terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O significado do mito de Édipo


Jean Auguste Dominique Ingres Édipo e a Esfinge

"O mito de Édipo tem a sua pré-história na condição, também ela mítica, de seu pai, Laio.
   Laio, rei de Tebas, era bissexual e abusara de um adolescente. Porém, nestes tempos recuados, a homossexualidade, privilégio dos deuses do Olimpo, era proibida aos humanos. Então o Oráculo avisa Laio que o castigo divino viria quando tivesse um filho: este matá - lo -ia e casava-se com a mãe, mulher de Laio, Jocasta.
   Quando nasce Édipo, Laio com a cumplicidade de Jocasta, manda expor o filho à morte por abandono nos montes Citeron, com os pés atados para não fugir. Édipo é salvo por um pastor e entregue aos reis de Corinto que, não tendo filhos, o adoptam.
   Em adulto, embora desconhecendo a história precoce e os pais biológicos – à revelia do consciente amor filial que lhes devotava, em leitura psicanalítica clássica -, vinga-se à mesma, matando Laio e casando com Jocasta.
   É este o destino do pai tirano – a morte afectiva na mente do filho (pela rejeição) – e pela infelicidade do tiranizado – a doença mental (pela tortura da culpa que lhe foi induzida). É a história do objecto patogénico e do sujeito patológico; da relação patológica e patogénica, disfuncional, doente e doentia, mórbida e morbígena – que produz e semeia doença. É a história do complexo de Édipo da neurose, da perseguição psicótica e da culpabilidade depressiva."

António Coimbra de Matos Relação de Qualidade penso em ti Climepsi Editores

sábado, 10 de dezembro de 2011

Looking up

de Joanathan Mak*

“Admiração. O nosso reconhecimento cortês de que a outra pessoa se assemelha a nós”
Ambrose Bierce (1842 – 1913) Jornalista e escritor.

Ao admirarmos alguém, essa pessoa assemelha-se à parte que apreciamos em nós, mas representa também as virtudes que nos esforçamos por alcançar. Liga-nos a um bem superior e ao futuro.

*imagem retirada da página do artista: http://jmak.tumblr.com/page/4


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Invejas partilhadas

"A inveja do homem pela mulher não é menos comum que a da mulher pelo homem, nem menos profunda. Mas ela é muito menos reconhecida e compreendida; e acredito que isso se deva não simplesmente ao preconceito masculino sobre esse delicado ponto, mas à natureza das coisas. No que concerne à inveja que o meninozinho sente pelos seios e pelo leite da sua mãe, ele mesmo é dotado de um órgão especial para enfrentá-los, o pénis. Ora suas irmãzinhas não possuem pénis ou seios, de forma que a sua satisfação e superioridade em possuir um pénis podem ser utilizadas para esconder e contrabalançar seu desejo de um corpo capaz de gerar e alimentar bebés. Durante toda a sua vida os homens continuam a utilizar-se dessa compensação contra a sua inveja das mulheres, e nessa compensação é encontrado um elemento de enorme significado psicológico do pénis. A principal razão porque a inveja dos homens em relação às mulheres permanece tão oculta é que ela diz respeito precisamente ao interior dos corpos femininos, às misteriosas funções e processos que se desenrolam, por assim dizer, magicamente, dentro das mulheres (suas mães), ao gerar bébés e produzir leite. É patente também que, da mesma forma que as mulheres invejam a iniciativa masculina, em contraposição os homens invejam a capacidade das mulheres em experiencias passivas, particularmente a capacidade de suportar e sofrer. O sofrimento atenua a culpa; em particular, a dor que traz a vida ao mundo é duplamente invejável, de maneira inconsciente, aos olhos dos homens." Joan Riviére

In Melaine Kleine e Joan Riviére Amor, Ódio e Reparação Imago Editora

Em texto foi publicado em 1937.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os generosos e os egoístas

detalhe da arquitetura de um edifício na Praça da Figueira - Lisboa

“No caso dos indivíduos cujas relações de objeto estão predominantemente no mundo exterior, dar tem o efeito de criar e engrandecer valores e de promover o autorrespeito; mas no caso de indivíduos cujas relações de objetos são predominantemente no mundo interior, dar tem o efeito de depreciar os valores e de diminuir o autorrespeito. Quando estes indivíduos dão, tendem para se sentir empobrecidos, porque quando dão, dão à custa do seu mundo interior.”
Ronald Fairbairn Estudos Psicanalíticos da Personalidade Editorial Veja

Confesso que quando me deparei com este texto, pensei “aqui está a explicação para a dificuldade dos egoístas em se dar aos outros, e a explicação para a felicidade das pessoas generosas”.
Os primeiros quando dão algo de seu, tendem a sentir um sentimento de vazio, os segundos sentem-se mais enriquecidos. Estou a me lembrar do modo desajeitado como aqueles o fazem, e do sofrimento a que isso os pode levar. Não costumam ter uma resposta adequada e oportuna às necessidades da outra pessoa, porque estão muito centrados neles próprios, pouco (ou nada) interessados no bem-estar dos que os rodeiam, e partilham a crença (por vezes dissimulada), que o outro e a sua diferença não poderão enriquecê-los. Estes indivíduos, ao estabelecerem relações com o mundo a partir deles próprios e das suas necessidades - as relações de objetos são predominantemente no mundo interior - manifestam dificuldades em atender à outra pessoa como diferente e possivelmente a necessitar de ajuda. Para ilustrar, podem até dar o que não faz jeito nenhum, ou falar deles próprios, quando no momento, é o outro que interessa.
Os generosos - as relações de objeto estão predominantemente no mundo exterior - sabem cuidar de si próprios e dos outros. Sabem que o desejo de ajudar, primeiro tem de nascer de um desejo para si próprio, e que devem ser generosos só até onde for possível.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Há dias assim


Greta Garbo: "I want to be alone." Há dias assim, mas hoje não é um deles. Que bom!
Só me comove a absoluta necessidade de retirar-se do mundo, onde tudo está em demasia, e regressar a uma relação de intimidade consigo própria.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Maldades

Maldades são verdades que fazem mal, que nascem muitas vezes da inveja. Marie - France Hirigoyen

A perversidade está em desarmar a vítima - como denunciar uma verdade?





Zeng Fanzhi little boy 2006