terça-feira, 28 de maio de 2013

Testemunho - extrato de uma sessão


Recebi hoje um comentário neste blogue que  expressa a vontade em compreender como "se pode mergulhar no mais intímo, contar coisas que nunca antes foram contadas", a um psicoterapeuta. Como se pode confiar.
Por me parecer uma preocupação comum a todos nós, e sendo minha intenção corresponder dentro do que me é possível, às pessoas que me lêm, e também de modo a contribuir para a divulgação da psicologia, e neste caso, da intervenção terapêutica, transcrevo, um extrato de uma sessão que ilustra o medo de sair da zona de conforto que paradoxalmente não trás bem-estar. O modo como o analista interpreta, não é aqui, exposto. 
EXTRATO DE UMA SESSÃO
Mário:
“É como se estivesse à beira de um abismo, se falo é como se caísse e morresse; se não falo é como se fugisse e viesse alguém atrás de mim para me castigar…Não tem saída!..às vezes parece-me que estou à beira do limiar; um passo atrás é o fim, a loucura, um passo à frente e conseguia…”, ou ainda: “Estou completamente bloqueado, emaranhado numa teia, num sarilho: não posso falar do passado porque não me lembro de nada; do presente porque não tem interesse, só me ocorrem os sintomas e a Srª já deve estar farta de os conhecer; do futuro não posso falar porque não vejo saída. E nem pensar posso, porque para mim pensar é logo fazer e por isso entro em pânico, sou logo um criminoso…”
(…)
Analista
A necessidade que Mário tem de fixar e impor as suas próprias premissas – falsas – face à realidade e de se colocar rigidamente numa determinada perspetiva, impedindo o insight e satisfazendo assim o seu narcisismo, mostra como a barreira defensiva que construiu serve para colmatar – no fim de contas sem êxito – os buracos negros da sua “teia.”
Mário
- “Parece tão simples! Bastava eu dizer o que pensava. Mas é um salto no abismo! Qualquer coisa de horrível! Pensar e falar espontaneamente é um salto em queda livre!...E não posso pensar em ter que me sentir grato, se me ajudar…”
Silêncio grande
“Mas estou a ver que a única maneira é eu fazer de conta que não tenho medo, pensar que a Srª aguenta tudo, que não morre, que não se chateia de mim e dizer o que me passa pela cabeça. Fazer como os católicos que têm fé na Igreja…”
Maria de Fátima Sarsfielde Cabral Pensar a emoção Margens
Nas palavras de Coimbra de Matos “No trabalho interpretativo, o analista funciona como Eu auxiliar, novo Eu auxiliar, que interpreta os vícios da relação e constrói um novo estilo relacional: aberto, prazeroso e indagativo.” (Mais saúde menos doença)
Só possível numa relação de autenticidade, de esforço e de vontade em crescer.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Inveja-se a paz de espírito


Hermaphrodit, Museu do Louvre

“Melanie Klein assinalava que uma das qualidades que mais inveja suscita é a paz de espírito.”
Kate Barrow Inveja Almedina
A afronta que se possa ignorar a tristeza face a uma realidade que não se cumpre. Que se escape à angústia face ao perigo que tal perda traz.
E se possa permanecer inocente, viva e fecunda.
O caos seria universal.

O verão chegou !

