quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O significado da maçã


A maçã que Eva dá a Adão, simboliza o abandono da sexualidade infantil e o acesso à sabedoria e à sexualidade adulta.

“Em muitos mitos e contos de fadas, a maçã representa o amor e o sexo, nos seus aspectos benevolentes e perigosos. Uma maçã dada a Afrodite, deusa do amor, mostrando que ela era a preferida de entre as deusas, levou à Guerra de Tróia. A maçã Bíblica seduziu o homem e fê-lo renunciar à inocência para conseguir conhecimento e sexualidade. Foi Eva quem foi tentada pelo macho, representado pela cobra, mas nem mesmo esta pôde fazer tudo sozinha - precisou da maçã, que na iconografia religiosa também simboliza o peito materno. No peito materno, todos tivemos uma atracção inicial para formar uma relação, e encontrar satisfação nisso. Em Branca de Neve, mãe e filha dividem a maçã. Esta simboliza algo que têm em comum e que vai mais a fundo do que os ciúmes mútuos - os desejos sexuais maduros de ambas. Para vencer as suspeitas de Branca de Neve, a rainha divide a maçã no meio, comendo a parte branca, enquanto Branca de Neve aceita a metade vermelha, "envenenada". “
Bruno Bettelheim, Psicanálise dos Contos de Fadas


Quadro de AAchen, Hans Von, Bacchus, Ceres and Cupid. Nesta cena, a mão de um homem, Baco (Deus do vinho e dos vícios), tenta afastar Ceres de Cupido, representado por uma criança.







segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O objectivo de ser amado é mais acentuado nas mulheres do que o objectivo de amar: a necessidade narcísica e a dependência em relação ao objecto são maiores.”
Otto Fenichel, Teoria Psicanalítica das Neuroses

A mentalidade  de uma época.  Hoje, faz ainda parte da metafísica masculina (de alguns homens), que as mulheres são dependentes. Talvez (algumas) contribuam para isso. Quem engana quem?



Otto Fenichel - Nasceu a 2 de Dez de 1897; Faleceu a 22 de Junho de 1946. Foi Psicanalista contemporâneo de Freud.

domingo, 10 de outubro de 2010

Nas minhas leituras, encontro curiosidades. Esta é uma delas. A próxima será sobre as mulheres. Retratam um pensamento e uma época histórica. Algumas serão intemporais. 

“Os homens narcísicos que, na infância ou na puberdade, gostam de pensar em si mesmos como se fossem meninas podem vir, posteriormente, a se apaixonarem por “menininhas” (mais ou menos másculas), nas quais vêem a reincarnação deles próprios; depois tratam essas meninas como gostariam de ser tratados pelas mães. Estes homens não amam os seus parceiros femininos como entidades individuais, mas, nelas amam as partes femininas do seu próprio ego."
Otto Fenichel, Teoria Psicanalítica das Neuroses

Otto Fenichel - Nasceu a 2 de Dez de 1897; Faleceu a 22 de Junho de 1946. Foi Psicanalista contemporâneo de Freud.

sábado, 9 de outubro de 2010

Defesas contra a esperança

Para o Dia Mundial da Saúde Mental (10 de Out), um alerta:

Somos muitas das vezes os inimigos de nós próprios. Somos fruto do amor que os pais nos dedicaram. A não termos uma reserva suficiente desse amor, e ao não conseguirmos adquirir confiança nos outros, montamos defesas contra a capacidade de ter experiências boas ou de esperança.
Essas defesas podem estar, em não conseguirmos ter amor ou amizade, por quem nos decepcionamos, ou no prazer sádico de fazer sofrer.

Deixo-vos um enxerto de Coimbra de Matos em “A Depressão”:
“O trágico é que o indivíduo que não foi amado não aprendeu a amar. E não sabendo amar dificilmente poderá vir a ser amado. A sua sede de amor é muito grande, mas o seu ódio à relação amorosa ou a sua descrença no amor levam-no a estragá-la ou nunca a conquistar – pela relação ambivalente* e depressivante ou pela relação perversa e deteriorante, às quais adere.

O trágico está também no facto deste ódio, que tem as suas origens na infância, não se basear numa avaliação realista dos relacionamentos,  devido por exemplo, às expectativas irrealistas sobre os mesmos, por não se ter consciência da sua origem, ou por dificuldade em reconhecê-lo, tal como em Narciso.
A cura está no sentir-se capaz de merecer e atrair o amor de outrem.” (Coimbra de Matos, A Depressão).

