domingo, 17 de abril de 2011

Estratégias da inveja

J. Bret, Glaciar de Rosenlaui (detalhe)

A inveja – a avidez em possuir o que o outro tem de desejável - que é uma forma de ódio a essa pessoa, tem as suas estratégias em se fazer revelar. Mas sendo um sentimento não admitido, manifesta-se de um modo disfarçado.
As estratégias da inveja são:

- A idealização: não confundir com o reconhecimento das qualidades do outro ou da qualidade da sua obra, mas sim com a recusa em admitir o mau ou o “menos bom”. É a tendência a criar um mundo perfeito. A idealização pode ser uma defesa efectiva contra a inveja, pois coloca fora da esfera da competição para que a pessoa não precise invejar o outro ou os bens que ele possui.

- A desvalorização do outro: funciona também como um modo disfarçado de invejar – se o outro não vale nada eu não o posso invejar (mas invejo).

- A desvalorização de si mesmo: quem utiliza este mecanismo desvaloriza as suas próprias qualidades. A inveja experimentada relativamente àqueles que estão na sua origem, isto é os pais, é negada.

- A activação da inveja nos outros: invertendo a situação intolerável para si mesmo, isto é fazer-se invejar (por posses, status, poder….).

- A repressão dos sentimentos de amor e a intensificação do ódio. Se “não se pode ver alguém” pode-se, odiando esse alguém, ignorar a própria inveja.

- O estabelecimento de laços de cumplicidade: para se viver através do outro, numa confusão de quem é quem.

A inveja foi ultrapassada nas pessoas genuinamente generosas,  que reconhecem e deslumbram-se pelas qualidades e feitos dos outros. Um desafio para as personalidades narcísicas.

Elaborado com base em: Nicole Jeammet, O ódio necessário, Editorial Estampa.


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