sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Rivalidade


Robert Rauschenberg, Reservoir, 1961 (detalhe)

“Com que frequência homens importantes e eminentes não toleram à sua volta senão indivíduos medíocres; e como é comum ver-se homens de excepcional capacidade e talento escolherem mulheres particularmente insípidas, feias, ou inclusive inúteis, e vice-versa."
Melaine Klein e Joan Riviere Amor, Ódio e Reparação, Imago Editora

Quantos de nós já admiraram um homem ou uma mulher e tentaram imaginar que tipo de companheiro/a  escolheram para viver. Muitas vezes, quando nos são apresentados/as, levamos algum tempo a nos refazermos da surpresa. O que viu ele/ela na outra/o?
Mas as situações mais assombrosas talvez sejam aquelas em que somos o repositório de críticas e de atitudes pouco tolerantes por parte de alguém, e posteriormente confirmamos que a pessoa que partilha a sua vida, é uma tristeza. A amplitude de significados que este conceito possa ter para si, não lhe tire a intenção depreciativa que lhe atribui.
Nos bastidores do poder, o rodear-se de indivíduos medíocres, mas úteis, é também paradigmático.
O mecanismo subjacente a estas situações, quer seja na vida privada ou pública, é a necessidade de colocar-se em acentuado contraste com alguém que eles definem como inferior, de modo a que sejam proclamados bons e dignos de louvor. Consequentemente, projectam naqueles que escolheram para conviver, a parte má e medíocre de si próprios que ilusoriamente julgam já não lhes pertencer - são os outros e não eles, os indignos.



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