jamie beck photo: Beach babe amazing-cinemagraphs-by-Jamie-Beck-4.gif

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A cultura separa



Parte da longa entrevista de Teresa de Sousa ao filósofo Eduardo Lourenço, com o título “Esta Europa tornou-se um museu de si mesma”, que saiu na Revista 2 do Jornal Publico, do passado domingo.
Esta entrevista tem como pretexto a última obra de Eduardo Lourenço, editada pela Gradiva, que é uma inesperada resenha de artigos escritos pelo nosso maior ensaísta antes do 25 de Abril ou nos dois anos seguintes. O tema parece estranho: Os Militares e o Poder. Há um texto final e actual sobre "o fim de todas as guerras e as guerras sem fim".
(…) 
O que fazer da Alemanha é de novo a grande questão?
É, de novo. Ou melhor, a pergunta é outra: o que é que a Alemanha vai fazer dela própria. Nós não temos a veleidade nem a pretensão de conseguir que a Alemanha faça isto ou faça aquilo.
E o que pensa que ela quer fazer dela própria? Quer continuar europeia?
Não pode ser outra coisa. Se nos colocarmos do ponto de vista alemão, a pergunta é: o que é que a Alemanha quer fazer da Europa da qual ela é o centro, do ponto de vista do seu poder económico?
Quer fazer uma Europa alemã, como agora se diz?
Não creio. Nunca o conseguiu fazer. A nossa geração pensou que, depois do que aconteceu, que a França e a Alemanha iriam entender-se melhor do que se têm entendido. Neste momento, à mínima dificuldade, vêm sempre as mesmas coisas ao de cima. Ultimamente, a propósito de uma exposição, a primeira que os franceses fazem sobre a pintura alemã...
Que está no Louvre.
E que eu vi. Os alemães não gostaram nada. Porque aquela visão franco-francesa da Alemanha é também uma cegueira da parte dos franceses, que deviam ser mais finos para compreenderem que há outra Alemanha.
Diferente daquela que está nessa exposição, apenas com a pintura até 1939.
O problema é que não há cidadezinha francesa que não tenha o seu monumento aos mortos da guerra. E se formos ao lado alemão, é a mesma coisa: lá estão os cemitérios. Essa é a tragédia europeia da qual Hitler foi a expressão patológica.
É a tragédia europeia que pensávamos que estaria definitivamente superada.
Mas não está. A verdade é que quando o Monnet dizia que era pela cultura que se devia ter começado, enganava-se. A cultura separa. Os intelectuais não querem perceber isso porque pensam que são eles os donos da cultura. A cultura marca as diferenças.
(…)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O amor não é um sentimento

 
Diálogo do filme "A essência do amor ( To the wonder): " O amor não é apenas um sentimento. O amor demonstra-se"

“Já afirmei que o amor é uma ação, uma atividade. Isso leva-nos à ultima das principais conceções erradas que temos de abordar. O amor não é um sentimento. (…) A vulgar tendência para confundir o amor com o sentimento de amor, permite às pessoas todas as formas de se enganarem a si próprias. (…) O amor é como o amor age. O amor e o não-amor, como o bem e o mal, são fenómenos objetivos e não puramente subjetivos.”
M. Scott Peck O caminho menos percorrido Sinais de Fogo
Nunca gostei daquela frase do livro “O principezinho” que diz qualquer coisa do género: “O essencial é invisível para os olhos, só se vê com o coração”. Se tivesse vontade de alcançar os seus possíveis sentidos ocultos, a afirmação poderia tornar-se mais aceitável. Não tenho vontade. Não gosto, porque acredito que o amor e o não-amor, como o bem e o mal, demostram-se pelas ações de cada um.
Mas a nossa natureza resiste. Procuramos significados no comportamento do outro que simbolizam amor, mesmo que as mensagens possam ser ambíguas, ou mesmo contraditórias. Poderemos ficar presos na procura da obscura revelação. Mais um gesto nosso, só mais um, ele talvez se revele, e se renda.
Olhando para trás, sentimos que é de fato doloroso e difícil, procurar essas provas e aceitá-las, se se recebeu menos amor do que se desejava ter recebido.
A reter que o amor é ação, dá-nos a responsabilidade e a necessidade de compromisso perante o outro. Estamos prontos para convocar o amor?


