quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Paradoxo da mudança

Wim Wenders, As Asas do desejo, 1987

“O paradoxo curioso é que quando eu me aceito como sou, então eu posso mudar.”
 Carl Rogers

Recomenda-se vivamente que se reconheça esta verdade profunda. Devemos dizê-la repetidamente para desembaraçarmo-nos de certezas  antigas. Desconfiamos que assim seja, queremos mudar, mas não queremos passar pelo desconforto da mudança. 
Gostamos de pensar que talvez possamos suspender quem realmente somos, por nos acharmos perdidos, de difícil entendimento ou por autoaversão, e que poderiam ficar guardadas para nós, ou esquecidas, as imperfeições que nos parecem inúteis e censuráveis. 
Supomos que o ponto de chegada seja tal como foi imaginado, ficarmos instruídos e educados, e chagados ao mundo dos homens, podermos então, abordar as coisas e as pessoas, e sermos aceites. Minha estratégia é um vício. 
Só mudamos quando nos predispomos a ser nós mesmos, sem máscaras, aceitamos a nossa realidade. A partir daqui inicia-se o processo sobre o que fazer com essa realidade, e consequente, a procura da "boa forma para o nosso desejo de vida e de prazer" (R. Mendes Leal), que irá irradiar tudo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014


Sou muito exigente a respeito de vídeos de localidades que guardo no coração. Considero-os sempre aquém da capacidade de retratar a minha memória, mas este vídeo de Kirill Keiezhmakov, sobre Lisboa e Sesimbra, consegue-o, e vai mais além, permite-me imaginar, pela técnica que utiliza, o bom que seria se ultrapassássemos as possibilidades humanas e pudéssemos voar e submergir.  

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

CORAGEM – O filósofo Oswaldo Giacóia Jr


Café Filosófico: Aposta Na Coragem – O filósofo  Oswaldo Giacóia Jr

Palavras chaves: Medos, Coragem, Força e Generosidade

Algumas das suas palavras (ao minuto 25 e 32 segundos): 

“…Quanto mais forte você é, mais corajoso e generoso você pode ser. A marca registada da fraqueza é justamente a impossibilidade de se doar.
Toda a avidez compulsiva e auto concentrada é sintoma de uma fraqueza estrutural. Ou seja, você em última instância deseja obsessivamente tudo para si, porque você é muito fraco. Quem é forte, quem tem uma riqueza de sentimentos de poder, pode doar-se. Quem é fraco, não. Justamente por isso, é desse sentimento de poder que nasce uma atitude de despreendimento e não uma atitude de cristalização, condensação, fechamento na perspetiva do próprio umbigo. Portanto, nos seus pequenos medos.”Oswaldo Giacóia Jr

domingo, 3 de agosto de 2014

A capacidade de diferenciar as emoções

Gerard Von Opstal Bacchanal os statyes and Cupids Riksmunseum Amsterdam

O que é uma relação de amizade e uma relação amorosa? Há pessoas que têm dificuldade em distinguir isto.” António Coimbra de Matos* (psicanalista)

Fala-se de se ser capaz, ou não, em discriminar, entre a diversidade de emoções que envolvem uma relação de amizade, das nuances próprias que envolvem uma relação amorosa.
A importância de se ser específico: naquela relação sentimos raiva ou vergonha? Raiva, porque na realidade, sentimos culpa? 
Para melhor compreendermos de que estamos a falar, há dias perguntava a alguém “Estás triste?”, ao que ela me respondeu: “Não. Estou desiludida comigo”, e acrescentou: “Porque sei que podia ter feito melhor.” 
É revolucionário o quanto esta capacidade em diferenciar as emoções e as significações pessoais, poderá ajudar-nos a lidar com os problemas e a melhorar a vida, ou seja, a planearmos e executarmos a ação de um modo mais eficaz.. É um tipo de inteligência emocional que se desenvolve desde o nascimento, de uma sensibilidade grosseira, para a sensibilidade descriminada na vida adulta - processo de diferenciação emocional -, mas que nem todos lá chegam a este estado de exatidão na distinção das emoções.
Continuando, não deixei de me surpreender com Coimbra de Matos,  naquela conferência, com o exemplo que escolheu para ilustrar as dificuldades no dito processo: um homem heterossexual que só mantinha relações de amizade e de intimidade emocional, com homens, e com as mulheres, relações desprovidas de convívio e intimidade, mas reservando para elas, a componente sexual, e a sua vontade não conseguida, de alterar esta condição. Podemos catalogá-lo como um individuo cindido, fragmentado, ou à luz da diferenciação emocional, um individuo que apresenta fixidez - sensibilidade grosseira - e que (ainda) não evoluiu para um estado homogéneo, maturo, socialmente mais ajustado e desenvolvido cognitivamente e emocionalmente - sensibilidade discriminada.   

A EVOLUÇÃO nas palavras de Coimbra de Matos:
 “Nos primeiros tempos de vida extra-uterina o bebé vive um estado de indiferenciação anímica - uma sensibilidade geral de tipo protopática (grosseira, difusa, sincrética, não discriminativa), desenvolvendo-se na sequência, e a pouco e pouco, para a sensibilidade diacrítica (descriminada, ou seja, consciente das diferentes subtilezas das emoções e sentimentos).”

*Psicanalista, na conferência “Promoção da Saúde Mental na Criança”, organizada pela CPCJ, que decorreu no Funchal no passado dia 27.6.2014

Palavras -  chave: Diferenciação e regulação emocional




A Roda das Emoções - Texas Association of School Psychologists