segunda-feira, 11 de junho de 2012

ENTREVISTA Coimbra de Matos na RTP2


António Coimbra de Matos psiquiatra e psicanalista, ontem em entrevista na RTP2 - Câmara Clara, aqui.

domingo, 10 de junho de 2012

O ressentimento #1


Diálogo do filme A Importância de Ser Ernesto de Barnaby Thompson: “Quem ventos semeia, colhe tempestades.”
“ No ressentimento trata-se de uma determinada reação emocional face a outra reação que sobrevive e é repetidamente revivida, escavando e penetra cada vez mais no centro da personalidade. É um voltar a viver a própria emoção: um voltar a sentir, um ressentir. Em segundo lugar, a palavra implica que a qualidade desta emoção é negativa, isto é, expressa um movimento de hostilidade. Talvez a palavra rancor fosse mais apropriada para indicar este elemento fundamental da significação. O rancor é, com efeito uma zanga retida, independente da atividade do Eu, que cruza o obscuro da lama e acaba de formar-se quando os sentimentos de ódio ou outras emoções hostis revivem repetidamente; não contém todavia nenhum desígnio hostil determinado, mas nutre com o seu sangue todos os desígnios possíveis deste tipo. O ressentimento é uma autointoxicação psíquica, com causas e consequências bem definidas.”
M. Scheler “El Resentimento en la moral” Buenos Aires México 1944
Mergulha-se nesta forma de ser que transfigura-nos.  Nega-se a realidade da passagem do tempo, num diálogo quotidiano com o sentimento de traição e com a convicção que o que aconteceu, não deveria ter acontecido. Acusa-se o outro, da inconsciência do risco comum. Entregamo-nos ao elogio de um conflito que nos parece, ou queremos que seja, inegociável. O que nos move, continuar, somente continuar. Mas só queremos nos sentir em paz.
Este ressentimento pode ser também por alguém que já faleceu. A zanga está em nos ter deixado, numa falta que julgamos, de momento, inconsolável. Mas também pode manifestar-se sobre nós próprios, por não sermos quem gostaríamos.  À medida que diminui o ressentimento, aumenta a preocupação e a responsabilidade.


Podemos chamar psicopata a uma criança de nove anos?


Fazem birras com uma intensidade que ultrapassa o razoável. Mas também sabem esperar pelo momento certo para retaliar. E parecem imunes às emoções que provocam nos outros. Chamam-lhes crianças duras-indiferentes e podem tornar-se adultos violentos (Elinor Carucci ).
"Normalmente, quando um menino de dois anos empurra a sua maninha mais nova e ela chora, e os pais ralham, essas reacções fazem o miúdo sentir-se desconfortável", "E esse desconforto impede-o de o repetir. A diferença com os miúdos duros-indiferentes é que eles não se sentem desconfortáveis. Por isso não desenvolvem a mesma aversão ao castigo ou à experiência de magoar alguém." “É em parte o que leva as crianças pequenas a portarem-se bem” Dan Waschbusch, - investigador da Universidade Internacional da Florida.
Ou seja, apresentam "três pontos principais - primazia do agir, ausência de conflito, incapacidade de transferência - parecem definir não só um comportamento, mas também uma organização específica que fica inscrita desde muito cedo"  Jean Bergeret. Como refere Robert Hare "A psicopatia na infância é pura realidade."
O artigo de Jennifer Kahn “Can You Call a 9-jears - Old a Psychopath” no The New York Times, aqui.

 Paul Bloom - professor de psicologia na Universidade de Yale:

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A última palavra dos Lusíadas

Dsconhecia até há bem pouco tempo que a última palavra dos Lusíadas é inveja.
Confesso que lembrei-me hoje, a propósito das críticas injustas e inoportunas, à nossa seleção de futebol:

“...
Da sorte que Alexandro em vós se veja
Sem à dita de Aquiles ter enveja.” (Canto X )
Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões

domingo, 3 de junho de 2012

O que precisamos

Harry Callahan Eleanor Chicago 1947 Fotografia 

Connosco
“Sabia que essa pequena chama era a minha consciência, a única luz que possuía. O conhecimento de mim mesmo era o único e o maior tesouro que possuía. Apesar de infinitamente pequeno e frágil comparado aos poderes da sombra, era uma luz, a minha única luz.”
C. G. Jung Memórias Sonhos reflexões Editora Nova fronteira

Com os outros
“E se quero algum poder? Sim: o de ser ouvido quando peço a atenção. É só esse em suma, o que toda a gente quer do nascimento à morte.
Tão simples como isso: que tenhamos o direito de existir - cá fora e na mente de quem gostamos. Isso não é mentira, é toda e só a verdade."
António Coimbra de Matos Relação de Qualidade, Penso em Ti Climepsi

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ideias fixas


Haring Keith, 1982

“…o sujeito por intolerância à frustração tentando evitar a todo o custo a dor mental, arranja uma forma especial de pensamento – extremamente rígido – ao colocar-se sempre numa determinada perspetiva, acomodando tudo o que vem do exterior, todo e qualquer pensamento diferente, àquilo que lhe convém, invertendo sempre habilmente as coisas.”
Maria de Fátima S. Cabral Pensar a Emoção

Julgo que muitos de nós se confrontam no dia-a-dia, em particular em certos ambientes profissionais, em que se lança uma ideia renovada (quando é possível se expor ideias), a qual é rejeitada de imediato, ou com um prazer inconfessado, é recusada com um argumento após outro, que tal já foi posto em prática.
São múltiplas as variantes que poderiam ilustrar o texto apresentado, também na vida pessoal e social, em que, tal como numa atitude perversa, pode-se saber mas recusa-se a abertura ao conhecimento,  à ligação ao outro e ao mundo de um modo diferente e que poderia ser potenciador de crescimento pessoal. Mas contrariamente, esta rigidez de ideias é apresentada por vezes, com vaidade, a vaidade da ignorância, e como sinal de firmeza e rigor.
O novo mete medo. Provoca que nos confrontemos com a possibilidade do nosso insucesso. É um terreno deslizante no qual se podem perder as coordenadas. Não se confia que se seja capaz de enfrentar esta incerteza, porque não se é capaz de lidar com uma dor que não se sabe nomear. Não se está preparado para o amor à vida e ao conhecimento, porque se está psicológicamente doente.

Freud e as mulheres



“Nesta descrição da vida amorosa todo o parti pris de rebaixar a mulher me é estranho....Mais, estou a ponto de admitir que existe uma quantidade de mulheres que amam segundo o tipo masculino e desenvolvem igualmente uma sobrevalorização sexual própria deste tipo.” (Freud, 1914)
…
"Freud assume uma atitude de fascínio pela mulher, atribuindo-lhe um estatuto de grande desproteção e fragilidade, em que ele responsabiliza a sociedade da época, considerando que o tipo de relação de objeto, narcísico, pelo qual a mulher opta corresponde a uma compensação dessa falta. Considera no entanto que algumas podem optar pela escolha de objeto masculina. Nestas posições, Freud não considera a mulher na sua originalidade e diferença, sendo definida sempre em comparação com o masculino."
Teresa Flores Narcisismo e Feminilidade Climepsi.