 

sábado, 11 de maio de 2013

Entrevista a Robert Hare



Entrevista a Robert Hare, com o título Psicopatas no Divã, publicada na Revista Veja em 2009

"O psicólogo canadense, criador de uma escala usada para medir os graus de psicopatia, explica por que uma pessoa aparentemente normal pode fazer as piores coisas sem sentir remorso.
O trabalho do psicólogo canadense Robert Hare, de 74 anos, confunde-se com quase tudo o que a ciência descobriu sobre os psicopatas nas últimas duas décadas. Foi ele quem, em 1991, identificou os critérios hoje universalmente aceitos para diagnosticar os portadores desse transtorno de personalidade. Hare começou a aproximar-se do tema ainda recém-formado, quando, trabalhando com detentos de uma prisão de segurança máxima nas proximidades de Vancouver, ficou intrigado com uma questão: "Eu queria entender o motivo pelo qual, em alguns seres humanos, a punição não tem efeito algum". A curiosidade levou-o até os labirintos da psicopatia – doença para a qual, até hoje, não se vislumbra cura. "O que tentamos agora é reduzir os danos que ela causa, aos seus portadores e aos que os cercam."

Um psicopata nasce psicopata?
Ninguém nasce psicopata. Nasce com tendências para a psicopatia. A psicopatia não é uma categoria descritiva, como ser homem ou mulher, estar vivo ou morto. É uma medida, como altura ou peso, que varia para mais ou para menos.

O senhor é o criador da escala usada mundialmente para medir a psicopatia. Quais são as características que aproximam uma pessoa do número 40, o grau máximo que sua escala estabelece?
As principais são ausência de sentimentos morais – como remorso ou gratidão –, extrema facilidade para mentir e grande capacidade de manipulação. Mas a escala não serve apenas para medir graus de psicopatia. Serve para avaliar a personalidade da pessoa. Quanto mais alta a pontuação, mais problemática ela pode ser. Por isso, é usada em pesquisas clínicas e forenses para avaliar o risco que um determinado indivíduo representa para a sociedade.

Todo psicopata comete maldades?
Não necessariamente com o intuito de cometer a maldade. Os psicopatas apresentam comportamentos que podem ser classificados de perversos, mas que, na maioria dos casos, têm por finalidade apenas tornar as coisas mais fáceis para eles – e não importa se isso vai causar prejuízo ou tristeza a alguém. Mas há os psicopatas do tipo sádico, que são os mais perigosos. Eles não somente buscam a própria satisfação como querem prejudicar outras pessoas, sentem felicidade com a dor alheia. 

Até que ponto a associação entre a figura do psicopata e a do serial killer é legítima?
A estimativa é que cerca de 1% da população mundial preencheria os critérios para o diagnóstico de psicopatia. Nos Estados Unidos, haveria, então, cerca de 3 milhões de psicopatas. Se o número de serial killers em atividade naquele país for, como se acredita, de aproximadamente cinquenta, isso significa que a participação desses criminosos no universo de psicopatas é muito pequena. Por outro lado, segundo um estudo do psiquiatra americano Michael Stone, cerca de 90% dos serial killers seriam psicopatas.


Em que medida o ambiente influencia na constituição de uma personalidade psicopata?
Na década de 20, John B. Watson, um estudioso de psicologia comportamental, dizia que, ao nascer, nós somos como páginas em branco: o ambiente determina tudo. Na sequência, entrou em voga o termo sociopata, a sugerir que a patologia do indivíduo era fruto do ambiente – ou seja, das suas condições sociais, econômicas, psicológicas e físicas. Isso incluía o tratamento que ele recebeu dos pais, como foi educado, com que tipo de amigos cresceu, se foi bem alimentado ou se teve problemas de nutrição. Os adeptos dessa corrente defendiam a tese de que bastava injetar dinheiro em programas sociais, dar comida e trabalho às pessoas, para que os problemas psicológicos e criminais se resolvessem. Hoje sabemos que, ainda que vivêssemos uma utopia social, haveria psicopatas.


