Cientes do que sentimos e queremos, e se chegada a esta fronteira, não fizermos o que poderíamos fazer, amputamos uma parte de nós.
A convicção dos que respeitaram a sua vontade interior, dará lugar à serenidade. A dor é superada.
Numa paixão que não conferiu à existência, um amor, nem damos conta que sobrevivemos à travessia, até que surge de imprevisto uma súbita alegria e uma saudade por quem éramos e por quem nos esquecemos.