domingo, 17 de março de 2019

Coimbra de Matos: hoje aparecem-me muitos pacientes por perturbações no trabalho


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“Com 89 anos, o psicanalista António Coimbra, detecta transformações claras nos desabafos de divã dos seus doentes: “Dantes procuravam-me por dificuldades nas relações amorosas e familiares, hoje aparecem-me muitos pacientes por perturbações no trabalho. As pessoas estão em burnout, em conflito com as empresas onde trabalham, a vida profissional tornou-se má”, conta, para acrescentar que, se antigamente o alvo dessa zanga era um patrão claramente identificado, “hoje as pessoas nem sabem quem é que as oprime, são sociedades anónimas. O inimigo é anónimo, está nas nuvens”. E isso, conclui, “não lhes permite exercer ou direccionar a agressividade”.
A montante, prescreve ainda, há tarefa preventiva fundamental: “É importante que as escolas comecem desde cedo a desenvolver o pensamento crítico: que haja menos aulas clássicas e mais tempo de diálogo; que ponham os alunos a investigar e a procurar os problemas. Se for uma aula de Botânica, levem-nos para o Parque de Monsanto”, desafia. O importante é que haja toque, “contacto directo com a realidade”, porque “é na relação com as coisas, as pessoas, o mundo, que as aprendizagens se fazem”.
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Natália Faria, Jornal Publico, 5 de março de 2019,  #Hashtag Portugal: “Os nossos populistas são muito estúpidos” https://www.publico.pt/


Imagem ISPA

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