Como se chegou a essa conclusão?
Na década de 60, vários estudiosos, inclusive eu, começaram a pesquisar a reação de um grupo de psicopatas a situações que, em pessoas normais, produziriam efeitos sobre o sistema nervoso autônomo. Quando se está na expectativa da ocorrência de algo desagradável, a preocupação do indivíduo transparece por meio de tremores, transpiração e aceleração cardíaca. Os psicopatas estudados, mesmo quando confrontados com situações de tensão, não exibiam esses sintomas. Isso reforçou a conclusão de que existem diferenças cerebrais entre psicopatas e não psicopatas. Pouco a pouco, essas diferenças vêm sendo mapeadas. 

É possível observar sinais que indiquem que uma criança pode se tornar um adulto psicopata?
Não há nada que indique que uma criança forçosamente se transformará num psicopata, mas é possível notar que algo pode não estar funcionando bem. Se a criança apresenta comportamentos cruéis em relação a outras crianças e animais, é hábil em mentir olhando nos olhos do interlocutor, mostra ausência de remorso e de gratidão e falta de empatia de maneira geral, isso sinaliza um comportamento problemático no futuro.


Os pais podem interferir nesse processo?
Sim, para o bem e para o mal, mas nunca de forma determinante. O ambiente tem um grande peso, mas não mais do que a genética. Na verdade, ambos atuam em conjunto. Os pais podem colaborar para o desenvolvimento da psicopatia tratando mal os filhos. Mas uma boa educação está longe de ser uma garantia de que o problema não aparecerá lá na frente, visto que os traços de personalidade podem ser atenuados, mas não apagados. O que um ambiente com influências positivas proporciona é um melhor gerenciamento dos riscos.


Os psicopatas têm consciência de que são diferentes?
A consciência, o processo de avaliar se algo deve ser feito ou não, envolve não somente o conhecimento intelectual, mas também o aspecto emocional. Do ponto de vista intelectual, o psicopata pode até saber que determinada conduta é condenável, mas, em seu âmago, ele não percebe quão errado é quebrar aquela regra. Ele também entende que os outros podem pensar que ele é diferente e que isso é um problema, mas não se importa. O psicopata faz o que deseja, sem que isso passe por um filtro emocional. É como o gato, que não pensa no que o rato sente – se o rato tem família, se vai sofrer. Ele só pensa em comida. Gatos e ratos nunca vão entender um ao outro. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe quem é o gato.


É muito difícil identificar um psicopata no dia a dia?
Superficialmente, um psicopata pode parecer um sujeito normal. Mas, ao conhecê-lo melhor, as pessoas notarão que ele é um indivíduo problemático em diversos aspectos da vida. Ele pode ignorar os filhos, mentir sistematicamente ou apresentar grande capacidade de manipulação. Se é flagrado fazendo algo errado, por exemplo, tenta convencer todo mundo de que está sendo mal interpretado.


Um psicopata não sente amor?
Acredito que sim, mas da mesma forma como eu, digamos, amo meu carro – e não da forma como eu amo minha mulher. Usa o termo amor, mas não o sente da maneira como nós entendemos. Em geral, é traduzido por um sentimento de posse, de propriedade. Se você perguntar a um psicopata por que ele ama certa mulher, ele lhe dará respostas muito concretas, tais como "porque ela é bonita", "porque o sexo é ótimo" ou "porque ela está sempre lá quando preciso". As emoções estão para o psicopata assim como o vermelho está para o daltônico. Ele simplesmente não consegue vivenciá-las.


Que figuras históricas podem ser consideradas psicopatas?
É difícil dizer, porque seu comportamento é mediado por relatos de terceiros, e não por um diagnóstico psiquiátrico. Mas o ditador da ex-União Soviética Josef Stalin, por exemplo, era de tal forma impiedoso que talvez possa ser considerado psicopata. O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein é outro exemplo. Eu ficaria muito surpreso se ele não preenchesse todos os critérios para a psicopatia. Aliás, Saddam tinha um filho claramente psicopata (Udai Hussein, morto em 2003), dirigente de um time de futebol. Quando o time perdia, ele torturava os jogadores – ou seja, era sádico também. Já o líder nazista Adolf Hitler é um caso mais complexo. Ele provavelmente não era só psicopata.


