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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Culpa e Vergonha



Café Filosófico
Com Julio Vertzmen - psicanalista e psiquiatra
Culpa e vergonha são dois aspectos do nosso universo emocional e afetivo, que se relacionam com o nosso sofrimento e que variam de acordo com o tempo e com a cultura. A vergonha hoje em nossa sociedade parece não ter a ver com dignidade, honra ou sobre ferir ideais éticos, públicos. A culpa, tradicionalmente se dá quando envolve uma vítima ou uma transgressão. Então qual o lugar que estes sentimentos ocupam hoje? Quando se sente culpa, e por que? Por quais motivos nos envergonhamos?

sábado, 21 de dezembro de 2013

Susan Jeffers - Apesar do Medo


“Um professor extraordinário que tive ajudou-me imensamente ao ensinar-me a frase “Pela primeira vez, devias ter vergonha. Segunda vez, eu devia ter vergonha. “ 
Aplicando a esta situação, se debater alguma coisa com pessoas insensíveis às suas necessidades, elas deviam ter vergonha. Se você continuar a permitir-se ser bombardeado pelas palavras delas, você devia ter vergonha. 

Não tem de continuar a manter conversas acerca da sua decisão com aqueles que o fazem sentir-se mal consigo mesmo. Deve sim falar com pessoas que o apoiam com afirmações “Acho ótimo estares a pensar em …” ou “Acho que te sairias muito bem a…” Já percebeu a ideia. Porquê colocar-se numa posição em que se sinta mal quando é tão fácil sentir-se ótimo?”

Susan Jeffers Apesar do medo Sinais de fogo

Um bom livro de auto-ajuda

domingo, 30 de junho de 2013

A intimidade


Rubens Portrait of wife, son and self (detalhe)

“ A intimidade impõe o abandono da couraça que protege o nosso núcleo mais intimo, sede do pudor e da vergonha: quanto mais partilhada mais o outro tem livre acesso às nossas coisas secretas. Mas só a tolerância e uma grande estima de nós próprios nos levam a viver este despirmo-nos como uma oportunidade e não como uma ameaça. Quem pensa que deve esconder as partes de si mesmo que mantém inconfessáveis, inevitavelmente vive a intimidade como um risco”
Willy Pasini Intimidade, O outro lado da afetividade Difusão Cultural
Na ordem do desejo que nos liberta das habituais fronteiras entre o corpo e o espirito. Entre nós e o outro. Partículas de energia, numa dança, ao ritmo de termos sido capazes de nos colocarmos na sua pele sem nos perdermos, e disponíveis para o deixar entrar, sem medo de sermos devorados por ele. Alheados da fórmula que permitiu que o milagre tivesse lugar, não nos contentamos com o conforto do inolvidável encontro. Surge a ideia insana que pode não se repetir, e a urgência de o reviver.
Ideia chave: são necessários dois processos psicológicos para que a intimidade seja possível – a identificação projetiva e introjetiva - empatia e ressonância afetiva.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Brené Brown – O poder da vulnerabilidade




Brené Brown estuda as relações humanas - a nossa capacidade de criar empatia, de pertencer, de amar. Numa comovente e divertida palestra no TEDxHouston, Brene Brown partilha uma visão profunda da sua investigação, que a fez mergulhar numa busca interior para se conhecer totalmente e também para compreender a Humanidade. Uma palestra para partilhar.
Conferência traduzida em 40 línguas, retirada de:http://www.ted.com/talks/brene_brown_on_vulnerability.html

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Aprender a controlar os sentimentos negativos


