domingo, 22 de novembro de 2015

Narciso por Carlos Amaral Dias

“Retomaríamos aqui, ainda que de outra forma, o mito de Narciso. A tragédia que o mito de Narciso descreve não diz respeito apenas à incapacidade de amar, ou ao amor voltado para si mesmo e que exclui o outro, mas também nos remete para a impossibilidade de alguns sujeitos terem uma vida própria, na medida em submergem no desejo ou na dificuldade de quem cuidou deles nos momentos iniciais, É que a mãe de Narciso, por temer que a beleza dele pudesse ofender os deuses ignora e interdita nele o que ele tem de mais particular: a sua beleza. Narciso, por sua vez, submetendo-se ao temor materno, fica cego em relação à sua própria beleza, desconhecendo o que há de mais singular em si próprio”.

Carlos Amaral Dias O obscuro fio do desejo Fim de século

A mãe de Narciso ao não reconhecer e aceitar o que o seu filho tinha de particular - a sua beleza -, e por temor dessa diferença, interpela sobre o futuro, Tirésias, que simboliza a autoridade do perito, o especialista, o poder masculino.
É a metáfora da obsessão pela normalidade, de uma mãe frágil, insegura do seu papel, estendendo estas dificuldades ao filho, que se manifesta, por isso, incapaz de trilhar a sua identidade única e singular.

O meu tributo a Carlos Amaral Dias, com quem se aprende sempre, penetrante, o que só acontece com os grandes autores.

Pintura de Jorge Rodriguez Gerada


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Entrevista a Carl Gustav Jung


Entrevista realizada com o psicólogo suíço Carl Gustav Jung em sua residência, na cidade de Zurique, Suíça.

sábado, 24 de outubro de 2015

sábado, 17 de outubro de 2015

Sentido e significado

Daniel Blaufuks

“O jovem de hoje, quando pergunta se você “está ligado?”, não está sendo tonto e nem superficial, como podem pensar os seus pais. Não se trata no “tá ligado?” de uma banal linguagem fática, de testagem do canal comunicativo. O que ele pergunta é se o que faz sentido para ele, de uma forma única, faz sentido para você. Sentido e não significado. Algo que toca um, também toca o outro, mas de maneira diferente. E essa diferença é sustentável. As pessoas não precisam compartir o mesmo significado para estarem juntas. “
Jorge Forbes Girassois clinicando as psicoses.


Cada um de nós ao longo da vida experienciou situações diferentes, com pessoas distintas, e em contextos emocionais irrepetíveis. Dessas vivências, em particular na família, vingaram significados pessoais sobre as coisas – a posse do outro sinónimo de “amor”; mais tarde, numa relação, achar que não é amado quando o outro se distancia….
O princípio de ficar próximo é compreendermos que,  com este património pessoal de significados, ouvir o outro é mudarmos a nossa percepção, desbravar memórias até ao osso, por vezes chegadas de tão longe, de maneira a nos aproximarmo-nos do seu real pensar e sentir, e encontrarmos, não necessariamente o mesmo significado – que milagre seria -, mas sentidos partilhados.
Não perceber o que toca ao outro, a persistir, é a expressão da não ligação, sem violência, sem crueldade, mas desoladora. Não há vida em conjunto para viver. 


sábado, 3 de outubro de 2015

Raivas adolescentes

Uma passagem do artigo de Daniel Sampaio psiquiatra e terapeuta familiar, editado na Pública de 29 de Maio 2011, com o título Raivas adolescentes:
 "  (...)
 A raiva é sempre destruidora se for deixada crescer sem a entendermos. Se a enterrarmos, poderá contribuir para uma depressão. Se a "tratarmos" com álcool ou drogas, procurando que essas substâncias a acalmem, passaremos a ter mais um problema. Se a exteriorizarmos sempre, poderemos transformar-nos em alguém conflituoso e insuportável.
    É fundamental conhecer a raiva destes adolescentes agressivos. Muitas vezes viveram com pessoas sem controlo emocional, que veicularam sempre a ideia de que a violência tudo pode resolver. Noutros casos, viveram em famílias "perfeitas", onde ninguém podia gritar e qualquer manifestação agressiva era associada à loucura: na adolescência, na luta pela autonomia, a raiva finalmente libertada encontra nos mais próximos o alvo preferido. Por vezes, são vinganças face a pais maltratantes na infância (abusadores, por exemplo), que explodem quando o medo físico dos familiares é agora ultrapassado por um corpo juvenil cheio de energia.
    Compreender não significa mudar. Feita a história da relação, é crucial intervir. Conhecer a raiva. Compreender que não se fica agressivo para sempre. Perceber que não se pode ficar parado, num ritual de progressiva auto-humilhação. Concluir que intimidar os outros nos pode deixar mais sós (....)"


