quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Entrevista do Expresso a Coimbra de Matos

Expresso – Revista E (18-02-2017)
Texto: Carolina Reis; Fotografia Marcos Borga
Ler na íntegra, AQUI
António Coimbra de Matos, 87 anos, médico psiquiatra e psicanalista português.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O narcisista e seus parceiros #3

René Magritte Os amantes

Alguém num comentário neste blogue, no post “O narcisista e seus parceiros#1” escreveu que considerava que no casal em que um dos parceiros é narcisista (autoconcentrado, com mania das grandezas e de ser admirado), e o outro sofre de transtorno de personalidade dependente (ou adicto no amor), podem ser felizes juntos.
Na minha opinião, dificilmente o serão. 
Posso imaginar onde reside a confusão. Pelo facto do individuo narcísico ter  necessidade constante de admiração e aprovação e a pessoa que sofre de transtorno de personalidade dependente, abdicar da sua identidade e submeter-se, vivendo para satisfazer o amante, podemos pensar que este arranjo cria equilíbrio e felicidade no casal.
Porém, a pessoa que sofre de transtorno de personalidade dependente, depende do amante, mas ela própria, tem necessidades que são tão insaciáveis - narcísica como ela também é - que tornam-se opressivas, não restando disposição para se concentrar nele.   
Vivem então, o clássico laço duplo do narcisista, cada um precisa do outro, mas não tem nada para dar.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016


Sophia Loren em "Ontem, Hoje e Amanhã".

O que melhor nos engana revela aquilo que mais se deseja

Honthorst, Gerrit Von

Não vale a pena nos perguntarmos “onde eu estava antes para me ter deixado cair no logro?”. 
Se nos deixamos iludir, é porque estávamos sedentos do que ele representava.

in Boris Cyrulnik O sexto sentido

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O mapa

Vitor Brauner Prelude to a civilization 1954


“Do mesmo modo, pensa-se que um individuo constrói um modelo operacional de si mesmo, em relação a quem os outros responderão de certas formas previsíveis. O conceito de modelo operacional do eu compreende dados que são atualmente concebidos em termos de autoimagem, autoestima, etc. 
Em que medida tais modelos operacionais são produtos válidos da experiência real de uma criança ao longo dos anos, ou são versões distorcidas de tal experiência, é uma questão se suma importância.  Os trabalhos de psiquiatria da família dos últimos 25 anos apresentaram numerosos dados sugerindo que a forma que o modelo adota é, de fato, fortemente determinada pelas experiências reais de uma criança durante a infância, muito mais do que se suponha antes. Este é um campo de interesse vital e requer, urgentemente, uma investigação especializada.  Um problema clínico e de pesquisa consiste em que os indivíduos perturbados frequentemente parecem manter dentro deles mais de um modelo operacional tanto do mundo como do eu-no-mundo. Além disso, tais modelos múltiplos são frequentemente incompatíveis entre si e podem ser mais ou menos inconscientes “.
John Bowlby Formação e rompimento dos laços afetivos Martins Fontes

O mapa (mental) ou o modelo operacional tanto do mundo como do eu-no-mundo:
A possibilidade de criar uma percepção emocional clara de si e do seu mundo, em conjunto com um código de acção. Nem todos o conseguem. 
Para estes, os indivíduos perturbados (nas palavras de John Bowlby), os carenciados precoces, dispersos, o mundo apresenta-se incoerente e tudo agride.