quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dirty Mistress

Jack Vettriano, The Set up

“A maldade e a destrutividade passam a ser vistas no rival; ele é condenado, e contra ele pode ser dirigido o ódio sem implicar o sentimento de culpa”.
Melaine Klein e Joan Riviere, Amor Ódio e Reparação, Imago Editora

O que leva a que a ciumenta destine toda a sua raiva numa rival (real ou fantasiada), e poupe a pessoa que ama? O mesmo para o ciumento.
A torturante amargura do ciúme faz-nos odiar quem amamos. Sentimo-nos preocupadas e culpadas que a nossa agressividade possa destruir o outro e a relação. 
“Transferir” a maldade e destrutividade para uma rival, é uma maneira de atenuar esta tortura, e pouparmos do nosso ódio, a pessoa que amamos.
 Ao condenarmos uma amante, podemos assim descarregar todos esses sentimentos nela. Sem culpas, por isso.
 Este mecanismo projecção, permite ao odiar a outra, não lidar também com a dúvida sobre nós próprias, que talvez não sejamos dignas de sermos amadas.



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