quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Viagem

Desejo para 2010: Fazer uma viagem

É na passagem do ano, que nos relembramos da viagem que há muito ficou por fazer.

A tal viagem, ou simplesmente, a viagem, é revivida mesmo antes de se colocar com clareza na nossa mente, sobre qual o seu destino.

O que nos atira para esse propósito?
Fazer uma viagem é contrariar a vida que se leva até então, como se nos entregássemos a um renascimento.



Um livro sobre viagens: Michel Onfray, Teoria da Viagem, Editora Quetzal

Michel Onfray (filósofo) escreve:” Nós próprios eis a questão da viagem. Nós próprios e mais nada. Ou pouco mais. Pretextos, ocasiões, múltiplas justificações, sem dúvida, mas de facto fazemo-nos à estrada movidos unicamente pelo desejo de nos reencontrarmos, ou mesmo de nos encontrarmos. A volta ao mundo nem sempre basta para atingir este frente a frente. Por vezes nem sequer uma vida inteira. Quantos desvios ou quantos lugares, antes de saber que estamos na presença daquilo que levanta levemente o véu do ser? Os trajectos dos viajantes coincidem sempre, secretamente, com as procuras iniciáticas que colocam a identidade em jogo.”

“A viagem pressupõe uma experimentação sobre si próprio que remete para os exercícios habituais dos filósofos antigos: o que posso saber sobre mim? O que posso descobrir acerca de mim se mudar de lugar, de orientação e modificar as minhas referências? O que resta da minha identidade quando me liberto das amarras sociais, comunitárias, tribais, quando fico sozinho, ou quase, num meio ambiente quando não hostil, pelo menos inquietante, perturbador, angustiante?”.

Michel Onfray é um filósofo francês. Nasceu em 1959, em Argentan, no seio de uma família de agricultores normandos. Doutorado em Filosofia, leccionou no ensino secundário durante vinte anos. Em 2002, fundou a Universidade Popular de Caen, uma universidade gratuita, cuja concepção assenta nos princípios do seu manifesto La communauté philosophique. Onfray defende que não há Filosofia sem Psicanálise e os seus escritos celebram o hedonismo, a razão e o ateísmo.

É o autor do blogue: http://michel-onfray.over-blog.com/

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz Ano 2010


Eduardo Nery, Espaço Virtual, 1991
No Museu de Arte Contemporânea do Funchal, até 17 de Janeiro de 2010


O DESEJO


Na passagem de ano

Que o desejo eleve o olhar para o céu e que veja proveitos nas coisas do mundo.

Feliz Ano 2010



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Festas Felizes




NATAL

que insiste em nos relembrar

a vulnerabilidade de que somos feitos

e firmar o essencial.



Um Natal de Paz


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Amor


“Nós, as mulheres, o que nos faz amar um homem é aparentá-lo com tudo o que amamos” Agustina Bessa-Luís, escritora portuguesa (1922-)


Amar um homem, faz unir as partes fragmentadas da vida, e dar-lhes sentido. O único. O que sempre esteve lá, mas não reconhecido, até ao momento do encontro.

   
 

cristina simões rosto

domingo, 13 de dezembro de 2009

Dor psíquica

De inicio, é uma sensação de estranheza.

Como sem darmos por isso, fomos mudados, subitamente. Transportados.

Umas formas difusas, pessoas, coisas, movimentam-se. Não lhes advínhamos intenção. Se nos falam, não sabemos o que lhes dizer. Esquecemos o uso das palavras. Tornaram-se inúteis.

Uma matéria silenciosa, transborda e invade tudo.
É a dor psíquica.

Francis Bacon Head VI, 1949

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Amor

A lógica do amor: desejar abandonar-se ao outro e fazê-lo.


(Rodin - o beijo)


Sofrimento psicológico


lógica do sofrimento psicológico: a ausência de sentido e a consciência dessa dor.


“Como Nietzsche tão bem compreendeu, nós sofremos mais com a falta de sentido do sofrimento do que com próprio sofrimento
L Défaite de la volonté - Jacques Arénes e Nathalie Sarhou-Lajus

(Rodin - andromeda)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Porto Santo


Uma foto “Perestrellos” enviada por meu pai, no dia 20 de Agosto de 1956, às “manas”como ele chamava as minhas tias.

O Porto Santo da minha infância.

Recordo a praia deserta nos meses de verão.

Uma terra arenosa, que sobrava das dunas, esplêndidas, e cobria as ruas e todos os quintais.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Barcos

cristina simões barcos


São barcos. Mas são instrumentos de trabalho. Do povo.


Nós, gente do povo, sentimos tudo, mas não sabemos nos exprimir; temos vergonha, porque compreendemos, mas não sabemos dizer o que compreendemos. E muitas vezes, por causa desse embaraço, revoltamo-nos contra os nossos pensamentos. A vida bate-nos, tortura-nos de todas as maneiras e feitios, queremos descansar, mas os pensamentos não nos largam.”

Máximo Gorki, A Mãe



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Autonomia

Autonomia

Há livros que me acompanham desde há muito. São poucos. Recorro a eles sempre que preciso de um espaço de sanidade, numa urgência de clarear uma qualquer vivência.

Num desses momentos, reli a “Traição do eu” do psicanalista Arno Gruen, e fez-me pensar, se o tema central da nossa vida não será mesmo a autonomia, entendida como ele a define - como a capacidade de viver sem restrições as próprias percepções, sentimentos e necessidades. Mais adiante, acrescenta, que a vivencia da autonomia, deve regular-se por uma avaliação constante dos nossos condicionalismos.

Retiro um enxerto: “Afinal, ele executava apenas o que os outros esperavam dele; ele não estava implicado nos próprios actos! Como nunca dava a entender a sua vontade própria, julgava-se invulnerável e sentia-se «livre». Mas evidentemente, só era livre num sentido virtual, visto que jamais ponha as suas próprias ideias em prática. Assim sendo, a sua autonomia existia apenas na sua imaginação”.

Quantas vezes temos esta atitude, com o objectivo de protegermo-nos? Porque achamos que não vale a pena. Que as condições não o permitem. Se o outro não sabe quem somos, porque não nos revelamos, também não nos pode fazer mal, ou ter expectativas sobre nós. Ou pode, na mesma? Mas, sobretudo, o outro nunca saberá o efeito que tem em nós. Não lhe queremos ser subservientes. Mas acabamos por o ser.

Se não conseguirmos resolver o paradoxo, deixamos assim, sitiada, esta área da nossa vida. Cabe então, colocar o sistema em «gasto mínimo de energia».

Resta saber como ficam as outras dimensões que contam para o bem-estar: Auto-aceitação (ter uma boa avaliação de si mesmo); Objectivo/projecto de vida (encontrar significado e direcção para a vida); Desenvolvimento pessoal (capacidade de continuamente por em funcionamento os talentos e potencialidades próprias); Competência em relação ao meio ambiente (desafiar e saber gerir o meio que nos rodeia); Relações positivas com os outros (obter prazer na relação com os outros) e a Autonomia (capacidade para seguir convicções e crenças pessoais).


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mensagem de Boas Vindas

Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.
Receita de Mulher, Vinícius de Moraes