segunda-feira, 16 de março de 2020

A maioria de nós está submersa


 “A maioria de nós está submersa em um transe hipnótico que remonta aos primeiros anos. Permanecemos nesse estado até que de repente despertamos, e descobrimos que nunca vivemos ou que vivemos induzidos por outros que, por sua vez, foram induzidos por outros. A ideologia é subterrânea. Tudo é como um profundo mal-entendido. Se despertamos de repente, ficamos loucos. Se despertamos pouco a pouco, nos tornamos inevitavelmente revolucionários em algumas de suas múltiplas formas, e então tentamos modificar destinos. Se não despertamos nunca, somos gente normal e não prejudicamos ninguém”.*
Pavlovsky apud Fernàndez

“…Se não despertamos nunca, somos gente normal e não prejudicamos ninguém”. Receio que assim não seja. Talvez não prejudiquem ninguém, mas nós, os que achamos que gente que não desenvolve a consciência de si no mundo, que não se tornou o que é, também não tem a capacidade de perceber o outro e de sentir o que está a sentir.
Não são seres misteriosos, são personagens opacas. Nem entram pela loucura. São entidades gelatinosas onde parece não habitar o amor, nem o ódio.

* in Ana Paula Decnop de Almeida Quando o vínculo é doença: a influência da dinâmica familiar na modalidade de aprendizagem do sujeito  Rev. Psicopedagogia 2011; 28(86): 194-200


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

domingo, 26 de janeiro de 2020

Aprender a agir


Study of a Tree Johann Scheurer

Agir de modo a aumentar sempre o número de escolhas possíveis” 

Heinz Von Foerster 1975

O passo decisivo consiste em acreditar, com a profunda necessidade humana em se iludir, que qualquer coisa que ainda não se vê, inaugura um tempo novo.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

quarta-feira, 10 de julho de 2019







Darius Laurinavicius


Start - Cabo Girão Skywalk 0:30s - Vereda do Pico Ruivo (PR1) 1:58 - Vereda dos Balcões (PR11) 2:39 - Porto Moniz Natural Swimming Pools 2:58 - Levada das 25 Fontes (PR6) 3:13 - View point near Faial (32°47'31.57"N 16°51'18.14"W) Music: Antarctic breeze - prometheus



sexta-feira, 5 de julho de 2019

A mulher como objeto


imagens publicitárias


A mulher representada anula-se como pessoa e assume o papel do objeto observado, vendido, comprado e consumido. Quando as mulheres são objetificadas são também tratadas como corpos que existem para o uso e o prazer dos outros. O corpo é despojado de individualidade e personalidade. O primeiro passo em direção da objetivação sexual é o olhar objetificador. O conceito de objectification (sobre o qual já tinham falado Catharine MacKinnon e Andrea Dworkin) foi aprofundado pela filósofa Martha Nussbaum (1999). De acordo com a mesma, as dimensões da objetificação manifestam-se através de sete características:
  1. Instrumentalização: o objeto é um instrumento usado pelos outros;
  2. Negação da autonomia: o objeto é uma entidade sem autonomia e autodeterminação;
  3. Inércia: o objeto é uma entidade que não conhece a capacidade de agir e de ser ativo;
  4. Intercambiabilidade: o objeto é intercambiável com outros objetos da mesma categoria;
  5. Violabilidade: o objeto é uma entidade não íntegra, portanto, é possível reduzi-lo em pedaços;
  6. Propriedade: o objeto pertence a alguém e pode ser vendido ou emprestado;
  7. Negação da subjetividade: o objeto é uma entidade cujas experiências e cujos sentimentos são trascuráveis.

Se as mulheres são objetos sexuais, consequentemente podem ser tratadas como tais, portanto violadas, abusadas, maltratadas. O controlo sobre o corpo da mulher e sobre a sua reprodução social continua a constituir um importante ponto não resolvido na sociedade capitalista e androcêntrica, daí a sua objetificação.

In A imagem violenta gera violência: viagem através da representação destorcida do corpo feminino na publicidade italiana. Débora Ricci


Esta comunicação da investigadora Débora Ricci, que eu considero muito interessante,  integra o livro Estudos de género. Diversidade de olhares num mundo global, coordenado por Anália Torres, Dália Costa e Maria João Cunha. O livro tem origem num conjunto selecionado de comunicações apresentadas no I Congresso Internacional promovido pelo CIEG, Centro Interdisciplinar de Estudos de Género, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa) - disponível em:http://cieg.iscsp.ulisboa.pt/

Nota: as imagens foram retiradas da mesma comunicação