AJUDAR OS ADOLESCENTES A DISCRIMINAR AS EMOÇÕES QUE ESTÃO NA BASE DA RAIVA (de modo a definir um plano de ação)



quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A metáfora do Turista e do Vagabundo


Jef f- Wall The Trinker, 1986

“Manter o jogo curto significa tomar cuidado com os compromissos a longo prazo. Recusar-se a “se fixar” de uma forma ou de outra. Não se prender a um lugar, por mais agradável que a escolha possa parecer. Não se ligar à vida, a uma vocação. Não jurar carência e lealdade a nada ou a ninguém (…) consequentemente, já não há “para a frente” ou “para trás” o que conta é exatamente a habilidade de se mover e não ficar parado.”
Zygmunt Bauman “O mal – estar da pós modernidade” Zahar Editor

Podem ser variados os ambientes em que nos depararmos com pessoas que não mostram interesse em conhecer e se comprometer com o outro e com a organização na qual estão inseridos. Comportam-se como se não tivessem obrigações, e se lhes detetamos alguma adesão a um objetivo comum, quando damos por nós, já perderam a firmeza - conectam e desconectam como no mundo virtual. E, se se movem, não parece que o façam com conhecimento das matérias/realidades e com séria vontade em resolver os problemas. 
Ao desabafarmos a nossa indignação ou perplexidade, com alguém da velha guarda ligado à saúde mental, para além de considerar que poderá revelar-se uma  postura  altamente danosa caso ocorra em certos contextos, - na saúde, educação, justiça,,,- dirá que essas personagens encontram-se na linha do psicótico autista, pela ausência de consciência e ligação com o real.
Mas, outra leitura deste mesmo fenónemo está caracterizado no livro “O mal – estar da pós modernidade” do sociólogo Zygmunt Bauman, cap.VI, que recorre a uma metáfora para descrever a experiência dos indivíduos na atualidade - os turistas, que se movem, mas sem objetivos definidos e que “colocam os sonhos de nostalgia acima das realidades da casa”, e os vagabundos que se julgam livres por não terem de viajar de um lado para outro, sendo o movimento para estes, uma imposição.
Ambos detetam-se pela inconstância e incoerência, pelo que, a ideia não é criar, descobrir um modo de ser, mas impedir que uma identidade se cole demasiado depressa ao corpo.  
São seres errantes, tal como reafirma Carlos Amaral Dias, em “O obscuro fio do desejo”, dotados de desinvestimento afetivo, falta de ancoragem, sem lealdade para com as pessoas e para com os lugares.
Se as minhas palavras não vos seduziram, devo dizer-vos que a leitura de Zygmunt Bauman divertiu-me imenso, é muito humorada, mas tive de pensar em alguém em particular, no mundo do trabalho. É assustador e hilariante ao mesmo tempo, relembrar que até a postura se assimilava à personagem incarnada, e consoante as pressões do ambiente (prazos a cumprir…), verificou-se a alternância de vagabundo para turista, sem contudo perder a fluidez.


Acrescente-se que, todos nós, qualquer organização e respetiva liderança, podemos estar confinados a nos situarmos num contínuo entre o “turista perfeito” e o “vagabundo incurável”.



domingo, 2 de agosto de 2015

Entrevistas na rádio


Shrink Rap Radio is a popular psychology podcast hosted by David Van Nuys, Ph.D., and features many leading experts in various categories of psychology, psychotherapy, and other mind/body related topics.  You can find this podcast by searching iTunes for “Shrink Rap Radio” under podcasts or go to the website www.shrinkrapradio.com and download the many interviews Dr Van Nuys has freely available. We would also encourage regular listeners to financially support Shrink Rap Radio as it is a wonderful treasure house of wisdom and knowledge for all psychologists and therapists alike.

http://shrinkrapradio.com/