A psicopatia é incurável?
Por meio das terapias tradicionais, sim. Pegue-se o modelo-padrão de atendimento psicológico nas prisões. Ele simplesmente não tem nenhum efeito sobre os psicopatas. Nesse modelo, tenta-se mudar a forma como os pacientes pensam e agem estimulando-os a colocar-se no lugar de suas vítimas. Para os psicopatas, isso é perda de tempo. Ele não leva em conta a dor da vítima, mas o prazer que sentiu com o crime. Outro tratamento que não funciona para criminosos psicopatas é o cognitivo – aquele em que psicólogo e paciente falam sobre o que deixa o criminoso com raiva, por exemplo, a fim de descobrir o ciclo que leva ao surgimento desse sentimento e, assim, evitá-lo. Esse procedimento não se aplica aos psicopatas porque eles não conseguem ver nada de errado em seu próprio comportamento.


No Brasil, os psicopatas costumam ser considerados semi-imputáveis pela Justiça. Os magistrados entendem que eles até podem ter consciência do caráter ilícito do que cometeram, mas não conseguem evitar a conduta que os levou a praticar o crime. Assim, se condenados, vão para a cadeia, mas têm a pena diminuída. O senhor acha que, do ponto de vista jurídico, os psicopatas são totalmente responsáveis por seus atos?
Eu diria que a resposta é sim. Mas há divergências a respeito e existem muitas investigações em andamento para determinar até que ponto vai a responsabilidade deles em certas situações. Uma corrente de pensamento afirma que o psicopata não entende as consequências de seus atos. O argumento é que, quando tomamos uma decisão, fazemos ponderações intelectuais e emocionais para decidir. O psicopata decide apenas intelectualmente, porque não experimenta as emoções morais. A outra corrente diz que, da perspectiva jurídica, ele entende e sabe que a sociedade considera errada aquela conduta, mas decide fazer mesmo assim. Então, como ele faz uma escolha, deve ser responsabilizado pelos crimes que porventura venha a cometer. Não há dados empíricos que deem apoio a um lado ou a outro. Ainda é uma questão de opinião. Acredito que esse ponto será motivo de discussão pelos próximos cinco ou dez anos, tanto por parte dos especialistas em distúrbios mentais quanto pelos profissionais de Justiça.


O senhor está para publicar um estudo sobre um novo modelo de tratamento para psicopatas. Do que se trata?
Trata-se de um modelo mais afeito à escola cognitiva, em que os pacientes são levados a compreender que até podem fazer algo que desejem, sem que isso seja ruim para os outros. Não vai mudá-los, mas talvez possa atenuar as consequências de suas ações. É um tratamento com ambições relativamente modestas – tem por objetivo a redução de danos.
O artigo sobre como começou o interesse de Robert Hare, por este tema da psicopatia, com o título Psychopath Analysis: The Early Days, aqui.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

“Filhos da mamã”

 
“Um problema é que tal chantagem materna dá importância ao pequeno, mas sem fundamento de uma força própria e autêntica. É isto mesmo que se transforma no fundamento do seu desprezo. Desprezará em segredo a mãe – e mais tarde qualquer mulher ou homem, ou seja, toda a humanidade – pela sobrevalorização, já que só sente vazio em si próprio. Para se salvar de tal vazio, terá, portanto de se refugiar na grandiosidade e de tomar seu o papel que a mãe lhe impôs. Mas neste papel do salvador vingar-se-á, em seguida, na vida em geral.
Volker Elis Pilgrim chama a estes homens “filhos da mamã”. Filhos como Hitler, Estaline e Napoleão tiveram um relacionamento especial com suas mães. Pilgrim pensa que este fato indica um profundo amor por essas mães. Quanto a mim, parto do princípio que esse amor aparente foi uma reação de negação a um ódio fundamental que eles sentiram perante as mães exploradoras.”
Arno Gruen Falsos Deuses Paz Editora