quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O MENTAL – Festival da Saúde Mental




Tem como propósito combater o tabu e o estigma que envolve a saúde mental, trazendo-a à discussão popular através do cinema, das artes e da informação.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Aqueles que exigem muito dos outros


“Aqueles que exigem muito dos outros, na realidade, raramente dão muito aos outros.”

 Melanie Klein, Joan Riviere  Amor, Ódio e Reparação

domingo, 2 de setembro de 2018

A encenação

Jack Vettriano

Preedy, um inglês em férias, faz a sua primeira entrada em cena na praia do seu hotel estival em Espanha:

"(…) Dir-se-ia que a praia estava deserta. Quando por acaso aparecia uma bola lançada na sua direção, ele parecia surpreendido; deixaria depois um sorriso divertido iluminar-lhe o rosto (Preedy Simpático), olharia à volta, espantado por haver pessoas na praia, devolveria a bola com um sorriso para si próprio para ninguém, e depois retomaria a sua inspeção despreocupada e tranquila do espaço em redor.
Mas eram horas de proceder a uma pequena exibição, a exibição de Preedy Ideal. Com gestos subtis deixou à vista de quem quisesse olhar o título do livro que trazia – uma tradução espanhola de Homero, um clássico portanto, mas nada de audacioso nem cosmopolita – e a seguir fez cuidadosamente com o seu roupão de praia e com o seu saco, um único volume, protegendo-se da areia (Preedy Organizado e Atilado), ergueu-se lentamente para distender à vontade o corpo enorme (Preedy Grande Felino), e deixou cair para o lado as sandálias (Preedy Afinal- Despreocupado).
(…)
William Sansom, A Contesto of Ladies

Uma pequena parte, deliciosa, de um episódio romanesco da obra de William Sansom, utilizado por Erving Gofffman* para ilustrar a comunicação. 
Na situação, as intenções (inconscientes ou não), de impressionar as outras pessoas que se encontram na praia, podem ser correta ou incorretamente compreendidas, resultado que escapa ao controle de Preedy, podendo ficar a um passo de tornar-se ridículo.  

*Erving Goffman "A representação do eu na vida de todos os dias” – uma obra essencial que eu conservo religiosamente e recorro sempre que necessito compreender melhor o comportamento humano em sociedade.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

O novo paradigma do sofrimento mental



Michelangelo Merisi da Caravaggio Penitent Magdalene

"Com essa falta de tempo (da falta de tempo na modernidade), você não tem uma construção complexa do espírito. Freud falava muito dos sintomas, das construções patológicas. Hoje as patologias ficaram simplórias e pobres de representação. O pânico, por exemplo. A pessoa acha que está morrendo e não sabe falar disso, não tem discurso. As depressões melancólicas são grandes vazios. A pessoa precisa ter repertório de sofrimento, senão ela fica muda diante dos fatos, paralisada, dá branco. Um analista era visto, no senso comum, como um interpretador. Agora tem de ser um construtor. Somos construtores de sonhos. Com seu paciente, o analista passa a ser um construtor de acervo onírico, construindo uma cultura pessoal. Essa é uma mudança radical de paradigma de sofrimento mental."
Leopold Nosek, psicanalista, um dos maiores especialistas em Freud

Esta é a resposta de Leopold Nosek a Alice Granato, face à pergunta “ Que tipos de problema isso (a falta de tempo na modernidade) pode gerar?”, em entrevista publicada recentemente na Revista Época.
Dou-lhe especial relevância, porque refere-se no meu entender, a um novo fenómeno que se observa, com frequência, no apoio psicológico: as narrativas pessoais dos sujeitos são desprovidas de profundidade emocional. Pouco ou nada é problematizado, sentido.
É como se coisa nenhuma se passasse dentro do individuo, que tivesse significado para ele, nem parece padecer de um vazio que, mesmo angustiante, se declare comovente para quem ouve. Falta-lhe consciência do sentido de existência.

A entrevista na íntegra com o título "As grandes infelicidades não aparecem nas redes sociais e as grandes felicidades também não.": 

domingo, 29 de julho de 2018

Os firmemente ancoradas na realidade

William McGregor Paxton, 1909 

“… pode-se afirmar que existem pessoas tão firmemente ancoradas na realidade objetivamente percebida que estão doentes no sentido oposto dada a sua perda de contato com o mundo subjetivo e a abordagem criativa dos fatos.”  

Winnicott O brincar e a realidade

Estou a pensar naquelas pessoas que embora pareçam saudáveis, estão doentes. Conhecemo-las. Traçam um percurso de vida com base em pensamentos pouco profundos de que não se deve perder tempo com pobres, fracos, gente que não tem nada para dar, e em torno do qual organizam um mundo pequeno, preconceituoso e racista. O que lhes permite viver a vida, julgam, sem serem invadidos pela dor e pela perda, porque não suportam estar a sós com as suas angústias (Amaral Dias). 
São híper adaptados a um real que não transformam pela emoção.
E, educam os filhos nessa disciplina mental, de saber escolher quem interessa e quem não interessa, de modo a serem e estarem entre os melhores.






domingo, 15 de julho de 2018

Loucura #1



Mural de Blu - Marrocos 2012

“Se um adulto nos reivindicar a aceitação da objetividade dos seus fenómenos subjetivos, discernimos ou diagnosticaremos nele loucura” 

Winnicott, D., O brincar e a realidade