quarta-feira, 12 de outubro de 2011

As atitudes ficam com quem as pratica

Oratório Paula Rego

“Lá no fundo, a vontade de destruir, direcionada para os outros, não é mais que a vontade de nos destruirmos a nós mesmos.”
Valerio Albisetti Ser amigo ou ter amigo? E. Paulinas

Quem me ofereceu este livro surpreendeu-se que eu reconheça todo o sentido na frase “As atitudes ficam com quem as pratica”. Certamente as pessoas costumam associar a este pressuposto a ideia que somos os únicos responsáveis pelas nossas ações, e consequentemente, estamos dispostos a suportar as consequências (sobre as quais não temos nenhum controlo), se as houver. Se não houver consequências, ficamos bem. Não ficamos.
Este estado prende-se com a existência em nós, da imagem que cada um tem de si e da imagem que tem do outro, o outro presente em nós, do que ele representa. É o nosso património, causar-lhe dano, passa a ser a partir de agora, a vontade de nos destruirmos a nós mesmos, 
A inexistência desta continuidade – o eu, o outro em mim mesno - é o vazio,  fonte de todas as violências. É a ausência da ideia da própria bondade, e precisamos de nos considerarmos bons para viver - todas as pessoas que têm saúde mental se consideram decentes.
Deveríamos ter medo de quem não tem nada a perder. Ou de quem não quer saber de si.

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