Do pioneiro da Teoria do apego, pela sua clareza:
“Nada mais ajuda uma criança do que poder expressar francamente, de um modo direto e espontâneo, seus sentimentos de hostilidade e ciúme; e não existe, creio eu, tarefa parental mais válida do que ser capaz de aceitar com serenidade expressões de devoção filial tais como “Detesto você, mamãe”, ou “Papai, você é um bruto”. Ao tolerar tais explosões, mostramos aos nossos filhos que não tememos essas manifestações hostis e que confiamos em que podem ser controladas; além disso, proporcionamos à criança a atmosfera de tolerância e compreensão em que o autocontrole pode desenvolver-se.
Alguns pais acham difícil que tais métodos sejam eficazes ou sensatos, e pensam que se deveria inculcar nas crianças que o ódio e o ciúme não são apenas coisas ruins, mas potencialmente perigosas. Há dois métodos comuns para fazer isso. Um deles é a expressão veemente de reprovação por meio do castigo; o outro, mais sutil e explorando o sentimento infantil de culpa, consiste em incutir na criança a certeza de que está sendo ingrata, e indicar-lhe o sofrimento, físico e moral, que tal comportamento causa em seus dedicados pais. Embora ambos os métodos pretendam controlar as paixões malignas da criança, a experiencia clínica sugere que nem um nem outro é muito-bem sucedido na prática, e que ambos acarretam um pesado ônus de infelicidade. Os dois métodos tendem a fazer com que a criança receie seus sentimentos e se culpe por eles, levando a recalcá-los e, assim tornando-lhe mais (e não menos) difícil controlá-los. Ambos tendem a criar personalidades difíceis: o primeiro – gerando rebeldes e, se for muito severo, delinquentes; o segundo – a vergonha – neuróticos carregados de sentimentos de culpa e de ansiedade. Assim é na política, assim é com as crianças; a longo prazo, a tolerância da oposição paga belos dividendos.”
 John Bowlby Formação e rompimento os laços afectivos Martins Fontes
Depois do acesso da ira, a criança ser convidada a dar um beijinho ao adulto, custa tanto, porque é a submissão pela culpa.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A vergonha

Waldmuler, Fedinand Georg., Jovem camponesa com os três filhos na janela (detalhe)

Heinz Kohut* considera que a vergonha acontece desde cedo na infância, quando a nossa emoção repleta de exibicionismo (saudável) é mobilizada e ocorre na expectativa que o outro aprove e confirme esse nosso comportamento. Segundo aquele autor, é “a inesperada ausência de cooperação” do outro, que cria um desequilíbrio entre a nossa expectativa e a resposta, que sendo difícil de gerir, dá origem à vergonha.

Na criança, a necessidade desajeitada de criar uma brincadeira e a falta de empatia do adulto, é fonte de vergonha. A repetição destas experiências ao longo do desenvolvimento, em conjunto com as humilhações, pode dar origem à vergonha das personalidades narcísicas, que se traduz num medo (paralisante, por vezes) de cair no ridículo. 

* Heinz Kohut, Self e Narcisismo, Zahar Editores

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O medo do ridículo

Max Weber, Burlesque, 1909

É o medo do ridículo que me interessa, a que muitos de nós somos vulneráveis, ao ponto de este tipo particular de vergonha tornar-se opressivo, limitador da espontaneidade e, no limite, da tomada de decisões importantes na vida.
Consiste num medo de ser considerado aos olhos do outro, insignificante, ter pouco valor, provocar a troça e o riso, e que nos coloquemos à mercê do seu desprezo. Seria ficarmos completamente sozinhos, acreditamos.

Por este medo não se arriscam carreiras, amores, a criação de um estilo pessoal de ser, as mudanças de vida.
Na base deste medo costuma estar a nossa exagerada necessidade de controlo sobre o ambiente, ou seja, sobre os outros e o que poderão pensar de nós. Estão também as intensas pressões ou exigências que colocamos a nós próprios. Tão intensas, que somos capazes de nos culparmos por não vivermos de acordo com os ideais por nós estabelecidos. É a vergonha por si mesmo.
Mas o que sustenta a raiz deste medo, é sobretudo a vulnerabilidade da nossa auto-estima. Enquanto a nossa auto-estima depender que o outro aprove ou confirme quem somos e o que valemos, e não adquirirmos a confiança nas nossas capacidades, teremos dificuldades em tomar o rumo da nossa vida.