quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A técnica da cisão


indignados na Puerta del Sol (Madrid - Espanha)

“A era dos psicopatas e burocratas
Ambos cimentam e incentivam a fragmentação da nossa perspetiva e das nossas perceções porque a sua coesão pessoal precisa do estado de cisão. São eles os inimigos de qualquer integração que tenha por objetivo uma visão de conjunto dos assuntos pessoais, económicos e sociais. Por intermédio da técnica, o seu poder e, com isso, o perigo que eles representam para a Humanidade cresceu de forma incomensurável. Juntos combatem a coesão do nosso mundo. O psicopata, com a sua personalidade deslocada para o exterior, aspira ao controlo momentâneo sobre o outro. O burocrata defende o status quo para defender a sua coesão e existência."
Arno Gruen Falsos Deuses Editora Paz.

Lembrei-me deste pequeno texto, a propósito das reivindicações dos “indignados” e de todos os movimentos que lutam por medidas políticas económicas e sociais que tenham em conta uma visão integral da condição humana.
A não defesa dessa visão de conjunto, é considerado por Arno Gruen, uma técnica, ou seja, um mecanismo para fazer valer interesses pessoais ou de grupo.
Esta insensibilidade social ao sofrimento causado aos outros, faz deles os psicopatas da era moderna, que com a ajuda dos burocratas que cobardemente obedecem ao poder, provocam danos na vida das pessoas e nas instituições.
A utilização desta técnica não nos devia surpreender. É usada no nosso quotidiano, nos contextos de trabalho ou familiares, em que alguém para defender a sua posição, de modo relutante não manifesta uma visão global da situação e das suas possíveis implicações na vida do outro ou dos outros.
São estados  geradores de ansiedade, porque a nossa natureza é feita para que o nosso comportamento, sentimentos e necessidades, estejam em harmonia e não em desordem.

Arno Gruen é psicanalista.

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