domingo, 13 de novembro de 2016

O narcisista e os seus parceiros #2


René Magritte

Vejo com surpresa o sucesso do post O narcisista e seus parceiros #1, pelo número de visualizações, embora possa admitir que não é por ser lido que é apreciado, adquire significado para quem o leu e ajude a ampliar a consciência.
Com a intenção de clarificar o mesmo tema, e porque hoje faz-me mais sentido considerar que nas relações dos narcísicos com os seus parceiros, as destrutivas, as que se prolongam no tempo “até que a morte nos separe”, a "vítima" idealiza o outro não tendo representação do seu mundo, vivendo sem perceção emocional do que está a acontecer e consequentemente, perdendo o poder de decisão.
Acredito que vários arranjos de ligações são possíveis, mas a fatalidade para os indivíduos que não imaginam o mundo dos outros, será se apaixonarem por um parceiro para quem não existam psicologicamente, que seja um abusador, que lhes provoque alterações importantes na personalidade, invada tudo e arruíne a vida.
Os sobreviventes destas relações conseguiram travar a tempo este processo, conservaram um abrigo emocional suficientemente saudável para transformar a sua história pessoal numa narrativa significativa, e sentir que não se definem pela sua adversidade.

4 comentários:

Lia disse...

Boa noite.

Gostaria de deixar uma questão: e quando o narcisista é abandonado? Como reage ele, que tanto precisa do outro para se apoiar? Como reage ele, especialmente se os laços não podem ser definitivamente quebrados por haver filhos?

Obrigada desde já.

Cumprimentos

cristina simões disse...

Bom dia
Face às suas questões há neste blogue, no post"Rejeitar um narcisísta" uma possível explicação. Em sínteses, dependendo do "grau" de narsisismo, o lado do outro parceiro dificilmente é compreendido, as necessidades dele é que interessam e salvar o ser narcisismo (salvar a face), também.
Se desejar continuar a visitar este blogue, é possível que aos poucos vá acrescentando ideias sobre o assunto. Como imagina, escrevo os temas conforme me vão apetecendo. Obrigada pelo seu comentário.
Fique bem

Lia disse...

Boa noite, de novo.

Eu penso que o narcisista, se abandonado, procura vingar-se da pessoa que o abandonou, nomeadamente utilizando os filhos.

O meu interesse por este tema vem do contacto com uma pessoa assim na minha juventude, contacto esse que foi bastante traumático, como pode imaginar. No entanto, cheguei à palavra "psicopata", e posteriormente também à palavra "narcisista", o que me abriu novos horizontes. Hoje sou uma curiosa sobre este tema.

A pessoa de quem falo está divorciada e tem uma filha, daí a minha curiosidade. Felizmente não me toca directamente.

Já acompanho o blogue há alguns anos, visito regularmente.

Obrigada.

Cumprimentos

cristina simões disse...

O narcisita se abandonado usa estratégias primárias, a vingança, perversas....É emocionalmente imaturo, pode até estar ao nível dos filhos em termos de desenvolvimento moral. Achei muito interessante e comovente o seu processo de adquisição de conhecimento. Acontece com muitos de nós. Quando se chega a dar um nome, os nossos horizontes abrem.se - a abertura da palavra de Roland Barthes. No fundo é colocar o aparelho mental a funcionar. Desta maneira até podemos compreender e perdoar um psicopata, percebemos que não é possível pedir o que ele não pode dar. Daí para afrente estamos mais prevenidos.
Fique bem