domingo, 28 de outubro de 2012

O verdadeiro amor agradece sempre

 Jamie Beck Paris Love
  


"Alegria nascida do sentimento de uma reconciliação; cessa a necessidade de nos defendermos, de desconfiar, de nos punirmos. Cessa o desejo de atacar, a não ser pelo prazer. E tudo isso graças a um único ser. Uma gratidão imensa relativamente a este ser: o verdadeiro amor agradece sempre, do mais profundo de si mesmo, a existência do outro, o simples fato de ser. Reconhecimento que é doce sentir e no qual, por sua vez, se alimenta a alegria de que ele mesmo procede. Prazer da gratidão que compensa os pavores do ciúme. Prazer de uma atenção intensa, sustentada e concentrada, sem qualquer esforço, sobre um outro individuo, exterior a nós próprios, graças à coincidência nele da identidade e da alteridade. Amo-te porque és a melhor parte de mim mesmo. Amo-te porque és o que não sou, o que nunca poderei ser. Objeto fascinante, aquele que torna possível tal convergência! Assim, todo o amante está atento e todo o amor é, por essência atenção. Sabia-o bem aquele moralista que declarou com indiferença uma incomensurável injuria ao ódio. O maior preconceito é o de julgar que alguém não tem qualquer valor. O maior favor é o de preferi-lo a todos, considera-lo, se não tudo, pelo menos uma abertura para a totalidade."

Christian David O Estado Amoroso, Ensaios Psicanalíticos Palas Editores 1971












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