quinta-feira, 10 de junho de 2010

Funchal em dia feriado


Que dia bom para desenhar uma aguarela, pensei. É feriado!
Não adianta. Uma foto da Igreja do Colégio e da Igreja da Sé, pode ter o mesmo efeito. Como podemos criar atalhos!!! Mas não para a felicidade.

Nota do dia 12.6.10: Como me enganei! Claro que não há substituto para a experiência de desenhar, porque esta está mais próxima de quem sou (aqui). Foi preciso o tempo passar para me aperceber que, não me gratificou tirar esta foto.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Peter Singer e a Ciência da Felicidade


“ Alguns dos meus colegas, académicos bem remunerados e bem sucedidos, entregavam um quarto do seu ordenado anual aos seus analistas! Isto era para as pessoas que, tanto quanto me era dado a perceber, não eram nem mais nem menos perturbadas do que as que não faziam análise, e, com excepção do seu empenho na análise, não me pareciam diferentes das pessoas que eu conhecera em Oxford ou Melbourne. Perguntei aos meus amigos por que razão faziam aquilo. Responderam que se sentiam reprimidas, ou tinham tensões psicológicas por resolver, ou não viam sentido para a vida. Deu-me vontade de pegar nelas e abaná-las. Estas pessoas eram inteligentes, talentosas, abastadas e viviam numa das cidades mais estimulantes do mundo.”
Peter Singer, Como havemos de viver? Dinalivro 2006


Peter Singer (filósofo) refere-se à necessidade de darmos à nossa vida, um sentido, um propósito, que envolva a responsabilidade por todos os seres vivos e pelo planeta, para além dos nossos desejos pessoais. Mas, quem é feliz?
David Myers (página pessoal) investigador na área da Psicologia Positiva, define as pessoas felizes: têm auto – estima, boas relações íntimas, traços de caracter, sentido de pertencer à comunidade e experiências óptimas (aqui).
Na actualidade, os investigadores, como refere Barros de Oliveira, Psicólogo da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto: “ não focam tanto quem é feliz, mas quando e porque se é feliz”. O que nos remete para a necessidade de desenvolvermos estratégias (de comunicação, gestão de conflitos…),  para lidarmos com a vida.
Ainda a propósito do texto de Peter Singer, nas sociedades modernas, o bem-estar material não resultou em melhorias no bem-estar psicológico.
Sobre a importância do dinheiro, sabemos também que, depois de atingirmos um nível socioeconómico necessário para vivermos com dignidade, mais dinheiro não faz aumentar os índices de felicidade.

Outros recursos, sobre a Felicidade:

http://www.cappeu.com/

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Paradoxo da muralha defensiva


“O essencial era um tipo manter-se impenetrável, era erguer um muro à sua volta e não deixar entrar ninguém. “
Paul Auster A Música do Acaso Edições Asa

Criamos uma fortaleza defensiva, não porque somos fortes, mas sim porque nos sentimos vulneráveis. É essa fragilidade que nos faz evitar as relações com os outros.
Para nos protegermos, tentamos afastar os perigos, mas, essa fortaleza defensiva, se outrora nos protegeu, é ela própria um perigo, porque o que nos obrigou a nos defendermos no passado, já não existe. Está só na nossa mente.
O outro, visto como um perigo, ao não o integrarmos na nossa vida, bloqueamos a possibilidade de chegarmos a conhecer o quanto somos capazes e o quanto somos limitados.
A nossa energia, que podia ser aplicada de um modo criativo nesta descoberta - a maravilhosa descoberta da vida -  é investida na autopreservação.


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Olha que grande coisa!

“Expor-se ao perigo enobrece a alma e salva-a do tédio no qual os meus adoradores parecem mergulhados; e é contagioso esse tédio. Qual de entre eles têm a ideia de fazer algo de extraordinário? Esforçam-se por obter a minha mão, olha que grande coisa!”
O Vermelho e o Negro – Stendhall

Mathilde, a menina de La Mole, revela nesta passagem, sede de estímulos intensos, sentimentos de vazio e de estar sozinha. Apesar dos esforços dos seus adoradores, desvaloriza  as habilidades destes em a cativar. Porém, à mercê das atenções, a mais invejada herdeira do bairro de Saint – Germain, jamais poderá admitir a sua dependência em relação a eles. É a personagem narcísica do romance.

sábado, 29 de maio de 2010

Os nossos desejos


Os nossos desejos são, a sedução, a partilha e o reconhecimento. *

Seja na vida real, seja no mundo virtual - todo o sujeito deve ser desejante e doador.
A satisfação com a vida dependerá de um equilíbrio, e do entendimento em acção, do que significam para o outro e para mim.
Concordo com Hugo Bleichmar, em O Narcisismo, quando diz que as pessoas se diferenciam umas das outras, no modo como resolvem esse equilíbrio. O que sugere a existências de vários perfis.

*Serge Tisseron (Psiquiatra e Psicanalista), Les Réseaux Sociaux, Le Monde de le Intelligence nº 15 de Maio, Junho e Julho de 2009 (aqui)

Foto: Igreja de São Domingos - Lisboa


A Ninfa Eco


É costume nos concentrarmos em Narciso e na ânsia deste em se amar a si próprio, seguida da frustração por não o conseguir, e consequente, a morte, e negligenciarmos o papel da Ninfa Eco neste desenlace.
Mas este papel não é desprezível.
A submissão e dependência de Eco em relação a Narciso ao ponto de não ter opinião própria, corresponde à imagem de Narciso, porque Eco, na verdade, nunca existiu como pessoa real. 
Portanto, a Nifa Eco, apresenta-se como um duplo que permite a Narciso satisfazer a ilusão que é totalmente aceite e compreendido. E auto-suficiente.
Mas Eco, pelo facto de limitar-se a repetir o que ouve, “ fazer a vontade” acaba por ser uma desilusão para Narciso levando-o à morte por não lhe proporcionar o conhecimento de si mesmo – atingido na relação com outro - e, à experiência de ser amado apesar de ter, como todos nós, imperfeições. 
Faz lembrar aquelas relações sustentadas pelo domínio e submissão, em que os dois acabam infelizes.
Narciso criou Eco para não passar pelo risco de ter necessidade de alguém e de estabelecer um vínculo, única maneira possível que ele teria, e todos nós temos, de viver uma vida com sentido.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cérebro e Comportamento

O site The Brain From Top To Botton  (em língua inglesa e francesa), é uma ferramenta interactiva, que permite o estudo de temas relacionados com o cérebro (Emoções, Prazer e dor, Desenvolvimento da mente….).
Cada tema é abordado nas dimensões Social, Psicológica, Celular, Molecular e  Neurológica.
Também podemos escolher o nível de exigência (básico, médio e avançado), de cada uma destas abordagens.
É um pequeno contributo para uma visão ampliada da complexidade do comportamento humano, e do bom que seria, que a mesma, fizesse parte do conhecimento cultural dos educadores.