*Ambivalência significa amar e odiar a mesma pessoa, mas não é amor, porque este deve situar-se para além desta necessidade em conservar e destruir o vínculo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quando termina um amor?

Termina bem, quando a verdade do outro não mais nos interessa, e a luz especial que o envolvia já não existe. Sentimo-nos livres, mesmo na presença da tristeza ligada a qualquer perda.

Não nos libertamos de um amor, difícil, enquanto existir na relação sede de amor e ódio, e o sentimento insuportável que a ruptura leva uma parte de nós e nos deixa desamparadas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

As mães dos narcísicos (2)


Picasso, Grand nu au fauteuil rouge (detalhe), 1929

Antes de me situar nas estratégias que determinadas mães usam nas interacções com os seus filhos, que favorecem o surgimento da patologia narcísica conforme prometi no post anterior, acho  importante um ponto da situação sobre questões do desenvolvimento.

Na adaptação ao cinema de “A Princesinha” de Frances Hodgson Burnell, Sara responde à crueldade de Miss Minchin, mais ou menos assim: “ (Deveria saber) que todas as crianças são princesas para seus pais.” Sara estava certa.
As pessoas enganam-se quando julgam que, olhar para os seus filhos e vê-los como únicos, especiais e perfeitos, é uma forma de criar crianças arrogantes e egoístas. Possivelmente, até podem estar possuídos pela melhor das intenções, julgando que, ao introduzir desde muito cedo as frustrações e as contrariedades, as preparam para a vida. Mas são justamente as frustrações vividas quando a criança não está preparada para elas, ou não é ajudada a superá-las, que podem criar perturbação narcísica, no desenvolvimento.
Tudo irá depender da situação traumática (traições, decepções….) ser devastadora, ser prolongada no tempo e expressar-se de diversas maneiras.
Quanto à realidade, as suas exigências far-se-ão sentir, até as decepções e traições, com peso e medida, como cometem todos os pais. Mas, a criança que recebe amor, irá interessar-se pelo mundo e perceber que os outros também têm vontades que é preciso ter em conta. Essa empatia, que é a capacidade de imaginarmos o que o outro pensa ou sente, e que está afectada nas perturbações narcísicas, é possível, porque a nossa mãe, ao nos compreender, fez-nos acreditar que há um outro que tem experiências semelhantes às nossas.

Recapitulando o post anterior (As mães dos narcísicos 1), Coimbra de Matos em “O Desespero”, expõe que estas mães têm tendência a investir no filho, de modo a que este deseje o que ela própria deseja. “E assim, esse filho, que ela considera uma continuação de si própria, irá por seu turno considerá-la a ela (e aos objectos/as pessoas que lhe sucedam), um prolongamento de si próprio". Tanto as mães sobreprotectoras como as negligentes, estão aqui incluídas, e são descritas na literatura, como tendo a característica comum, a frieza e a hostilidade, oculta ou não, para com a suas crianças. Em qualquer caso, as necessidades profundas destas não são levadas em consideração.

Podemos depreender que, o controlo omnipotente, a intrusão e a manipulação, são as estratégias privilegiadas destas mães e pais para lidarem com as suas crianças.
O amor, a existir, ainda de acordo com Coimbra de Matos, depende da criança completar a mãe, dar-lhe brilho, porque ela não tem ou julga não ter, sendo bom aluno, bonito, educado e por aí fora. A não corresponder, sujeita-se a  ser rejeitado. Outra característica desse amor é ser captativo. Dão com a intenção de receber. Caso o filho a contrarie, podemos imaginar o “arsenal de técnicas de manipulação e controlo”: fazer-se de vítima, acusá-lo de ingratidão e outras queixas mais.
Ainda de acordo com este autor, o resultado na criança pode revelar-se através da depressão, da culpabilização ou da agressividade.



sábado, 2 de outubro de 2010

O direito absoluto

Colecção Berardo


“ Defender em si o direito absoluto a ser uma pessoa perante um outro e a recusar ser negado, destruído ou enlouquecido é, sem dúvida alguma a forma mais acabada e mais difícil do amor”
Nicole Jeammet, O ódio necessário, Editorial Estampa

É a vitória da esperança sobre o medo e sobre falsas seguranças a que chamamos amor.