quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Paradoxo “ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”


René Magritte The Human condition

“ O narcisista desconhece sobretudo quem ele é”
Cristina Fabião  Narcisismo, defesas primitivas e separação Climepsi

Exibicionistas com manias de grandezas ou tímidos e inibidos, mas igualmente insatisfeitos, que sempre querem o melhor e dificilmente se contentam, intransigentes e reivindicativos acerca do comportamento dos outros, irónica e paradoxalmente, não sabem quem são.
Uma lição de vida para as suas vítimas que tentam desesperadamente lhes agradar.

A perspectiva deve ser então, a inversa. Não são os outros que não são suficientemente capazes e bons, as personalidades narcísicas por não terem consciência de si, não possuírem um conceito integrado do eu (confusão entre pensamentos e sentimentos, entre outras alterações), não reconhecem adequadamente as emoções e sentimentos dos outros, pelo que, não lhes dão a devida importância. Assim sendo, os narcísicos não podem ter capacidades adequadas de empatia pelas pessoas (no mínimo, imaginar o seu mundo), fazer delas uma avaliação apropriada e investir emocionalmente nas relações. Porém, é através do efeito que causam (ou julgam causar) nos outros, que adquirem a noção de quem são. 
Essas impressões, tanto servem para alimentar o ego grandioso como, ao não lhes parecerem favoráveis, podem contribuir para a baixa auto-estima e para o desânimo. Por isto, o narcísico está dependente deste jogo de espelhos, e sem ele, sente-se vazio e nada.
Só se reconhece e se dá valor, ao que a estrutura de personalidade permite, ou seja, só se dá  o que se tem, como dizia Oscar Wilde "Cada um dá o que tem no coração, e cada um recebe com o coração que tem."

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